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Após 150 anos a combater sintomas de míldio e oídio na vinha é tempo de resolver o problema

A 6 de Março de 2020 foi deferido pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), o despacho 3040/ 2020 em resposta ao pedido dos Viveiros Plansel Lda. para inscrição de uma variedade de videira no Catálogo Nacional de Variedades de Videira. Trata-se da ‘Defensor’, uma casta branca, nova, que apresenta elevada tolerância a míldio e oídio.

Introdução:

Não é razoável que 150 anos após ter sido identificada pela primeira vez na Europa a presença de míldio e oídio em plantas de videira, não se tenha ainda conseguido encontrar uma solução para este problema, a não ser através da aplicação de enormes volumes de pesticidas. A proteção química das vinhas, mesmo com o recurso à proteção integrada, é cara e provoca graves problemas de poluição ambiental. Refira-se por exemplo que a nível comunitário, mais de dois terços de todos os fungicidas aplicados na agricultura são utilizados na cultura da vinha.

O melhoramento com vista à obtenção de plantas de videira resistentes a fungos começou na mesma altura em que se iniciaram os programas de melhoramento que conduziram ao aparecimento das variedades americanas e seus híbridos resistentes à filoxera. Contrastando com o sucesso destes últimos, os híbridos resistentes a míldio e oídio, independentemente da melhoria conseguida pelos atuais programas de melhoramento, continuam a ser vistos com desconfiança. Entretanto, muito se avançou no conhecimento dos mecanismos de resistência a fungos, as novas castas com resistência recuperaram em grande parte o genoma da videira europeia, apresentam resistência multigénica, têm boa produtividade e uma elevada qualidade da uva e do vinho. Por isso, a desconfiança, deve-se apenas ao conservadorismo característico dos intervenientes no setor.

Viticultores, enólogos e consumidores, devem estar mais disponíveis para, sem qualquer tipo de preconceito, avaliar as novas castas e formar a sua opinião, pois a vitivinicultura como a conhecemos atualmente, não é nem económica nem ambientalmente sustentável num futuro próximo. As castas de referência de trinta anos atrás não são as mesmas de hoje e seguramente em trinta anos o encepamento vai alterar-se de novo.

A mudança contínua dos genótipos de videira ao longo da história

Na Península Ibérica, a videira, como a conhecemos atualmente (Vitis vinífera ssp.sativa), surgiu depois da última glaciação por evolução natural a partir de um polo genético de Vitis vinífera ssp. silvestris. Plantas de V. vinífera ssp. silvestris com flores hermafroditas foram selecionadas, e, primeiro por cruzamentos naturais e posteriormente por cruzamentos dirigidos, deram origem à diversidade inter- e intra-específica que hoje conhecemos, as castas.

Data do tempo dos romanos a consciência desta diversidade. Plinius (Naturalis Historia 70 d.C) e Columella (de re rustica 60 d. C ), foram os primeiros que a ela fizeram referência. Na Península Ibérica, as primeiras descrições das castas foram feitas por Ibn al Awam (1150), Pedro de Crescensis 1230 – 1321, Alonso de Herrera 1470 – 1539, Rui Fernandes (1532). A descrição das castas portuguesas iniciou-se mais tarde, no final do seculo XVIII, com o levantamento do património genético nacional nas “Memórias da Academia das Ciência de Lisboa”.

As características singulares de cada casta eram na altura perpetuadas por enraizamento de estacas lenhosas ou por mergulhia, mas, em meados do seculo XIX com a introdução da filoxera na Europa, o paradigma vitivinícola alterou-se. A videira passou a ser enxertada sobre porta-enxertos resistentes à praga. Primeiro sobre as espécies americanas V. riparia e V. rupestris, e, posteriormente, para facilitar a adaptação a solos de reação alcalina, sobre híbridos destas com a V. berlandieri. Deste modo se superou o problema da filoxera. Na mesma altura, e com a mesma origem, surgiram na Europa outros problemas sanitários. O míldio e o oídio, foram dois deles, e a vastidão da destruição por eles causada em Portugal, foi descrita pelo Visconde Vilarinho de São Romão (1891).

A importação de espécies resistentes da região de origem destes fungos nocivos, a América de Norte, foi inicialmente a forma encontrada para combater a pandemia. Mas estas falharam enologicamente por serem demasiado distintas da videira europeia, principalmente ao nível da componente aromática, caracterizada por notas “foxy-tone”.

