Agrociência Agropecuária

Breve análise da importância dos testes de performance em bovinos alentejanos

Carlos, A. 1, Cordeiro, A.1, Rodrigues, H. 1 & Semedo, G. 2

1 Departamento de Ciências Agrárias e Veterinárias. Instituto Politécnico de Portalegre.

2 Associação dos Criadores de Bovino da Raça Alentejana. Assumar.

Os bovinos da raça alentejana são caracterizados por apresentarem a região abdominal desenvolvida, vivem em climas mais secos e alimentam-se principalmente de pastagem seca. A vantagem em relação a outras raças é a resistência nas épocas de penúria alimentar.

As características morfológicas desta raça são a pelagem vermelha e as aberturas naturais de cor rosada. Apresenta cabeça bem desenvolvida, grande largura por cima dos olhos, o chanfro é reto, a marrafa é arredondada e coberta de pelos. Os cornos são simétricos e bastante desenvolvidos, de cor branco sujo e as pontas são quase pretas. Saem do prolongamento da marrafa e despontam sempre com uma curvatura para a parte posterior da cabeça. As orelhas apresentam-se por baixo dos cornos, cobertas de pêlos. O pescoço é horizontal com um comprimento médio e um diâmetro considerável. Nos bovinos machos, a gordura acumula-se no pescoço, originando o cachaço. O dorso e o lombo são duas zonas mais ou menos retas, com uma largura média. Esta raça apresenta uma garupa comprida e musculada.

A raça bovina alentejana adapta-se ao meio onde está inserida. Durante vários anos, produzir trabalho foi a principal função. Evoluiu, derivado à mecanização da agricultura, ao crescimento populacional e à revolução industrial. Esta raça, com o passar dos anos começou a ser explorada para produção de carne, foram criados grupos de produtores de várias raças nacionais, especializados nos produtos com Denominação de Origem Protegida, com a finalidade de comercializarem esta carne.

Os testes de performance permitem uma avaliação mais pormenorizada dos bovinos reprodutores. Existem pavilhões unicamente para realização destes testes, aqui existem alimentadores automáticos, que são controlados por um sistema informático.

Como objetivo específico, baseamo-nos nos últimos 10 testes realizados pela ACBRA desde 2010 até ao presente, para estudar a velocidade de crescimento e índice de conversão dos bovinos, com alimentadores automáticos e estes controlados por um sistema informático.

Em média cerca de 40% do total de animais testados ficam aprovados e aptos para reprodutores com base no GMD (Kg/dia), no Índice de Conversão, na avaliação morfológica e finalmente o exame andrológico. Os animais reprovados não poderão ser utilizados como reprodutores, sendo encaminhados para o matadouro.

Desta forma é fundamental a vinda de bovinos de várias explorações, de modo a que seja anulado o efeito de vacada e melhorar um determinado caracter. Estes testes são essenciais para que se estude a velocidade de crescimento e o índice de conversão dos bovinos.

Os animais dão entrada nas instalações de testagem com 9/10 meses de idade, com um período de adaptação de cerca de 30 dias (onde se verifica o comportamento de cada animal e de grupo); realiza-se uma pesagem no início e no final do período de adaptação.

Durante o teste (126 dias) são feitas pesagens de 15 em 15 dias e reajustada a alimentação diária (tabela 1) de cada animal com base nos 2% do peso vivo.

No que diz respeito à alimentação dos bovinos durante os testes de performance, estes são alimentados com palha à descrição e alimento concentrado (a quantidade varia de animal para animal, dependendo do seu peso), na tabela I, apresentamos a composição do alimento concentrado que os bovinos ingerem durante os testes.

O setor da bovinicultura no caso concreto da raça alentejana é sem dúvida um dos setores com futuro mais promissor nas próximas décadas, podendo proporcionar oportunidades de emprego a muitos técnicos com formação em agropecuária e, em particular, àqueles que tenham um conhecimento mais aprofundado dos testes de performance e do seu comportamento reprodutivo (…).