EMPRESAS & PRODUTOS Hortofruticultura Reportagem

Produzir citrinos ainda é um bom negócio

Embora o nome da exploração de José Furtado seja Agrobacate, a verdade é que há mais de 40 anos que este produtor algarvio se dedica à citricultura. A relação com o abacate é desenvolvida pelo filho, com quem partilha o nome e que é consultor nesta cultura, também no Algarve.

AGROBACATE

RESPONSÁVEL: José Furtado | ATIVIDADE: Produção de citrinos 

ÁREA: 28 ÁREA: hectares

LOCAL: S. LOCAL: Bartolomeu de Messines (Algarve)

A exploração, situada na região do Barrocal (S. Bartolomeu de Messines) estende-se por 28 hectares e é composta maioritariamente por laranjas, clementinas e alguns limões. O produtor explica que a grande percentagem (90%) é de laranjas em virtude do elevado custo de mão de obra para colheita dos pequenos citrinos. Um dos sonhos do produtor era mesmo conseguir produzir clementina temporã, numa altura em que os armazéns não têm fruta, mas não há nenhuma variedade para esse requisito, com a qualidade que o mercado exige. Justifica-se em parte com os preços da última campanha, que considera terem sido muito bons, embora com a nuance de também ter havido menos fruta, quer em Portugal, quer em Espanha.

“Se tivesse menos 30 anos era no Alentejo (Alqueva) que investiria para produzir citrinos”

A fruta é escoada através da Cacial, que reconhece estar muito bem organizada, a vários níveis, desde a organização da apanha até aos pagamentos.

José Furtado

Neste momento José Furtado diz já não ter planos para aumentar a área de produção, um projeto que será o filho a dar continuidade, mas sempre nos confessa que se tivesse menos 30 anos era no Alentejo (Alqueva) que investiria para produzir citrinos.

Ainda assim, José Furtado é da opinião que produzir citrinos é um bom negócio mas mostra-se preocupado em relação ao futuro também face à pandemia por COVID 19, receando que dentro de alguns meses as pessoas fiquem sem dinheiro para comprar, e tanto em Portugal como lá fora.

Falta de água e de mão de obra no topo das preocupações

Hoje, embora se registe uma grande evolução tecnológica a nível da produção, que José Furtado tem introduzido na exploração com o apoio do filho agrónomo, aponta várias dificuldades que podem pôr o setor em causa. A primeira é logo a falta de água. Ainda no início de julho o produtor já tinha conhecimento de furos sem água. Outra é a complexidade em adquirir terra a que se junta a falta de mão de obra qualificada, bem como a falta de união entre os produtores e até mesmo os roubos.



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