EMPRESAS & PRODUTOS Internacional

À conta da cultura da nogueira

À conta da cultura da nogueira, no Ribatejo está a nascer um player internacional de frutos secos

No futuro a Agromais pretende chegar a cerca de mil hectares de nogueiras, “por forma a conseguir ter uma escala internacional como operador de mercado”. De momento a área de produção já ronda os 330 hectares, distribuídos por cerca de uma dúzia de produtores.

Quando adquiriram a Quinta das Chantas, na região de Santarém, João Sanches e a esposa fundaram também a sociedade Trilho Saloio S.A., que envolve 270 hectares próprios e mais 130 arrendados.

Nestes 400 hectares contabilizam-se 180 de olival em sebe com variedades destinadas à produção de azeite virgem extra, que acontece em dois lagares da região, tecnologicamente bastante avançados, com extração a frio que permitem “passar” todas as características das variedades para o azeite, que depois segue para (exigentes) mercados internacionais.

Paralelamente plantaram-se já 50 hectares de nogueiras e há mais 130 em preparação. Em breve serão 180 hectares de nogueiras mas a ideia do produtor não é trabalhar sozinho, mas sim associar-se a outros produtores ribatejanos, também a investirem na cultura, e com suporte técnico e comercial da Agromais.

João Sanches conta-nos que este projeto teve início com uma visita à Califórnia, promovida pela Agromais e um consultor, onde houve oportunidade de contactar com toda a fileira. A partir daí tomaram-se opções e deu-se início à criação de condições (físicas) para o sucesso do pomar com base nessa experiência internacional. Seguiu-se a escolha dos porta-enxertos e variedades, outro aspeto que pode ditar o sucesso, ou não do futuro pomar, tendo em vista determinada produtividade.

Foram três anos de estudos e análises das condições de produção até se eleger a nogueira como cultura a implementar

A este propósito, a Agromais, nas palavras do seu presidente, Luís Vasconcelos e Souza, recorda que “sempre se preocupou com a rentabilidade da atividade dos seus associados. A vontade de criar uma nova produção/cultura para os seus sócios com explorações de menor área fez com que passados cerca de três anos de estudos e análise das condições de produção tivesse eleito a nogueira como a cultura a apoiar e a incrementar na zona tradicional da Agromais, sobretudo nos seus Aluviões Antigos, mais conhecidos como “espargal”. Reforça ainda que a nogueira sempre foi uma árvore tradicional na região e todos os estudos realizados pela Agromais apontam para um enorme potencial da produção de nozes na zona.

Foi com base em muito trabalho prévio que a Trilho Saloio conseguiu ver aprovado um apoio importante para o processo de secagem e de embalagem das nozes e como tal vai pedir uma mudança de titularidade para uma nova empresa (sociedade anónima) e assim associar vários agricultores do Ribatejo (cerca de uma dúzia), suscetível de mais tarde vir a ser reconhecida como OP, com a consciência de que “é melhor trabalhar em conjunto”.

O projeto preconiza produzir com qualidade, eficiência e fomentar uma fileira nova, muito dirigida para o mercado externo, embora sem esquecer o mercado nacional.

João Sanches explica que os produtores juntos neste momento perfazem já uns 300 hectares, que coloca a região no “top 5” em termos de produtores europeus, “sabendo que a Europa consome 400 mil toneladas de nozes / ano mas produz 115 mil, logo há 285 mil toneladas de nozes que vêm de fora”.

Fileira deve ser considerada como um fator de dispersão de risco para os agricultores

Na opinião do produtor há que considerar também esta fileira como um fator de dispersão de risco para os agricultores, cujo segredo é “encontrar pessoas novas, motivá-las, formá-las e dar-lhes possibilidade de desenvolver capacidades porque na realidade não há segredos…

Com o desenvolvimento da cultura da nogueira no Ribatejo a Agromais pretende tornar-se um player internacional de frutos secos, com uma capacidade de colheita, lavagem, secagem, calibragem, armazenagem e comercialização, com predomínio da noz.

João Sanches conta já com 50 hectares de nogueiras plantados e tem mais 130 em preparação

Para tal, reforça Luís Vasconcelos e Souza, a Agromais organizou um departamento técnico que apoia e estimula os produtores de nozes seus associados, “fazendo com que o grupo de produtores se sinta enquadrado e apoiado no sentido de produzir de forma crescente esta nova produção – a noz”.

Artigo completo publicado na edição de novembro 2020.