Sanidade vegetal

Manutenção do solo enrelvamentos

Os enrelvamentos ou revestimentos de vinhas e pomares, devem ser semeados no início do outono.

Pode preparar-se o terreno com:

1 – lavoura pouco profunda (mais conveniente em vinhas e pomares novos, onde as raízes não estão ainda muito espalhadas e serão pouco prejudicadas pela lavoura);

2 – preparação cuidadosa da “cama” para as sementes;

3 – sementeira a lanço;

4 – passagem de rolo, para aconchegar a semente. Em vinhas e pomares já em plena produção, deve optar-se por fazer a sementeira com mobilização muito ligeira do solo, para não destruir o sistema radicular superficial das plantas. As sementes são espalhadas a lanço, passando de seguida uma grade de discos para as cobrir.

Atualmente procura-se adotar uma mobilização mínima do solo e a sua cobertura vegetal, de preferência permanente, gerindo a vegetação natural, semeando enrelvamentos, cobrindo o solo parcialmente com estilha, plástico, etc..

O enrelvamento, sendo corretamente instalado e mantido, pode prevenir e evitar o desenvolvimento de infestantes, melhorar a estrutura do solo e contribuir para a sua proteção e conservação.

A não mobilização ou mobilização mínima do solo permitida pelo enrelvamento, é determinante para a manutenção das populações de minhocas.

As diversas espécies de minhocas que vivem nos solos, abrem continuamente vastas redes de galerias, para onde arrastam os restos vegetais e de insetos e outros detritos que vêm colher à superfície e de que se alimentam, desempenhando um papel fundamental e insubstituível na manutenção da fertilidade dos solos. As suas redes de galerias, que se desenvolvem na vertical e na horizontal, por vezes até vários metros de profundidade, são também essenciais ao arejamento e à penetração da água e de nutrientes até às camadas mais profundas do solo.

A prática do enrelvamento também contribui para a fixação e aumento das populações de insetos e ácaros auxiliares, com ação muito positiva no controlo das pragas das culturas.

O enrelvamento contribui também para a existência permanente de boas condições para a entrada das máquinas no terreno.

O enrelvamento tem duas modalidades básicas – a manutenção do coberto vegetal de ervas espontâneas (flora residente) e a sementeira de uma ou mais espécies herbáceas (enrelvamento).

Um coberto natural pode ser complementado e enriquecido com a sementeira de uma ou mais espécies cultivadas, da mesma forma que se devem tolerar as infestantes que nascem no enrelvamento.

O enrelvamento deve cobrir o espaço da entrelinha, deixando o espaço da linha livre de ervas. O solo da linha pode ser mantido por limpeza mecânica ou cobrindo-o, por exemplo, com estilha de madeira ou palha traçada (mulching), que dificultarão o crescimento das infestantes.

Também se pode optar por enrelvar toda a superfície da cultura, enrelvar linhas alternadas com mobilização ou outras variantes.

Podem ser utilizadas consociações de gramíneas e leguminosas (ferrãs, azevéns, trevos, serradelas), de preferência com sementes de variedades regionais ou locais, melhor adaptadas às condições naturais locais.

A seguir às colheitas e vindimas, os enrelvamentos podem ser deixados crescer à vontade, pois não fazem concorrência às culturas durante o inverno, retêm nutrientes e resíduos de pesticidas e protegem o solo da erosão.

Podem também ser feitos enrelvamentos temporários, a semear no outono e a enterrar com uma mobilização ligeira de primavera.

Os enrelvamentos ou revestimentos temporários podem ser constituídos por trevos anuais, serradelas (Ornithopus sp.) ou tremocilhas (Lupinus luteus), recomendados para solos ácidos, como é a maioria dos solos da Região.

Todas estas leguminosas, semeadas como revestimento no outono, protegem o solo da erosão durante o inverno e quando forem enterradas na primavera, com uma mobilização superficial do solo, fornecerão ao solo uma quantidade apreciável de azoto.

A prática do enrelvamento é especialmente recomendada no Modo de Produção Biológico. No entanto, pode ser e tem sido muito praticada noutros modos de produção.

Publicado oficialmente pela SNAA – Serviço Nacional de Avisos Agrícolas.