Agropecuária

” O consumidor como impulsionador de uma pecuária em mudança “

Foto: Carne wagyu

Artigo publicado na Revista Voz do Campo em janeiro de 2019.

Mudança, adaptação, variação, são algumas das palavras determinantes para a evolução.

A história do Homem, aparece lado a lado com a história da alimentação e nutrição. Este, que inicialmente consumia o que a natureza lhe oferecia (folhas, raízes, bagas, caça, etc.), tendo evoluído de nómada (através de vários estudos, é possível afirmar que os nossos ancestrais iniciaram o consumo de carne, pelo menos há dois milhões de anos, com auxilio de ferramentas. Pelo que as suas dietas já poderiam incluir carne, no mínimo há 4 ou 5 milhões de anos), para sedentário, onde aprendeu/desenvolveu práticas agrícolas e criação de gado, permitindo-lhe manter-se no mesmo espaço. Foi sem dúvida um marco importante para o desenvolvimento da agricultura, tendo marcado também o início da civilização. Estes fatores garantiram que, se produzisse, teria alimento o ano inteiro.

Esqueletos de bovinos provavelmente domesticados datam de 6.500 a.C, conforme certificam achados na Turquia e no leste europeu. Mas, milhares de anos antes da domesticação e do advento da agricultura, na idade da pedra, caçadores da Europa e do norte da África perseguiram um gado selvagem denominado “aurochs” que deu origem as raças domesticadas e criadas atualmente. O “aurochs” tem a sua origem ligada ao subcontinente indiano, indo do norte da Índia até os desertos da Arábia. Após a era glacial, provavelmente à uns 250.000 anos, os “aurochs” dispersaram-se das regiões de origem para outras regiões do mundo, tais como: leste da China, Oriente Médio, norte de África e Europa. A partir daí começaram a diferenciar-se dando origem a duas subespécies principais: Bos primigenius primigenius, que deu origem ao atual gado europeu (Bos taurus) e (Bos primigenius namadicus), a forma asiática que constitui o ancestral direto do zebú.

Os sentidos foram-se desenvolvendo, e através do odor, o Homem começou a desejar experimentar e saborear alimentos ainda desconhecidos. Desse modo, o sabor e o odor devem ter desempenhado um papel importante no consumo dos alimentos.

Calculando que a carne de alta qualidade, é já considerada um nicho de mercado em muitos países, e que cortes menos nobres estão a ser valorizados. O grande desafio é mostrar que um animal de alta qualidade, é nobre em qualquer tipo de corte, seja ele dianteiro ou traseiro.

Black Angus Beef (Handpicked By Tom Revier).

Além das características exigidas (grau de gordura, conformação, e uma boa aparência – cor avermelhada, tenrura, suculência, sabor e aroma), o consumidor está mais cuidadoso com o que come, pelo que o preço não é o fator limitante. A sustentabilidade ambiental, origem do produto, bem como o modo de produção e/ou certificações. O marketing é também um dos aspetos importantes, por associar ao Produto uma história, um conceito e um padrão, gerando uma relação de maior proximidade com o consumidor. “As pessoas compram por prazer. E quando o produtor entrega qualidade, o consumidor paga.”

Como referido, o mercado de carne de alta qualidade, é um nicho em ascensão, que é resiliente a crises e está associado a consumidores de maior poder económico. Para responder às necessidades do mercado, os produtores têm de se adaptar ao mesmo, adequando as raças que produzem, e estar na vanguarda das tecnologias utilizadas (introdução da pecuária de precisão), gerando uma rentabilidade superior.

É o consumidor que “dita” o que produzir e quando produzir.

Autoria: João Marques Cebola – Engenheiro Agrónomo | Consultor Agrícola.

Subscreva a nossa revista e adquira outros artigos nas edições impressas da Revista Voz do Campo: