Olival & Azeite

Olea europaea, encontro entre tradição e ciência

As oliveiras são mais do que árvores que dão frutos e folhas, dos quais se fazem produtos alimentares, farmacêuticos, cosméticos e biocombustíveis….

Mexem com as emoções, trazendo memórias vivas dos antepassados, dos locais, dos aromas e sabores, das datas festivas, de hábitos de todos os dias, de uma carga cultural rica que torna esta árvore tão especial para os povos do mediterrâneo, e especialmente para o nosso Portugal. Inspirou canções, receitas, convívios; sustento e alimento de muitos, que em toda a cadeia de valores deixam ligações sentidas, sensoriais que não enriquecem só a economia, mas tornam-se fulcrais no encontro de referências culturais que constroem a identidade coletiva, como povo, na sua etnografia.

Atualmente, no mercado vemos uma gama alargada de produtos à base de oliveira, desde produtos de higiene, a cremes e óleos hidratantes; fitoterápicos com finalidades terapêuticas; produtos alimentares comuns, como azeitonas de conserva, azeites, misturas de óleos, pastas de azeitona, simples ou mais sofisticados, designados de gourmet.

Contudo, no ranking da comercialização mundial, o derivado mais nobre, do fruto da oliveira, é o azeite. De acordo com o Conselho Oleícola Internacional (COI), Portugal aparece muito bem colocado como produtor e como exportador (CEPAAL), afirmado com grande prestígio pela qualidade das produções evidenciadas em prémios internacionais (Mário Solinas, World’s Best Olive Oils, Olive Japan, World Edible Oils Paris; 2019, entre tantos outros). O Alentejo lidera a produção nacional, e das cerca de 30 variedades autóctones privilegia quatro: Galega, Cordovil de Serpa, Verdeal Alentejana e a Cobrançosa.

O azeite é reconhecido pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade, por conter caraterísticas biológicas, químicas, nutricionais e organoléticas ricas. A sua valorização não passa exclusivamente pela indústria alimentar que setorizase em diferentes ramos, como o da nutrição, gastronomia e olivoturismo. No seu estado virgem, conserva todos os seus nutrientes (vitaminas A, B, E, K; selénio; ácidos gordos monoinsaturados) e propriedades terapêuticas (antioxidantes, cardiovasculares, digestivas, anti-inflamatórias, hidratantes) que o levam a ganhar significado nas indústrias farmacêutica e cosmética. Outras partes aéreas da Olea europaea L., para além do fruto e seus derivados, apresentam constituintes com propriedades de interesse farmacológico. É o caso das folhas e das gemas ().

Autoria:

Lorena, A. 1 & Cordeiro, A.I.2

  • 1 Naturopata. Direção Clínica Espaço ANEROL.
  • 2 Departamento de Ciências Agrárias e Veterinárias.
  • Instituto Politécnico de Portalegre.

Artigo completo publicado na edição impressa de janeiro / 2021.