O cruzamento dos genótipos resistentes com as castas europeias foi o passo seguinte. Melhoradores franceses criaram uma primeira geração de castas híbridas, que, sem atingir a qualidade enológica das castas europeias, ainda chegaram a ocupar na primeira metade século passado, mais de 30 % da superfície total da área vitícola em França.

A descoberta de que o cobre e o enxofre podiam ser usados de forma eficaz no combate a estes fungos e o facto de os híbridos ainda com muito pouco de V. Vinifera no genoma apresentarem limitada qualidade enológica, acabaram por levar à proibição da sua utilização nas principais zonas vitícolas europeias.

Isto conduziu ao renascer do interesse pelas castas autóctones, e, para melhoria da sua performance produtiva, a seleção clonal ou policlonal passou a dominar a viticultura europeia desde os anos 80 até hoje. Com a disponibilidade de clones melhorados, sanitariamente superiores e com melhor capacidade produtiva, associada a um sistema de produção cada vez mais mecanizado e apoiado pela aplicação de produtos químicos eficientes, a viticultura torna-se cada vez mais eficaz e consegue produzir a preços cada vez mais competitivos. Os híbridos acabaram por manter-se apenas como “vinho de cheiro” em algumas regiões nacionais, climaticamente desfavoráveis, como os Açores, a Madeira e na zona de Lafões.

Em Portugal desde o início deste século que temos assistido à introdução de inúmeras castas não autóctones, provenientes principalmente de França e Itália. Situação que culminou em 2014 com a utilização nas novas plantações, em algumas regiões do Sul do país, de mais de 50% de castas não resultantes da evolução do polo ibérico de V. vinífera. Todas estas situações confirmam a perpétua alteração e adaptação do encepamento, devido a condições ambientais, culturais, ou simplesmente a modas.

Objeções ao uso de pesticidas e o novo paradigma verde

Durante este período de recuperação do interesse pelas castas autóctones, sem chamar grande atenção tanto a nível nacional como internacional, mantiveram-se ativos programas de melhoramento para obtenção de resistência a míldio e oídio em vários países europeus, na Alemanha (Universidade de Geisenheim, Institut für Rebenzüchtung Geilweilerhof), nos países balcânicos (Hungria, Jugoslávia), nos Estados Unidos da América (UC Davis CA, U. Cornell Geneva NY). O principal objetivo foi de manter a resistência adquirida pelos híbridos tradicionais, acrescida de uma maior incorporação do genoma de V. vinífera, através da realização de retrocruzamentos com castas europeias de referência. A importância deste trabalho veio a ser reconhecida à medida que aumentou a consciência ambiental das novas gerações.

Em meados do século passado, o aumento da população mundial e os seus efeitos nas alterações climáticas, levaram a geração mais jovem a manifestar uma maior consciência em relação aos danos causados no meio ambiente. A drástica redução da biodiversidade, tanto na fauna como na flora, veio provocar um sentimento de medo em relação ao futuro. O medo, supostamente existencial, aliado à incapacidade de analisar cientificamente os processos, provoca emoções e leva a visões cada vez mais negras da realidade, criando espaço para o aparecimento de ideias populistas. Exemplo disso são, em França, o movimento “Coquelicot”, em defesa da eliminação total do uso de pesticidas por um ambiente 100% natural e na Alemanha, o movimento “Morre a Abelha, Morre o Homem?” (Fig. 1), que amplifica o medo de a natureza colapsar por falta de polinização, devido à morte das abelhas pelo uso de pesticidas.

Ainda que em grande parte desprovido de sentido, este novo paradigma verde acabou por dar novo impulso a atividades de melhoramento da videira, de modo a tornar a atividade vitícola menos dependente do uso de pesticidas. Os governos são pressionados a tomar medidas para a redução dos produtos químicos aplicados na agricultura, e, a abertura que já se tinha verificado na Alemanha, relativamente às castas híbridas, onde em 2005 um grupo de produtores independentes, que adotou a designação de ‘PIWI’, acrónimo alemão para “Pilzwiderstandsfähig” e que significa “capaz de resistir a fungos”, foi criado com o objetivo de promover e difundir estas variedades, começa então ser seguida por outros países europeus.

Em 2008 a França avança com o plano ‘Ecophyto’ que previa a redução em 50% da utilização de pesticidas na produção agrícola até 2018, período que agora foi estendido até 2025 com o ‘Ecophyto II’. Em 2009, a UE revê o regulamento de proibição de plantação de híbridos de videira. A classificação DOP (Denominação de Origem Protegida) continua a requerer variedades V. vinifera, mas, os híbridos, podem ser utilizados nas IGP (Indicação Geográfica de Proveniência). Em maio de 2016, a França abriu o registo a novas variedades no seu catálogo oficial, incluindo a plantação experimental de híbridos, desde que cumprissem os critérios de ‘distinção, homogeneidade e estabilidade’ (DHE).

