Floresta

Tempo de descortiçar

É no descortiçamento que se inicia o ciclo de vida da cortiça enquanto matéria-prima: com 25 anos de idade e 70 cm de perímetro de tronco medidos a 1,3 metro do chão. Os descortiçamentos posteriores são realizados com um intervalo de, pelo menos, nove anos, entre os meses de maio e agosto.

O SABER E A HABILIDADE MANUAL DO DESCORTIÇADOR

O descortiçamento é um processo manual ancestral, que requer mãos experientes e muito cuidadosas para não danificar a casca nem a árvore.


AS 5 ETAPAS DO DESCORTIÇAMENTO:

1. Abrir – a cortiça é golpeada com o machado em sentido vertical na sua ranhura mais vincada, separando a prancha do entrecasco.

2. Separar – a prancha é separada ao introduzir o gume do machado entre a barriga da prancha e o entrecasco, num movimento de torção do machado.

3. Traçar – o tamanho da prancha de cortiça a sair do tronco é delimitado por um corte horizontal ou traçagem.

4. Extrair – a prancha retirada da árvore, com muito cuidado, para evitar que parta. (quanto maior a prancha, maior o valor comercial).

5. Descalçar – alguns fragmentos de cortiça são deixados junto à base do tronco mas, para afugentar eventuais parasitas, são dadas algumas pancadas nos calços do sobreiro. Após o descortiçamento, cada sobreiro é marcado com a numeração do último algarismo do ano em que foi realizada a extração da cortiça.

DE NOVE EM NOVE ANOS, UM NOVO DESCORTIÇAMENTO:

Ao longo da sua vida, o sobreiro pode ser descortiçado 15 a 18 vezes, em intervalos de nove anos.

Aos 25 anos de idade – 1º descortiçamento ou desbóia – é obtida a cortiça virgem, cuja estrutura irregular e extrema dureza ainda não apresenta a qualidade ideal para a produção de rolhas. Esta cortiça é utilizada em outras aplicações, como são exemplos os pavimentos ou isolamentos.

Aos 34 anos – 2º descortiçamento – é obtida a cortiça secundeira, de estrutura mais regular e textura menos dura. Esta é também transformada em aglomerados para construção e outros materiais.

Aos 43 anos – 3º descortiçamento – é obtida a cortiça amadia ou de reprodução, já com as propriedades ideais para a produção de rolhas de qualidade. A partir deste momento, durante cerca de século e meio, de nove em nove anos, o sobreiro oferecerá uma cortiça de excelência!

ESTABILIZAÇÃO DAS PRANCHAS DE CORTIÇA

Depois do descortiçamento, é crucial deixar que a cortiça repouse ao ar livre, de modo a obter a sua perfeita maturação e estabilização.

O Código Internacional de Práticas Rolheiras (CIPR) estabeleceu regras rigorosas para esta fase, como o empilhamento das pranchas sob materiais que não contaminem a cortiça e durante um período nunca inferior a seis meses.

O sobreiro é, talvez, a árvore mais admirável do mundo! E é também uma das maiores riquezas na geografia alentejana. Não só é altamente capaz de prevenir a degradação dos solos como é gerador de elevados níveis de biodiversidade.

Ao procurarem os nutrientes em subsolo e ao devolvê-los ao solo com a queda das folhas e ramagens, os sobreiros melhoram a sua matéria orgânica tornando-os mais produtivos. São ainda responsáveis pela regulação do ciclo hidrológico, pois ao estimularem os níveis de matéria orgânica, permitem a melhor retenção de água, facilitando a sua infiltração no solo.

QUALIDADES DO SOBREIRO:

  • PREVINE A DEGRADAÇÃO DOS SOLOS
  • TORNA OS SOLOS MAIS PRODUTIVOS
  • REGULA O CICLO HIDROLÓGICO
  • COMBATE A DESERTIFICAÇÃO
  • SEQUESTRO E ARMAZENAMENTO DE CARBONO EM PERÍODOS DE TEMPO MUITO LONGOS
  • GERA ELEVADOS ÍNDICES DE BIODIVERSIDADE
  • COMBATE AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS
  • CRIA EMPREGO E RIQUEZA NO PAÍS