Olival & Azeite

Eficiência produtiva e volume de copa ótimo em olivais intensivos de variedades portuguesas

Francisco Mondragão-Rodrigues1,2 & Elsa Lopes3

  • 1 Instituto Politécnico de Portalegre, Portugal,
  • 2 MED – Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development, Universidade de Évora, Portugal,
  • 3 Departamento de Fisiologia, Universidad de Extremadura, Badajoz (Espanha).

Introdução:

O projeto GESCERTOLIVE – Apoio à gestão de olivais e à certificação de material vegetativo de variedades de oliveira nacionais – tem como objetivo fazer a difusão de novos conhecimentos e tecnologias gerados no âmbito da I&D para o tecido empresarial.

Assim, neste trabalho são veiculados alguns resultados do projeto OLEAVALOR – “Valorização das variedades de oliveira portuguesas”, executado na região Alentejo, entre julho de 2016 a junho de 2020, que teve como objetivo geral avaliar e melhorar o potencial produtivo das principais variedades regionais de oliveira (‘Galega vulgar’, ‘Cobrançosa’, ‘Azeiteira’, ‘Blanqueta’, ‘Carrasquenha de Elvas’, ‘Cordovil de Serpa’ e ‘Verdeal Alentejana). Envolveu a participação de 4 instituições do Sistema Científico e Tecnológico Nacional, a Universidade de Évora/ICAAM (que liderou), o INIAV/ polo de Elvas, o Instituto Politécnico de Portalegre /ESA de Elvas e o Centro de Biotecnologia Agrícola e Agroalimentar do Alentejo/CEBAL.

Dos múltiplos aspetos relacionados com o comportamento e a condução destas variedades, que foram investigados pela equipa da ESAE/IPP, enquadrados na Tarefa 2 (Estudos orientados para a produção) do OLEAVALOR, o desenvolvimento vegetativo das oliveiras e a sua relação com a produção resultou em numerosos trabalhos de campo.

Verifica-se que há pouca informação sobre o volume de copa mais apropriado para cada variedade, em sistemas de condução intensivos (250 a 350 árvores/ha, em regadio). Pastor et al. (1998) indicam, em termos gerais, volumes de 8.000 a 10.000 m3/ha, o que poderia corresponder a 28 a 35 m3/árvore, com um compasso de 7 x 5 m. Por seu lado, Garcia-Ortiz et al. (1998) referem valores de 12.000 a 15.000 m3 /ha para olivais com grande disponibilidade de água, o que poderia corresponder a volumes de copa entre 42 e 52 m3/árvore, para o compasso anteriormente referido. No entanto, os diferentes hábitos de arborescência e de vigor vegetativo deixam antever que os volumes de copa a adotar sejam diferentes consoante as variedades. São essas diferenças que têm de ser caraterizadas e validadas para poder indicar quais os volumes médios mais produtivos e orientar a poda das oliveiras.

Metodologia usada na avaliação do volume de copa

Das variedades em estudo no projeto OLEAVALOR, apenas se usou neste trabalho as variedades ‘Cobrançosa’ (em olivais de Elvas e Monforte), ‘Cordovil de Serpa’ (em olivais de Vila Nova de São Bento e Vale de Vargo – Serpa), ‘Azeiteira’ (num olival de Monforte) e ‘Galega vulgar’ (no olival de Monforte). Todos os olivais são intensivos (286 árvores/ha, em 7 x 5, à exceção do de Vila Nova de São bento), em plena produção (mais de 10 anos, 20 anos no caso do olival de Vila Nova de São Bento) e regados. Em cada olival, as observações foram feitas em 5 blocos de 4 árvores cada.

Figura 1 – Medição da copa das árvores (Diâmetro da copa e altura da copa e da árvore)

Usando como referência um estudo realizado por Caballero & Del Rio (s/d) definiram-se as seguintes “classes de volume de copa” por árvore: classe 1 – copa muito pequena (<20 m3 ); classe 2 – copa pequena (20-30 m3 ); classe 3 – copa média (30-40 m3 ); classe 4 – copa grande (40-50 m3 ); classe 5 – copa muito grande (>50 m3). A “eficiência produtiva” (em kg/m3), que relaciona a produção de azeitona com o volume de copa de cada árvore, foi calculada conforme proposto por Tous et. al. (1998).