A resposta europeia

Foi neste novo enquadramento que as variedades criadas pelos grupos atrás referidos e esquecidas durante anos, voltam à ribalta. Algumas delas foram utilizadas num novo programa de melhoramento desenvolvido pelo INRA (França). Este programa designado por ‘RESDUR’ recuperou variedades anteriormente criadas por Alain Bouquet com uma forte componente de V. vinífera no seu genoma e com resistência adquirida de Muscadinia rotundifólia, que foram utilizadas em cruzamentos com outras variedades resistentes, mas onde a resistência não deriva da Muscadinia rotundifolia, de modo a conseguir nos novos híbridos o maior número possível de loci de resistência a míldio e a oídio (piramidação de genes de resistência), não perdendo as características de V. vinifera que as caracterizam.

O mesmo está a ser feito por investigadores alemães do Julius Kühn Institut GeilweilerHof (JKI) e Staatliches Weinbauinstitut Freiburg (WBI). Neste caso, a estratégia é conseguir incorporar os loci de resistência da Muscadinia rotundifolia em variedades que já possuem um locus de resistência para míldio e outro para oídio adquirida a partir de espécies americanas (Fig. 2). como acontece com a ‘Regent.,

Ambos os programas de melhoramento lançaram recentemente novas castas, cada uma delas com dois loci de resistência para míldio e oídio. No caso francês, as castas Artaban (T), Vidoc (T), Floreal (B) e Voltis (B), com os loci Run1 e Ren3 para oídio e Rpv1 e Rpv3 para míldio, e, no caso alemão, a casta ‘Calardis Blanc’ (B) com os loci Ren3 e Ren9 para oídio e Rpv3.1 e Rpv3.2 para míldio.

Para o desenvolvimento desta estratégia de piramidação de genes da resistência, muito contribuiu a informação entretanto adquirida sobre a origem e localização no genoma dos loci de resistência em Vitis spp. Como pode ver-se pela figura 3, estão até ao momento identificados 13 loci de resistência a oídio e 15 loci de resistência a míldio.

A vermelho, na mesma figura, estão sinalizados aqueles que conferem um maior nível de proteção, sendo que, para o oídio, os loci Run1 e Ren6 têm origem em Muscadinia rotundifólia e o Ren5 em V. piaseski e todos eles conferem resistência total. Já para o míldio, os loci Rpv 8, 10 e 12 têm origem em V. amurensis e conferem elevada resistência, enquanto os Rpv1 e 2, têm origem em Muscadinia rotundifolia, conferindo o primeiro elevada resistência e o segundo resistência total.

Num artigo recentemente publicado, Dias et al. (2019) referem que uma eventual adoção destas novas castas, pode conduzir a uma perda de diversidade da videira. Afirmação curiosa, tendo em conta que o que na verdade se está a fazer em cada novo cruzamento é precisamente criar variabilidade e as castas atualmente existentes não deixarão de existir.

A situação em Portugal

Tanto quanto nos é possível saber, em Portugal têm sido realizados alguns estudos incidindo sobre avaliação da resistência em variedades de V. Vinífera ssp sativa e V. vinífera ssp. Silvestris, sobre mecanismos de resistência ou suscetibilidade associados à interação hospedeiro-patogénio (Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária – INIAV) e sobre marcadores moleculares de resistência a míldio (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa – FCUL ). Para além disso a empresa Viveiros PLANSEL Lda. e a Universidade de Évora têm desenvolvido desde 1983 a única linha de melhoramento com vista à obtenção de novas castas resistentes por cruzamentos controlados. Nesta linha de trabalho podem identificarse três fases distintas. Num primeiro momento, procedeu-se à importação de novas castas obtidas na Alemanha, com ciclos vegetativos demasiados longos para esse país e estudou-se o seu comportamento nas condições edafo-climáticas de Portugal.

O primeiro resultado deste trabalho foi o registo, este ano, no Catálogo Nacional de Castas de Videira, da variedade branca ‘Defensor’ (Fig. 4).

