Hortofruticultura

“A pitaia tem vindo a suscitar interesse dos produtores”

“Seria importante estudar variedades para perceber quais são as mais indicadas para Portugal”

A pitaia tem vindo a suscitar interesse dos produtores, nalguns casos já ligados à figueira-da-índia (ambas da família dos catos), como no caso de Mário Gonçalves que desenvolveu o Atlantis Cactus Park em Sesimbra onde engloba a produção de figo-da-índia, de pitaia e um jardim botânico onde coexistem catos ornamentais e frutíferos, com espaço para degustações e aberto a visitas.

Enveredou pela produção de pitaia em 2012 face à grande competitividade do mercado e a cultura, fora do que é mais tradicional, ocupa um nicho importante até porque, “há grandes quantidades de fruta que são importadas e, sendo produzida cá, também é uma forma de contribuir para a economia nacional”, sustenta o produtor.

Reconhece que sendo uma cultura recente no nosso país, ainda não há grandes estudos sobre a mesma, por isso traçou o seu próprio percurso, investigando e testando.

No entender de Mário Gonçalves, seria importante estudar algumas variedades para perceber quais são as mais indicadas para Portugal, nomeadamente aquelas que tenham maior resistência ao clima, até para produção no exterior.

Atlantis Cactus Parque é viveirista licenciada em certificação biológica e fornece palmas e estacas de diferentes variedades de pitaia e figueira-da-índia. Em média realiza três workhops anuais que servem também para transmitir conhecimentos sobre as culturas ali cultivadas. O Parque destina-se a apreciadores de catos que podem provar as frutas e nas épocas específicas, aprender sobre as várias fases, por exemplo na polinização (da pitaia), que é feita manualmente. A receita gerada pelas visitas ao Parque é reinvestida no mesmo.

A exploração ocupa um hectare, metade do qual ocupado com pitaia em área coberta. Sendo uma cultura que necessita de um clima relativamente quente, o produtor explica que na Península Ibérica a planta requer meia sombra, que pode ser conseguida com plástico, ou com redes de sombra, embora o plástico seja preferível porque também evita o excesso de água, que a planta não aprecia.

A exploração conta com várias dezenas de variedades, algumas em plena produção, outras ainda em fase de crescimento, sendo importante referir também a vertente viveirista, numa diversificação de investimento. E porque esta componente é bastante expressiva no projeto, acaba por retirar algum potencial produtivo às plantas. Isto é, “ao serem retirados os braços produtivos, as plantas vão produzir menos. Como tal, a área de meio hectare produz entre seis e sete mil quilos de fruta, mas o valor poderia ser muito superior”.

A pitaia é uma fruta exótica, interessante, bonita e muito bem remunerada

Mário Gonçalves tem conhecimento de que existem outros produtores interessados e envolvidos na cultura mas não de qualquer organização. Recorda a dificuldade que teve quando o tentou com o figo-da-índia e lamenta que mais uma vez a falta de entendimento de grupo possa vir a limitar o crescimento da produção. Define a pitaia como uma fruta exótica, interessante, bonita e “muito bem remunerada”.

A fruta é adquirida diretamente no espaço pelos visitantes da época de produção e, face à proximidade das cidades de Lisboa e Setúbal, é escoada através dos mercados abastecedores aí existentes. Sendo um fruto com muitas aplicações além do consumo em fresco, cativa todo o tipo de consumidores (…).

Leia o artigo completo na edição de novembro 2020.