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Fio da Beira conquista prémios

Fio da Beira conquista prémios no azeite enquanto pisca o olho à azeitona de mesa

Nos últimos anos os azeites produzidos pela empresa beirã Fio da Beira já conquistaram várias medalhas em concursos nacionais e internacionais, tal como têm integrado o Top 10 dos azeites nacionais, mas os baixos preços praticados no mercado estão a fazer a empresa ganhar mais interesse pela produção de azeitona de mesa.

Na Beira Baixa do minifúndio, onde a produção de azeitona e azeite fazem parte da tradição cultural, nasceu o projeto ‘Fio da Beira’ que sobressai pela sua dimensão e pelo objetivo de produzir azeite de alta qualidade. Já são cerca de 600 os hectares de olival com variedades tradicionais, onde predominam a ‘Galega’ e a ‘Cobrançosa’, avança à nossa reportagem o diretor geral da empresa, João Domingos.

O projeto, que tem sede na freguesia de Sarzedas (Castelo Branco), insere-se numa região desfavorecida que era ocupada por floresta e mato e agora o é por olival de regadio, instalado em solos difíceis e pobres. O terreno começa a ser trabalhado dois ou três anos antes da instalação das plantas, coexistindo olivais com 12 a 13 anos, com outros de poucos meses.

Procede-se a um trabalho prévio de desmatação, gradagem (…) repouso do próprio terreno e só depois se avança com as operações necessárias à plantação das oliveiras (em proteção integrada) e que são morosas e delicadas face à constituição do solo e orografia do terreno. Uma das práticas adotadas é o enrelvamento da linha “que vai ajudar o olival a desenvolver-se melhor, além de ajudar a evitar a erosão e arrastamento dos solos até devido às chuvas, já que muitos dos olivais estão instalados em declives. Ajuda igualmente a fixar o carbono no solo, que favorece as plantas”, justifica ainda.

Questionado sobre a continuação do alargamento da área de olival, o mesmo refere que provavelmente vai continuar como tem sido até aqui, de uma forma quase natural, face a uma região de minifúndio onde grande parte dos terrenos está abandonada, mas difícil burocraticamente porque há parcelas cujos donos não as conhecem.

Como os olivais foram sendo plantados gradualmente, embora algumas árvores já se encontrem em produção, não suportam processos de colheita mecânicos, por isso faz-se manualmente. Nas outras a colheita acontece com recurso a um sistema de vibração ao tronco e para o qual também é necessária uma equipa de umas dez pessoas.

João Domingos não tem dúvidas de que na produção de azeite o caminho da empresa é o da qualidade, mas neste momento os (baixos) preços praticados estão a criar alguma apreensão, tendo em conta que para produzir um Azeite Virgem Extra é necessário um longo trabalho de campo, que obviamente tem de encarecer o produto.

O responsável explica que nesta campanha o número de equipas vai ser aumentado para que a colheita seja mais rápida, visto que uma das apostas da empresa é a azeitona para conserva. “A razão é que se trata de um produto com valor acrescentado, ao contrário do azeite, que está com um preço muito baixo”. Por enquanto a empresa procede à colheita da azeitona, limpeza e calibração, encaminhando-a rapidamente para a indústria conserveira. A futura utilização da Indicação Geográfica para a ‘Galega da Beira Baixa’ deve ser o caminho mais adequado a seguir para valorização e proteção desta azeitona. Por enquanto alguns rótulos começam a disponibilizar a origem da azeitona com objetivo de a distinguir da de outras regiões do país.

Esta opção não põe em causa a produção de azeite destas variedades e que tem conquistado vários prémios a nível nacional e internacional tendo recentemente entrado no TOP dos 10 melhores azeites de Portugal, tal como foi premiado com uma Medalha de Ouro no Concurso Nacional de Azeites 2020, na categoria Azeite com Denominação de Origem Protegida.