Cereais Oleaginosa

Cultura da colza na CERSUL

Nas últimas cinco campanhas a cultura da colza tem-se desenvolvido e implantado nos produtores da CERSUL de uma forma bastante sustentada e consistente.

Tal crescimento deve-se principalmente a:

  • Excelente alternativa nas rotações praticadas na CERSUL, onde predominam os cereais de outono e inverno, destacando-se pela sua raiz aprofundante e pelo controlo muito eficaz sobre infestantes;
  • Interessantes resultados agronómicos e económicos;
  • Bom funcionamento da fileira, com o escoamento da produção devidamente assegurado e contratualizado;
  • Permite fixar o preço da produção (qualidade tipo) na totalidade ou em parte, desde o dia da colheita, fator muito importante para estabilizar uma das variáveis mais importantes da conta de cultura.

Em termos agronómicos, quando o agricultor pretende iniciar o cultivo de colza, o primeiro aspeto que se destaca e que precisa de especial atenção, é a reduzida dimensão da semente, isto é, sementes com PMG (peso mil grãos) a variar entre 4,5 e 7 gramas. Para densidades de 500 a 600 mil sementes por hectare, falamos de aproximadamente 3 kgs/hectare. A pequena dimensão da semente interfere de forma decisiva em duas das mais importantes operações na cultura: sementeira e colheita.

A sementeira terá que ser feita recorrendo obrigatoriamente a um semeador com caixa para sementes pequenas, e a colheita à utilização de frente específica para colza, não assumindo caráter obrigatório, mas que também trará vantagens.

Relativamente a solos, a colza tem grande capacidade de adaptação, sendo o principal fator limitante os solos mal drenados, pois a cultura é extremamente sensível ao encharcamento.

Em termos de fertilização, é necessário ter sempre em atenção as análises de solo e antecedentes culturais, mas de uma forma geral um equilíbrio 1-2-1 pode ser uma boa base de partida para adubação de fundo. O azoto será também administrado numa ou duas adubações de cobertura. Muita atenção ao enxofre, aconselha-se sempre a utilização de fertilizantes com este nutriente na sua composição. É também importante a aplicação de boro e molibdénio antes da emissão do escape floral.

No que diz respeito a pragas, a cultura é algo suscetível principalmente a altica e lesmas, durante a primeira fase de desenvolvimento (até as quatro folhas). Consegue-se minimizar esse impacto antecipando a sementeira dentro do possível, para que aconteça com temperaturas que promovam o rápido desenvolvimento da cultura. Dependendo da variedade os primeiros 20 dias de outubro parecem ser os mais aconselháveis para a sementeira. A partir das quatro folhas a colza é extremamente robusta.

Consoante a resistência à matéria ativa IMAZAMOX as variedades podem dividir-se em:

Tradicionais: sensíveis ao Imazamox.

  • Nas variedades tradicionais é obrigatório utilizar um herbicida pré-emergente, e por vezes corrigir com herbicidas pós-emergência.

Clearfield: tolerantes ao Imazamox.

  • Nas variedades Clearfield podemos utilizar em pósemergência o herbicida ‘Cleranda’, solução específica para a cultura da Colza, e com controlo de um leque bastante alargado de infestantes. Se o objetivo for instalar milho como segunda cultura a seguir à colza, não é permitido usar esse mesmo herbicida pois o intervalo de segurança será de nove meses.

Consoante a duração do ciclo, as variedades de colza utilizadas em Portugal podem dividir-se em:

Variedades de inverno:

  • variedades de ciclo mais longo, com sementeiras normalmente no mês de outubro e colheita a partir de início de junho.

Variedades de primavera:

  • variedades de ciclo mais curto, com um ciclo de 100 dias entre a plena emergência e a plena floração. Colheita em finais de maio.

Nos gráficos seguintes ilustra-se a evolução da Cultura da Colza na CERSUL

Neste momento estamos em plena época de sementeiras, com a CERSUL a prever chegar aos 500 hectares, estando já semeados + de 70% da área.

Para terminar, a colza afirma-se como uma excelente alternativa cultural, em que será fundamental o conhecimento cada vez maior das variedades disponíveis, bem como a introdução de novas variedades adaptadas às nossas condições climatéricas. Tais condições caracterizam-se por um inverno muito suave, em que a colza não pára o seu desenvolvimento, e por outro lado a colheita coincide normalmente com temperaturas muito elevadas, o que provoca uma rápida redução na humidade da colza que, associada ao baixo teor de humidade com que a colza pode chegar à indústria (9%), traz problemas acrescidos ao produtor que tem muita dificuldade em otimizar a colheita, penalizando a produtividade final.

Autoria: Paulo Velez | Responsável de Produção na CERSUL, S.A

Artigo completo publicado na edição de novembro 2020.