Agropecuária EMPRESAS & PRODUTOS Reportagem

“A internacionalização foi uma boa aposta”

A Pasto Alentejano – Distribuição, Lda. é uma empresa familiar que se dedica à produção pecuária, sendo também proprietária do Matadouro Regional do Alto Alentejo. São 23 pessoas nos quadros da empresa, mais 100 no matadouro.

PASTO ALENTEJANO - DISTRIBUIÇÃO, LDA.

Administradores: Augusto Serralheiro e José Serralheiro

Responsável ligado à produção: Tiago Serralheiro 

Responsável ligado ao matadouro: Filipe Serralheiro

Atividade: Pequenos ruminantes | Local: Sousel (Alto Alentejo)

Tiago Serralheiro, de 23 anos, é quem está mais ligado à produção e explica à nossa reportagem como se processa o ciclo, dividido em três fases. A primeira é a fase do produtor, quando nascem os borregos.

A empresa trabalha com mais de mil produtores que essencialmente criam ovinos de raça merina (normalmente cruzada) e a quem a equipa de médicos veterinários acompanha e aconselha sobre a melhor estratégia para que depois a adaptação ao centro de acabamento – já na exploração Pasto Alentejano – seja o mais simples possível. Depois de registados os animais passam algum tempo nesta fase dois para desenvolvimento até que são encaminhados para a zona de acabamento (fase três). Aí, cada pavilhão é identificado em função do destino final dos borregos.

De 10 mil ovinos em 2015 para 40 mil atualmente

De acordo com Tiago Serralheiro tem-se registado um grande crescimento nos últimos anos. Se em 2015 a capacidade era para 10 mil ovinos, hoje o efetivo constante é de 40 mil borregos. Mas foi necessário criar condições para isso, nomeadamente com o aumento da área coberta e uma aposta no bem-estar animal na exploração. Além disso, toda esta estrutura tem sido acompanhada de evolução tecnológica.

Escoamento faz-se para mercados diversificados

O escoamento dos animais é efetuado através do matadouro e segue para toda Europa, mas também já com bastante expressividade para alguns países árabes. Em Portugal trabalha com a grande distribuição e com talhos. O responsável explica que esta diversificação de mercados tem sido uma estratégia vencedora, bem refletida no momento que vivemos pois, apesar de todas as contingências, foi possível dar resposta aos produtores e escoar toda a produção.

Localizada no Alto Alentejo, proveniente de uma família de valores humildes e com grande espírito empreendedor, em 2016 a Pasto Alentejano decidiu chamar a si a responsabilidade e ser pioneira em Portugal, assumindo a criação da mais moderna exploração de ovinos.

Atualmente a unidade encontra-se com capacidade para cinquenta mil borregos de efetivo, e subdivide-se em três áreas:

1 – Uma zona de receção onde todos os animais são admitidos e devidamente organizados.

2 – Uma zona de desenvolvimento onde os animais ficam cerca de trinta a sessenta dias.

3 – Uma zona de retirada.

Raça privilegiada: Merino

Sem se saber ao certo qual a origem desta raça acredita-se que descende de cruzamentos entre raças trazidas de zonas da Ásia Menor, num passado longínquo, para o Mediterrâneo, e por raças trazidas do norte de África para a Península Ibérica, já no final do séc. XX. O processo de seleção natural desenvolvido com o passar dos anos, deixa-nos com o atual Merino caracterizado pela qualidade da sua lã e pela sua extraordinária rusticidade. Todas as características do Merino Português foram-se adaptando ao ecossistema em que está inserido, mas é a sua rusticidade que lhe permite um desempenho no processo de engorda muito positivo. Apresentando resultados constantes e regulares.

O Matadouro Regional do Alto Alentejo (MATSEL), situado em Sousel, iniciou a sua atividade em 1991 mas foi em 2017 que a administração da Pasto Alentejano decidiu comprar a maioria do mesmo e alterar a estratégia até aí delineada.

A direção do MATSEL procurou especializar e dinamizar a unidade naquilo que é o seu know-how – abate e desmancha de ovinos. Estratégia que com o tempo tem vindo a demonstrar-se acertada, estando criadas condições de investimento e com perspetivas de contínua especialização e desenvolvimento.

Esta unidade, integrada na rede nacional de abate presta serviços de Abate, Desmancha, Corte Fino, Transformados (picados e preparados de carne), Embalagem e Expedição de carnes em fresco e congelado.

Está homologado para prestação de serviços de Abate e Desmancha em Portugal e na Comunidade Europeia, e é capaz de assegurar a total rastreabilidade da carne que labora.

Constituído por uma equipa de 100 pessoas o MATSEL é um dos maiores empregadores do concelho de Sousel e já no corrente ano 2020 a administração fixou o salário mínimo em 700 euros além de ter procedido à revisão dos salários consoante a antiguidade de cada colaborador na empresa, com alguns a verem aumentados os seus vencimentos em 20% .

É ainda de realçar a distribuição de 10 % dos lucros por todos os colaboradores, num sistema adotado em 2019, ao que se soma uma política de contratação direcionada para a juventude, reflexo do grau de compromisso assumido por estas duas entidades (MATSEL e Pasto Alentejano) na criação de emprego com condições de excelência, assim como medidas concretas para a fixação de famílias no interior.


Mais informação em: www.pastoalentejano.pt