Hortofruticultura Sanidade vegetal

Variabilidade genética e fenotípica do agente causal do cancro da actinídea na região do Entre Douro e Minho

Foto: Sintomas característicos de Psa em actinídea (a) Folha de Actinidia deliciosa com necroses castanhas circundadas por halo amarelo. (b) Folha com necroses castanhas de maiores dimensões. (c) Botões florais com necroses castanhas. (d) Murchidão e morte de ramos. (e) Zonas debaixo da casca com tonalidade avermelhada.

A bactéria Pseudomonas syringae pv. actinidiae (Psa), agente causal do cancro bacteriano da actinídea, é responsável pela doença considerada mais grave desta cultura na atualidade, provocando importantes prejuízos nos principais países produtores de kiwi, incluindo Portugal.

Esta doença, descrita pela primeira vez no Japão em 1984, foi detetada em Portugal em 2010, manifestando elevada agressividade e uma dispersão muito rápida, tendo, nos dias de hoje, distribuição generalizada nas principais regiões produtoras de kiwi.

Este trabalho, realizado em 2013 e 2014, teve por objetivo isolar, identificar e caraterizar isolados de Psa na Região do Entre Douro e Minho (EDM), e conhecer a prevalência das populações de Psa (Psa1, Psa2, Psa3, Psa4) nesta região. A partir de material vegetal com sintomas da doença proveniente de diferentes pomares de Actinidia deliciosa, isolou-se o agente patogénico e realizou-se a sua identificação, caracterização morfológica, fenotípica, molecular e de patogenicidade.

A análise fenotípica de 94 características de uma coleção de isolados portugueses mostrou que a maioria deles se posicionou em dois fena. A maior parte dos isolados ficou incluído no fenon 1 juntamente com a estirpe italiana CFBP 7286 (Psa3). A comparação destes resultados com a identificação molecular obtida por PCR (com os primersPsa-F1/PsaR2, de Rees-George e colaboradores (2010) permitiu identificar as 23 estirpes portuguesas como Pseudomonas syringae pv. actinidiae.

Os resultados da análise da estrutura genética da população portuguesa de Psa caracterizada, com a utilização da técnica de multiplex-PCR utilizando os primers PsaF/PsaR, EuropeF/EuropR, ChinaF/ChinaR e JapanF/JapanR, amplificou os dois fragmentos de ADN esperados de 311 e 733 pb simultaneamente, em 22 estirpes isoladas na região EDM e na estirpe italiana CFBP 7286. Estes resultados indicam que as estirpes portuguesas pertencem à população Psa3, população mais virulenta de Psa, atualmente responsável pelo surto da doença na Europa e na Nova Zelândia. Apenas para uma estirpe (B65), a caracterização molecular não foi conclusiva, indicando os resultados que se poderá tratar de uma estirpe da população Psa4 (P. s. pv. actinidifoliorum pv. nov.).

A análise do polimorfismo obtido por RFLP e BOX-PCR permitiu confirmar que, com exceção da estirpe B65, as estirpes portuguesas são idênticas à população Psa3, pois apresentaram o mesmo perfil genético das estirpes Psa3 italiana e da Nova Zelândia incluídas neste estudo.

Contudo registou-se a existência de variabilidade genética no interior das estirpes da população portuguesa. Estes resultados foram igualmente confirmados pela análise dos alinhamentos das sequências dos genes ompP1 e cts das estirpes portuguesas estudadas, que permitiu observar que existe similaridade entre estas e as estirpes de Psa da população Psa3, cujas sequências foram obtidas no GenBank (JX297572) e no artigo publicado por Vanneste e colaboradores (2010), respetivamente.

Os resultados obtidos neste trabalho permitiram ainda isolar bacteriófagos naturalmente presentes em pomares de actinídea do EDM, com a capacidade de provocar lise celular de estirpes de Psa. Estes resultados promissores, são importantes do ponto de vista do controlo da doença, sendo necessário a realização de novos estudos.

Pode consultar aqui a dissertação completa.