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Ponto fundamental da cultura do abacate é o equilíbrio

Vista geral da exploração

José Francisco Furtado, 32 anos, iniciou o contacto com a agricultura numa exploração de citrinos familiar ainda adolescente e foi aí que começou a entender as bases e as dificuldades da agricultura, fomentando a curiosidade em dominar as aptidões e competências.

Hoje já com uma vasta experiência profissional, considera que a cultura do abacate é bastante interessante a nível económico, tendo demonstrado alta prospeção económica.

TROPICAL CONCEPT LDA 

ENGENHEIRO AGRÓNOMO RESPONSÁVEL E GESTOR DE OPERAÇÕES: José Francisco Furtado

ATIVIDADE: produção de abacate | ÁREA: 36

LOCALIZAÇÃO: Mar e Guerra (Faro)

José Francisco Furtado, 32 anos, iniciou o contacto com a agricultura numa exploração de citrinos familiar, gerida pelo pai quando tinha 14-15 anos e foi aí que começou a entender as bases e as dificuldades da agricultura, fomentando a curiosidade em dominar as aptidões e competências. Mais tarde ingressou na licenciatura em Agronomia, na Universidade do Algarve, e ainda durante a formação académica iniciou o acompanhamento de uma exploração agrícola destinada à produção de abacate em Faro, desde a implantação. Isso fez com que adquirisse, de forma autodidata, conhecimentos e experiência sobre a cultura que estava em ascensão no Algarve.

Aspeto de pomar jovem de uma exploração do grupo, com tela anti-infestantes

Após passar por dois ou três anos de experiência cultural, essa exploração abriu-lhe portas para se tornar consultor técnico da cultura do Algarve, o que lhe permitiu expandir os seus conhecimentos, pois começou a apoiar agricultores com pomares muito distintos a nível edafoclimático e experimentando também outros compassos de plantação e outras formas de condução do pomar.

Em 2016 começou a apoiar tecnicamente o maior produtor de Abacate à data, Tomás Melo Gouveia com a empresa Tropical Concept Lda e no início de 2017 entrou nos quadros da empresa, enquanto Engenheiro Agrónomo responsável, mantendo as consultorias anteriores.

A Tropical Concept hoje é uma empresa mãe, com várias filiais, cujo o Grupo conta várias explorações, totalizando aproximadamente 160 hectares de abacate e 15 hectares de citrinos, empregando entre todas aproximadamente 40 pessoas.

Pernadas com frutos em desenvolvimento

Dendrómetro de caule

Cultivares eleitas são a ‘Hass’ e ‘Bacon’

As plantas utilizadas na produção de abacate são adquiridas em Espanha e as cultivares eleitas são a ‘Hass’ e ‘Bacon’, com a primeira a representar 95% do pomar e a cultivar ‘Bacon’ 5% com o interesse de polinização da cultivar ‘Hass’. Os pomares têm implementado um sistema de rega localizada com gota-a-gota, com uma eficiência de 90%. Sistema gerido tecnologicamente com um caudalímetro (contador de rega) de alta precisão e sondas de temperatura e humidade de solo espalhados pelo pomar.

A quantidade de rega e o momento de rega é decidido em função dos dados fornecidos pelas sondas de solo e com dados fornecidos por uma estação meteorológica instalada no pomar.

O pomar, por ser com um compasso intensivo, é conduzido em eixo vertical com um tronco dominante. É realizada uma poda na primavera e outra em verde (agosto/ setembro).

A colheita (manual) da cultivar ‘Hass’ realiza-se de janeiro a abril, enquanto que da ‘Bacon’ acontece entre meados de outubro até dezembro, com recurso a mão de obra tanto própria como externa. A média de produção situa-se nas 12 toneladas por hectare.

O escoamento é feito totalmente para o mercado externo através de uma organização de produtores Espanhola, com filial em Tavira, da qual a Tropical Concept Lda é sócia.

Na opinião do consultor, o ponto fundamental da cultura do abacate é o equilíbrio porque não tolera nem excessos nem falta de água em estados fenológicos chave para uma boa produtividade e qualidade do fruto.

Ainda como dificuldade, apresenta alternância de produtividade, com anos de safra e contra safra. Não tolera solos calcários, e apresenta alguns problemas a nível de agentes patogénicos caso a cultura seja instalada em zonas antecedentes de prunóideas e ou de encharcamento. Outro obstáculo é o acesso a fundos de investimentos europeus, na região do Algarve e refere-se igualmente à falta de água que a região enfrenta, devido à fraca pluviosidade que tem vindo a agravar-se nos últimos anos. “A nossa rede de regadio é insuficiente, logo, o Algarve precisa da execução do projeto da rede hidrográfica partindo da já discutida barragem da Foupana bem como a ligação entre o Rio Guadiana e a barragem de Odeleite, e estendendo claro com reutilização das águas já tratadas das ETAR que atualmente são desperdiçadas.”

Três fatores para o sucesso do pomar:

  • uma boa preparação de solo
  • um bom planeamento da implementação do pomar
  • árvores de qualidade

Com a experiência que já tem, José Francisco Furtado aponta três fatores importantes para o sucesso do pomar: uma boa preparação de solo, um bom planeamento da implementação do pomar e árvores de qualidade.

Aconselha também a quem vá iniciar-se na atividade a pedir parecer técnico para saber se a cultura está adaptada ao local do ponto de vista edafoclimático, tentando ao máximo “escolher um local confortável à cultura”. Regista que existe um período de retorno de investimento a longo prazo face ao investimento inicial e custos culturais anuais.

O consultor considera que esta é uma cultura bastante interessante a nível económico, tendo demonstrado alta prospeção económica. Na região do Algarve tem vindo a revelar-se bastante viável na reabilitação económica das zonas desfavorecidas, com o aproveitamento de pomares abandonados, e na empregabilidade local.

Além disso, “a cultura do abacateiro tem vindo a permitir o desenvolvimento de tecnologia na agricultura, adjuvado pela necessidade de controlar a gestão da rega e dando oportunidade aos técnicos vingarem pela complexidade da cultura. E tem vindo a cativar jovens agricultores”.


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