A casta foi avaliada tanto no que respeita aos critérios de distinção, homogeneidade e estabilidade (DHE), como ao valor agronómico de utilização (VAU), durante 3 anos consecutivos em 3 diferentes locais. Foi possível verificar que cumpre todos os requisitos para ser considerada V. vinifera, pois a esta espécie correspondem os 50 descritores UPOV avaliados. Mostrou-se estável, sem diferenças entre os indivíduos observados na população e sem diferenças dignas de registo nos 3 anos de observações realizados. Do estudo de valor agronómico verificou-se que a casta apresenta uma produtividade média/alta (14 t/ha com rega), a fertilidade é elevada inclusive nos gomos da base (3,2 cachos/gomo abrolhado nos talões), o que a torna apta para poda curta e apanha mecânica. O teor em álcool provável em plena maturação está dentro da média para uma casta branca (12,5 %/vol) e o mesmo se passa com os níveis de acidez (7,6 g/l). Apresenta uma boa compatibilidade na enxertia, tanto para porta-enxertos híbridos de V. rupestris x V. berandieri como de V. riparia x V. berlandieri, com pegamentos na enxertia de mesa superiores a 80%.

Relativamente à resistência a míldio e oídio, sem qualquer tipo de tratamento durante os 3 anos de observações, verificou-se que, numa escala de 1-5 (1= muito suscetível, 5= resistente), a casta obteve uma pontuação de 4-5 para o míldio e 3-4 para o oídio, deixando antever que a produção se fará sem problemas com a aplicação de 1-3 tratamentos anuais. Estes tratamentos, são aliás recomendados em qualquer casta resistente, para minimizar a possibilidade de desenvolvimento de estirpes fúngicas mais agressivas e ainda para evitar que infeções secundárias.

Na sequência deste trabalho inicial, a casta ‘Defensor’, assim como as castas ‘Regent’ e ‘Rondo’, todas com resistência monogénica para míldio e oídio, foram utilizadas entre 1999 e 2003 numa primeira série de cruzamentos com castas nacionais de referência (‘Trincadeira’, ‘Touriga Nacional’, ‘Aragonez’, Antão Vaz’ e ‘Verdelho’). Deste trabalho resultou a seleção de 62 genótipos que agora se encontram em fase final de avaliação cultural e enológica, no âmbito do projeto PDR 2020 -784-04607, recentemente aprovado.

Com este projeto, da responsabilidade da Viveiros Plansel Lda. e contando com a colaboração da Universidade de Évora, do INIAV, da Viticert e do ITQB, foi iniciada a terceira fase desta linha de trabalho, com uma nova série de cruzamentos controlados entre castas nacionais (‘Touriga Nacional’, e ‘Alvarinho’) e castas já com resistência poligénica (2 loci de resistência a míldio e 2-3 loci de resistência a oídio) de origem Francesa e Alemã e ainda a ‘Regent’ e a ‘Defensor’.

Estes cruzamentos foram efetuados em 2019, tendo-se realizado mais de 20.000 polinizações, das quais resultaram 3002 genótipos que estão neste momento na primeira fase de avaliação (Figura 5). Cruzamentos recíprocos têm estado a ser realizados na Alemanha, no JKI utilizando pólen das castas nacionais.

Em 2020 foram efetuadas mais de 6000 polinizações com as castas ‘Alvarinho’, Fernão Pires, ‘Touriga Nacional’, ‘Alicante Bouschet’ e ‘Aragonez’, desta vez usando apenas pólen de castas com resistência poligénica e loci homozigotos.

Qualidade do vinho dos novos híbridos

Para além de notícias publicadas na internet e cujo valor pode ser questionável, indicando vários vinhos de castas resistentes como vencedores de concursos internacionais em provas cegas, convém aqui destacar algumas publicações científicas onde se refere que os vinhos de castas resistentes a fungos têm sido classificados como equivalentes aos provenientes de V. vinifera (Van Der Meer and Lévite, 2010; Pedneault et al., 2012; Rousseau et al., 2013). Numa prova cega de castas francesas resistentes a fungos, 64% dos 24 vinhos tintos em prova, foram classificados com nota superior ao Merlot (tinto de referência), enquanto 31% dos 28 vinhos brancos em prova, foram classificados com nota igual ou superior ao Chardonnay (branco de referência) (Rousseau et al., 2013).

Não há nota de que uma prova deste tipo tenha sido organizada em Portugal, mas, recentemente e informalmente, foram levados a prova cega na Adega Plansel, 12 vinhos de castas resistentes. Apenas se pediu os provadores que indicassem se o vinho em prova era resultante da vinificação de uvas de videira europeia e que o classificassem globalmente numa escala de 0-5. Todos os vinhos foram classificados como tratando-se de V. vinífera ssp sativa (videira europeia) e a classificação média de cada um deles foi de 2.5 – 3 em 5. Vinhos comerciais de gama média/baixa serviram como testemunhas nesta prova e a classificação obtida não foi superior.