Resultados e discussão

Os resultados obtidos (Quadro 1), resultantes de 3 anos de medições (2016 a 2018) revelaram a existência de diferenças entre variedades, no que respeita à altura da árvore, volume médio de copa por árvore, produção de azeitona por árvore e eficiência produtiva.

Como é obvio, nem todas as árvores de um olival têm as mesmas dimensões e, por conseguinte, o mesmo volume de copa. O quadro 2 mostra a distribuição relativa dos tamanhos de copa pelas classes de volume de copa anteriormente definidas. As diferenças relativas entre variedades, no que respeita à distribuição entre classes de volume de copa, está bem espelhada na figura 2 onde se mostram, a título de exemplo, os resultados das medições (de 2017 e 2018) apenas para as variedades ‘Cobrançosa’ e ‘Cordovil de Serpa’. Parece haver um padrão/ comportamento próprio de cada variedade, uma vez que são 4 olivais distintos de 4 proprietários distintos.

Para todas as variedades em estudo, verifica-se um aumento da produção de azeitona por árvore para maiores volumes de copa por árvore, conforme mostra a figura 3 para a variedade ‘Cobrançosa’ no olival de Monforte. Mas, a “eficiência produtiva” diminui com o aumento do volume de copa, para todas as variedades, como se pode apreciar na figura 4, também para a variedade ‘Cobrançosa’ no olival de Monforte. Ou seja, à medida que as copas vão sendo maiores, cada m3 de copa (de folhagem) produz cada vez menos azeitona. Esta constatação é de fundamental importância, uma vez que, em termos gerais, o consumo de água por árvore (e hectare) aumenta com o aumento de cada m3 de copa, mas esse volume (e consumo de água) produz cada vez menos azeitona.

Conclusão e perspetivas futuras

A determinação da relação entre o desenvolvimento vegetativo da oliveira e a produção, nomeadamente o volume de copa e a produção individual de cada árvore, permitindo efetuar o cálculo da “eficiência produtiva” (em kg de azeitona/m3 de copa), assume particular importância na condução do olival. Esta informação, ajustada à respetiva variedade, apresenta-se como fundamental para orientar o olivicultor sobre o modo de como deverá conduzir a poda e a forma/volume da copa “mais produtiva” das árvores de cada uma das variedades.

A opção será sempre por volumes de copa mais reduzidos, mais fáceis de colher/vibrar, com menores consumos de água, mas com maior eficiência produtiva, sem, no entanto, comprometer uma produção por hectare suficientemente rentável, mas atendendo também às disponibilidades (sempre limitadas) de água para rega. Como se viu, haverá também que atender às diferenças de vigor e arbustivas próprias de cada variedade, que deverão ser respeitadas. Se o objetivo de produção média interanual for de 28 a 35 kg/árvore (8.000 – 10.000 kg/ha), num olival intensivo regado com compasso de 7×5 m, o volume da copa médio deverá ser ajustado para a obtenção desse referencial de produção. Portanto, há que continuar a caracterizar esta relação entre o desenvolvimento vegetativo e a produção para, em cada variedade, definir o volume de copa mais apropriado para uma produção sustentável.

Agradecimento:

Referências: CABALLERO, J.M. & DEL RIO, C. (s/d). Índices de caracterización del olivo y de su producción. ciclostilado. GARCIA-ORTIZ, A.; FERNANDEZ, A.; PASTOR, M. & HUMANES, J. (1998). A poda. Cap. 12. El cultivo del olivo (2ª edicion). Ed. Cientificos D. Barranco; R. Fernandez-Escobar; L. Rallo. Ediciones Mundi-Prensa y Junta de Andalucia. PASTOR, M.; HUMANES, J.; VEJA, V. & CASTRO J. (1998). Diseño y manejo de plantaciones de olivar. Monografia 22/98. Junta de Andalucia. TOUS, J.; ROMERO, A. & PLANA, J. (1998). Comportamiento agronómico y comercial de cinco variedades de olivo en Tarragona. Invest. Agr.: Prod. Prot. Veg. Vol 13 (1-2), 97-109.