Grande Entrevista

Subida nas exportações não compensa enorme quebra do mercado nacional

Frederico Falcão foi eleito Presidente da ViniPortugal em maio passado, assumindo funções num quadro completamente atípico.

Encara como um desafio estimulante liderar a ViniPortugal, uma entidade que tem vindo a desenvolver um trabalho consistente e sustentado na promoção dos Vinhos de Portugal mundo fora e aponta três prioridades para este mandato: criar um observatório de mercados internacionais; reforçar a aposta na formação dos agentes económicos e promover mais ações para valorizar os Vinhos de Portugal no mercado internacional, procurando aumentar o preço médio por garrafa. A estas prioridades junta-se, evidentemente, ajudar a responder aos desafios colocados aos vinhos portugueses pela pandemia de Covid-19.

Eleito presidente da ViniPortugal há relativamente pouco tempo, quais são as linhas orientadoras deste mandato?

Apesar do quadro atípico que se tem vivido ao longo de 2020, com todas as mudanças que está a provocar e que previsivelmente continuará a exercer ainda nos próximos meses, as prioridades definidas pela Direção da ViniPortugal mantêm-se inalteradas e até acabaram por sair reforçadas perante o atual contexto. São três as prioridades elencadas para este mandato: criar um observatório de mercados internacionais; reforçar a aposta na formação dos agentes económicos e promover mais ações para valorizar os Vinhos de Portugal no mercado internacional, procurando aumentar o preço médio por garrafa. A estas prioridades junta-se, evidentemente, ajudar a responder aos desafios colocados aos vinhos portugueses pela pandemia de Covid19.

O setor do vinho está a ser muito afetado pela pandemia. Os números que dispomos indicam uma perda, em valor, de cerca de 25% no mercado nacional

Tendo iniciado funções num ano particularmente adverso, qual foi o comportamento do setor face à pandemia e que consequências estão a ser sentidas?

É incontornável que esta pandemia de Covid-19 veio alterar por completo as previsões e o desempenho em todos os sectores económicos, não sendo a fileira do vinho uma exceção. Sendo um enquadramento novo, tem ainda uma evolução imprevisível, o que está a levar todos os agentes económicos a terem de ajustar a sua forma de atuação. Neste momento, é ainda muito difícil fazer qualquer exercício de previsão a médio ou a longo prazo.

O setor do vinho está a ser muito afetado pela pandemia. Os números que dispomos indicam uma perda, em valor, de cerca de 25% no mercado nacional. Mas se pensarmos nas perdas de venda de vinho no setor da restauração, essa percentagem eleva-se a quase 50%, muito impactada pela interrupção abrupta do turismo. Em contrapartida, no mercado nacional houve um crescimento de vendas em valor na grande distribuição, embora com uma deslocalização para vinhos mais baratos e para formatos maiores, como o bag-in-box. É preciso não perder de vista a realidade das empresas do setor do vinho em Portugal. Segundo um estudo do Banco de Portugal com o Instituto da Vinha e do Vinho, realizado em 2017, cerca de 75% do setor é composto por microempresas e 24% por pequenas e médias empresas. A grande maioria destas empresas não vende para a grande distribuição, e muitas delas nem sequer exportam. Estamos a falar de empresas que sofreram uma paragem brusca de vendas e de encomendas desde março. Existem empresas a passar dificuldades, a tentar abrir novos mercados, tendo sido inevitável a adaptação para o comércio online, com maior ou menor sucesso. Perante as previsões existentes em termos económicos, temo que algumas empresas tenham de encerrar por não conseguirem aguentar esta situação por muito mais tempo.

Gostaria de deixar uma nota sobre o comportamento das exportações. Com os números já conhecidos até agosto, houve uma ligeira melhoria das exportações, com um aumento acumulado de 2,3% em valor face ao mesmo período do ano anterior. Como dado negativo, temos os mercados da Europa em queda, embora essa queda seja compensada pelo grande aumento dos mercados de Países Terceiros. Ainda assim, esta subida nas exportações não consegue compensar a enorme quebra do mercado nacional.

O quadro atual trazido pela pandemia não pode apagar a trajetória muito positiva que Portugal tem vindo a ter ao longo dos últimos anos

Qual é o retrato que faz do setor vitivinícola nacional?

O quadro atual trazido pela pandemia não pode apagar a trajetória muito positiva que Portugal tem vindo a ter ao longo dos últimos anos. Um caminho de afirmação da qualidade e da diversidade dos Vinhos de Portugal, de criação e reforço da notoriedade dos vinhos nacionais em mercados internacionais exigentes, de desenvolvimento de um trabalho muito profissional em toda a fileira, desde a produção à comercialização, sem esquecer a promoção e a competitividade comercial.

A ViniPortugal congratula-se com o trabalho conjunto que tem desenvolvido com os restantes agentes económicos e atores do setor do vinho português. É, sem dúvida, um desafio estimulante para mim liderar a ViniPortugal, uma entidade que tem vindo a desenvolver um trabalho consistente e sustentado na promoção dos Vinhos de Portugal mundo fora. No atual contexto (…).

Leia esta grande entrevista completa na edição de novembro 2020.