Notas Finais

A primeira casta híbrida com alguma importância, obtida por cruzamento controlado, terá sido provavelmente a ´Alicante Bouschet’, casta que nas últimas décadas se transformou numa das mais procuradas em Portugal, apesar de existir desde o século XIX. A primeira casta híbrida (intraespecífica) na Alemanha foi a Müller-Thurgau (1882 F. A. Geisenheim) e demorou 70 anos a conquistar o segundo lugar no encepamento de castas brancas. Por seu turno, a casta ‘Dornfelder’ (1955/Instituto Weinsberg), que é hoje a segunda casta tinta mais importante da Alemanha, demorou 50 anos a ganhar esta importância. A ‘Regent’ (obtida em 1967 pelo JKI-Geilweilerhof e reconhecida na UE em 1996), foi a primeira casta interespecífica oficialmente reconhecida como Vitis vinifera e representa atualmente 5% do encepamento tinto na Alemanha.

Novas castas resistentes a míldio e oídio recentemente produzidas em França e na Alemanha serão certamente difundidas em outros países e Portugal não será exceção. Assim, o objetivo do nosso trabalho é o de contribuir para podermos também contar com novas castas com estas características resultantes de cruzamentos com castas de referência nacionais, o que certamente será uma mais-valia.

Como refere Dias et al. (2019), Portugal terá de promover soluções alternativas ao uso de pesticidas, de forma a garantir a sustentabilidade da produção agrícola e assim fazer cumprir a Diretiva nº 2009/128/ CE, que estabelece um quadro de ação a nível comunitário para uma utilização sustentável dos pesticidas e a utilização de variedades resistentes poderá constituir, sem dúvida, uma das vias para alcançar tal objetivo.

Mesmo com a pressão ambientalista a justificar sua introdução, não é previsível que a aceitação das novas castas resistentes venha a ser rápida. No entanto, é previsível que o viticultor mais pragmático que muitos líderes de opinião cuja mentalidade conservadora tende a resistir à mudança, venha a reconhecer a mais-valia destas novas castas resistentes. Ao ter em consideração a redução dos custos com a aplicação de fungicidas, bem como os benefícios ecológicos inerentes, ele acabará por experimentar.

Referências Bibliográficas:
Vilarinho São Romão (1891): flagelos da videira. Peixe Augusto , Böhm Jorge, Tavares David (2019). Defensor – Uma Nova Casta resistente, o início de uma visão ecológica da vinha em Portugal. Lisboa, Vida Rural. Toepfer Reinhard, 11º Simpósio de Vitivinicultura do Alentejo (2019). Castas mais resistentes para se adaptarem às alterações climáticas, Evora, ATEVA. Livro branco (2018) sobre variedades resistentes, estado da situação em França, Espanha e Portugal. Projeto CE Interreg Sudeo Vinvert, www.vinvert.EU Böhm Jorge: (2016). Vinho biológico, em lugar dos sintomas combater o verdadeiro problema. Lisboa, Enovitis; Van Der Meer, M., Lévite, D. (2010) Acceptation des vins de cépages résistants par les consommateurs. Rev. Suisse Viti. Arb. Hort. 42, 147–150. Pedneault, K., Shan Ching Seong, M., Angers, P. (2012) Determination of Quality Attributes Driving Consumer Acceptance for Cold Hardy Grape Wines Produced in Quebec. Vitinord. Neubrandenberg, Germany, November 28/December 1 2012. Poster. http://doi.org/10.13140/2.1.1902.4326. Rousseau, J., Chanfreau, S., Bontemps, É., 2013. Les Cépages Résistants aux Maladies Cryptogamiques. Groupe ICV, Bordeaux, pp. 228. Dias, J.E., Brazão, J., Cunha, J., Carlos, C., Oliveira, H. (2019) Variedades de videira resistentes a doenças criptogâmicas: Situação em Portugal. Voz do Campo. fevereiro / 2019.

Autoria:

Jorge Böhm1, João Carvalho1, David Tavares2, Augusto Peixe3

1= Viveiros PLANSEL Lda. –JBP, Apartado 2, 7050-909 Montemor-o-Novo | 2=Universidade de Évora, Pólo da Mitra, Ap. 94, 7006-554 Évora, Portugal | 3= MED—Instituto Mediterrânico para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento, Departamento de Fitotecnia, Escola de Ciências e Tecnologia, Universidade de Évora, Pólo da Mitra, Ap. 94, 7006-554 Évora, Portugal