Agropecuária Internacional

“Roubaram” a raça ao porco ibérico

Extrato de um artigo publicado originalmente em: informaciongastronomica.com

Espanha e Portugal têm milhões de defensores do porco ibérico, de raça genuína ligada à península, um orgulho que certamente todos os seus habitantes sentirão.

Um animal que nos dá um produto único de excelente qualidade, que faz parte da alimentação saudável do Mediterrâneo e que nos obriga a ser os seus mais fortes embaixadores e apoiantes. Mas estamos realmente a proteger isso?

Uma publicação recente do The Guardian revelou a existência de criações de porcos ibéricos nos Estados Unidos, algo que era novidade e que já tinha sido comunicado há algumas semanas como uma possível ameaça. Explorações, cada vez mais numerosas, que criam e engordam porcos da raça nativa e pura ibérica, para a produção e comercialização das suas peças nobres no território do “Tio Sam”. Surpreende-se que a autoridade competente permita ou não controle a saída de espécimes vivos para outros países. Tudo isto tem surpreendido aqueles que acreditam ser impossível implantar, criar e engordar fora da Península Ibérica.

Existe alguma medida para preservar as suas crias? *

Esse é o verdadeiro problema. A prioridade deve passar pela proteção administrativa da raça legítima de porcos ibéricos. Também o seu sistema diferenciado de criação, maneio e engorda baseado em bolotas, erva e outros recursos naturais que eles alcançam caminhando em total liberdade pelos prados peninsulares.

A juntar a tudo isto está uma produção tradicional do produto. Um processo onde deve prevalecer a lenta afinação e maturação das suas peças mais nobres (presuntos, espáduas, lombos e carnes frias) em secadores naturais.

Em busca de uma solução

Talvez a única esperança e alternativa útil seja confiar que a União Europeia concorda em conceder o registo de uma Indicação Geográfica Protegida (IGP). Proteção da genuína e pura raça de porco ibérico, através de uma especificação que define com clareza cristalina, as linhas principais deste exclusivo plano de pastagem e produção.

Somente com uma abordagem baseada nesses pilares poderia avançar na obtenção de uma IGP. Assim, seria alcançada a segurança da raça legítima. Proteção também reservada para um produto único e diferenciado. Tudo isso possibilitaria o estabelecimento de acordos, como foi feito recentemente com a China. Acordos de colaboração que previnem e punem a fraude e cópia de produtos europeus D.O.P.’s e I.G.P’s.

Mas o problema é que os gestores que devem tratar, processar e reivindicar a concessão desse selo diferenciado de proteção e garantia são os titulares do Ministério da Agricultura. Também a Associação Interprofissional do Porco Ibérico (Asici). Ambos são “obrigados” a lutar, para não dececionar a vontade e as aspirações do implacável lobby do porco ibérico, com uma dualidade difícil de conceber e frutificar. Fundir e unir na mesma comunidade o rótulo de qualidade diferenciada (IGP) os animais da verdadeira e autóctone raça ibérica alimentados com bolota no ecossistema único do campo peninsular.

A mestria do corte de uma fatia de presunto

E aos mais de 3,3 milhões de animais híbridos (96% do total) que em média são abatidos anualmente em Espanha, sob a defesa da raça artificial ibérica. O problema surge quando o Ministério da Agricultura e a associação Asici expressam a sua recusa absoluta, uma e outra vez, em dissociar estes espécimes “cruzados” da verdadeira raça ibérica.

Extrato de um artigo publicado originalmente em: informaciongastronomica.com

* Em Portugal o Porco Alentejano já é detentor da IGP (Identificação Geográfica Protegida)