Editorial

“Seis anos para a recuperação e dez para a inovação”

Na economia que vai agora retomando aos poucos a sua “Nova Normalidade”, a agricultura foi um dos pilares que nunca parou, muito embora tenha registado alguns condicionalismos principalmente na área do escoamento de determinados produtos, situação que está a conseguir resolver-se pela criatividade e inovação aplicada às novas tecnologias do digital.

Face à situação que vivemos, fazer futurologia é tarefa, diria impossível, mesmo a curto prazo, tanto mais que a pandemia insiste teimosamente em ficar. Há então que definir prioridades, sendo que uma delas com certeza, é a adequada preparação das nossas empresas para o embate das condições adversas com que nos depararemos, não se sabe durante quanto tempo.

É por isso mesmo que as entidades responsáveis estão a apresentar as suas intenções e os seus programas de apoio à economia em geral, como é o caso do já “famoso” Plano de Recuperação e Resiliência, uma iniciativa da União Europeia.

São largos milhares de milhões de euros condicionados a reformas, com metas e calendários bem definidos. As verbas previstas, virão para Portugal duas vezes por ano, o que é muito bom, mas não nos podemos esquecer que a sua aplicação será supervisionada por técnicos da União Europeia, à medida que as metas forem sendo alcançadas.

Assim, os responsáveis políticos e os empresários terão de saber aplicar este apoio financeiro, obrigatoriamente durante seis anos, ou seja até 2026. Os projetos terão de ser rápidos e naturalmente exequíveis para não ultrapassarem este período, sob pena de não terem acesso ao subsídio a fundo perdido.

No entanto este dinheiro, sendo muito importante para uma série de áreas, só por si não resolverá os nossos problemas, ou seja, as empresas têm elas próprias de se fazer ao caminho para se adaptarem às novas condições que existem na economia e na sociedade hoje em dia.

A agricultura em Portugal também vai ter que adaptar-se a uma nova realidade, daí que o Ministério da Agricultura tenha já elaborado e apresentado uma Agenda para os próximos 10 anos, onde as alterações climáticas e a digitalização, são alguns dos muitos desafios da presente década.

Vamos acreditar nas intenções estratégicas desta Agenda de Inovação para a Agricultura 20|30, e sobretudo vamos acreditar que é possível instalar 80% dos novos jovens agricultores em territórios de baixa densidade e aumentar em 60% o investimento em investigação e desenvolvimento. Senhora Ministra, vamos estar expectantes e fazer força para que tudo dê certo!

Paulo Gomes, Diretor | Edição (nº 241 – Outubro 2020).

Adquira a Revista Voz do Campo AQUI.