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“Reduziu-se quantidade para melhorar a qualidade”

A Herdade de Coelheiros estende-se por uma área de 800 hectares, dos quais 600 são de montado de sobreiro, 50 de vinha e 42 de nogueiras.

No passado existiu também uma zona dedicada à caça, que entretanto deixou de se praticar, mas ainda assim continua a haver uma área de 150 hectares onde veados e gamos vivem livremente, realizando-se apenas controlos de população.

HERDADE DE COELHEIROS

RESPONSÁVEL DE CAMPO: João Raposeira

ATIVIDADE: vinha (vinho), olival (azeite), montado, pecuária, fruticultura

COLABORADORES: 20 | LOCAL: Igrejinha (Arraiolos)

Área: 800 hectares

O produto ‘bandeira’ da Herdade de Coelheiros é o vinho, acabado muitas vezes por ser chamada de ‘Tapada de Coelheiros’, a marca mais icónica que tem no mercado, revela-nos João Raposeira, que é o responsável de campo da Herdade há cerca de três anos.

Uma das premissas é o respeito pela natureza

Uma das premissas da Herdade é o respeito pela natureza e os vários setores de atividade são desenvolvidos de forma harmoniosa. Ou seja, a vinha e o olival estão em processo de conversão para modo de produção biológico, o montado é certificado em FSC, e os animais, cuja aptidão é a carne, cumprem também uma importante função no maneio do montado.

Sendo uma Herdade cheia de História, com registos que remontam ao século XV, procura-se respeitar esse legado de forma a conseguir perpetuá-lo para outras gerações, mas sustentável economicamente. Há medidas no terreno que visam esse mesmo objetivo, como por exemplo as que preconizam a melhoria da regeneração natural do montado, mas também a conversão da vinha para Modo de Produção Biológico, tal como os ensaios em viticultura biodinâmica, que serão reforçados e em maior escala. O foco é produzir vinho de alta qualidade e se há 10 anos se produzia na ordem das 450 a 500 mil garrafas de vinho, hoje em dia serão entre 100 e 120 mil. Ou seja, reduziu-se a quantidade para melhorar a qualidade.

Foi também esta forma de estar que levou a Herdade a integrar o Programa de Sustentabilidade de Vinhos do Alentejo, dinamizado pela CVR do Alentejo e que na opinião de João Raposeira é um trabalho diferenciador, tanto a nível da Região Demarcada como também é uma forma de credibilizar e mostrar a diferença de como se pode trabalhar, com objetivos qualitativos de sustentabilidade muito vincados.

Um forte investimento em investigação

Por detrás disto tudo há um forte investimento em investigação, com a convicção de que o conhecimento é a base para a definição acertada dos caminhos para o futuro, daí uma forte aliança com a Universidade de Évora.

Na vertente pecuária, os animais são maioritariamente ovinos de raça merina, inicialmente (há cerca de seis anos) a filosofia era fazer cruzamentos com raças com maior rendimento de carne, mas hoje o que se procura mais é a rusticidade.

Olhando para o atual momento que vivemos João Raposeira reitera a importância da diversidade de culturas que se pratica na Herdade de Coelheiros, tanto do ponto de vista económico direto, como também indiretamente porque é uma forma de se diminuírem as necessidades de utilização de produtos fitofarmacêuticos.