EMPRESAS & PRODUTOS Reportagem

Um ano menos bom de castanha tem repercussões em todos os setores da economia local

A Agromontenegro é uma empresa familiar com fortes ligações ao setor agrícola e com uma séria preocupação de prestar os melhores serviços quer a clientes quer a fornecedores.

Trabalha sobretudo com castanha, comercializada essencialmente fresca e embalada, mas dispõe de uma linha de desidratação que está na base da produção de castanha pilada e farinha de castanha.

AGROMONTENEGRO, LDA. 

RESPONSÁVEL: Dinis Pereira

LOCALIZAÇÃO: Carrazedo de Montenegro (Valpaços)

SETOR DE ATIVIDADE: Produção e comercialização de castanha e outros produtos agrícolas

ABRANGÊNCIA: 1500 produtores de castanha

PROCESSAMENTO MÉDIO ANUAL: 3500 toneladas de castanha

Situada em Carrazedo de Montenegro (Valpaços) a Agromontenegro trabalha sobretudo com castanha, a cultura mais representativa da região, que distribui para qualquer parte do mundo. Entre outros produtos transmontanos com que também trabalha conta-se maçã, cereja e batata.

O sócio-gerente da empresa, Dinis Pereira, avança-nos que, entre pequenos e grandes produtores, trabalha com cerca de 1 500 fornecedores de castanha, sendo que a própria empresa também contabiliza uma centena de hectares de produção própria. Anualmente trabalha cerca de 3 500 toneladas.

Registe-se que Trás-os-Montes desde sempre teve uma forte ligação ao castanheiro e ao seu fruto, e durante séculos a castanha foi a base da alimentação dos povos desta região. Neste momento a cultura continua a base da economia da região e um ano menos bom de castanha tem repercussões em todos os setores da economia local.

Forte profissionalização dos produtores nos últimos anos

Conhecedor da realidade produtiva, Dinis Pereira constata também a forte profissionalização dos produtores nos últimos anos. “Tem havido vários problemas com pragas e doenças, mas com a experiência e formação dos nossos agricultores todas estas dificuldades têm sido ultrapassadas, até porque têm sido abandonadas algumas práticas culturais tradicionais e tem havido uma evolução muito positiva por parte dos produtores, a todos os níveis”. Dinis Pereira insere a Agromontenegro neste quadro evolutivo, tomando mesmo a dianteira quando refere terem sido dos primeiros produtores a evitar mobilizações de solo devido à propagação da doença da tinta mas também ter sido o parceiro do Instituto Politécnico de Bragança no tratamento do cancro do castanheiro através do desenvolvimento do controlo biológico por hipovirulência. A mesma coisa quando, devido às alterações climáticas instalou sistemas de rega nas suas parcelas, ou a utilização de porta-enxertos híbridos mais resistentes à doença da tinta, etc.

“Não faz sentido apostar em outras variedades quando temos aquilo que de melhor existe no mundo”

Acrescenta ainda que “o grande valor da castanha transmontana são as variedades próprias desta região, principalmente a ‘Judia’” e como tal, em seu entender, “não faz sentido apostar em outras variedades quando temos aquilo que de melhor existe no mundo”.

Para este ano uma das grandes preocupações da empresa situam-se ao nível do funcionamento do mercado em termos mundiais, nomeadamente face à situação de pandemia. Já quanto à cultura propriamente dita, as preocupações prendem-se com as pragas e doenças, principalmente a vespa das galhas do castanheiro que irá reduzir bastante a produção nos próximos anos, “como já aconteceu em outros países”.

Para o escoamento dos produtos a Agromontenegro possui instalações e recursos humanos “perfeitamente preparados para o processamento da castanha”

Dinis Pereira regista uma relação de confiança com os produtores que foi sendo cimentada ao longo dos anos, não só escoando os produtos mas também fornecendo fatores de produção e acompanhamento técnico.

A tal relação de confiança existe quando o resultado de um ano de trabalho é entregue à Agromontenegro, com a certeza de que lhe será dado o melhor destino. “E nós não podemos defraudar as expetativas dos nossos agricultores, sendo que a nossa empresa tem alargado muito o leque de mercados para onde envia os produtos”.

O escoamento é feito para o mercado nacional, principalmente a grande distribuição e na Europa fornece praticamente todos os países, embora os mais representativos sejam Itália, França e Espanha. Fora da União Europeia figura o Brasil, Canadá e Estados Unidos.

Comercializa essencialmente castanha fresca embalada, mas dispõe de uma linha de desidratação que está na base da produção de castanha pilada e farinha de castanha.

Condições favoráveis à cultura fazem antever um ano de muito boa qualidade

Abordando a atual campanha, Dinis Pereira é da opinião que as condições climatéricas em 2020 foram bastante favoráveis à cultura do castanheiro, pelo que prevê um ano de muito boa qualidade. Já em termos de projetos para o curto-médio prazo, pretende expandir a capacidade de transformação.

Artigo publicado em completo na edição de novembro 2020.