Floresta

Negligência é a principal causa de incêndios

Nos incêndios investigados pela GNR na última década, 41% foram identificados como tendo origem no uso indevido do fogo.

A negligência é a principal causa de incêndios apurada pela Guarda Nacional Republicana (GNR) na última década, segundo os dados recolhidos pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). A origem do fogo no espaço florestal está estratificada em cinco causas: negligência, intencionalidade, desconhecida, natural, resultado de um reacendimento.

Na análise dos relatórios anuais entre 2009 e 2018, a média de incêndios provocados por uso indevido do fogo foi de 41%, com as queimadas extensivas de sobrantes florestais ou agrícolas a representarem 16% destas ocorrências. Já as queimadas feitas na gestão de pasto contribuíram para 12% dos incêndios investigados, enquanto as fogueiras estiveram na origem de 6% das ocorrências.

No uso negligente do fogo que deu origem a incêndios destacam-se ainda as queimas de amontoados de sobrantes florestais ou agrícolas (5%) e as queimas de lixo (2%). Estas situações motivaram que a Lei nº 76/2017 de 17 de agosto, que altera o Sistema Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios (SDFCI), tenha reforçado as sanções existentes e aumentado o valor das coimas imputáveis a pessoas singulares e coletivas que realizem queimadas não autorizadas.

”Mão criminosa” em 27% dos casos identificados

O fogo posto ou incendiarismo surge como a segunda maior causa de destruição do espaço rural, com responsabilidade em 27% dos casos investigados e identificados pela GNR. Na origem da “mão criminosa” está o vandalismo, a provocação dos meios de combate aos incêndios, as manobras de diversão ou os conflitos com vizinhos e vinganças.

Os reacendimentos foram, no mesmo período, a terceira causa de incêndio mais frequente em Portugal, enquanto os acidentes com maquinaria e transportes e a ignição natural por queda de raios motivaram, no total, 6% do número médio de fogos florestais entre 2009 e 2018.

Em 2020, segundo o 4º Relatório Provisório de Incêndios Rurais, de 1 de janeiro a 15 de agosto, dos 3 728 incêndios rurais investigados, 32% foram causados por “mão criminosa”, 16% por queimadas de sobrantes florestais ou agrícolas, 8% por queimas de amontoados de sobrantes florestais ou agrícolas e 7% por queimadas para gestão de pasto para gado.