EMPRESAS & PRODUTOS Oleaginosa

Colza é uma cultura muito rústica e com um grande potencial

A SOVENA é uma empresa cuja atividade se centra na produção de óleos vegetais e respetivos produtos e subprodutos da sua transformação. Para além do azeite, setor no qual é amplamente conhecida, trabalha também outros óleos, entre os quais o de colza.

Possui várias fábricas de extração, refinação e embalamento de óleos vegetais na Península Ibérica e como tal domina toda a cadeia de valor, desde a semente até à garrafa, vendida em qualquer supermercado. Para além disto é também produtora de biodiesel, maioritariamente feito a partir de óleo de colza.

É desta forma que José Pereira, do Projeto Agro da Sovena, explica à nossa reportagem a relação da empresa com a cultura da colza.

O processo tem início com a chegada da semente por via marítima (caso seja de importação) ou por via terrestre (por exemplo no caso da produção nacional), depois armazenada nas instalações da empresa até se dar início ao processo de extração. Neste processo retira-se o óleo (cru) da semente e obtém-se um subproduto, a farinha (parte proteica da semente) utilizada para a alimentação animal. O óleo cru é depois novamente transformado, através de um processo de refinação, para se poder produzir biodiesel, ou para consumo alimentar.

A SOVENA consome entre 60 e 100 mil toneladas de colza por ano consoante a procura do óleo e da farinha, com a produção nacional a representar ainda uma fatia muito pequena do consumo total da SOVENA. “Mas não deixa de ser uma aposta”, assegura o responsável.

De acordo com os dados que nos avança José Pereira, a área de colza em Portugal estabilizou nos 1 500 hectares nos dois últimos anos. As produções rondaram as 3 500 toneladas em 2019 e 2 800 toneladas em 2020. Em 2017 atingiu-se uma área recorde de 4 750 hectares que se pretende repetir nos próximos anos.

Recorda que ao longo dos últimos anos houve várias tentativas de introduzir a cultura em Portugal, mas sem sucesso até que em 2015, houve novo empreendimento entre a SOVENA e alguns agricultores, que foi bem sucedido. Nessa altura havia já mais variedades e mais adaptadas às nossas condições, embora reconheça que em Portugal há ainda um certo estigma em experimentar novas culturas. “O apoio da indústria foi fundamental para garantir o escoamento da produção e continuamos como principais impulsionadores e dinamizadores da cultura em Portugal”.

Justifica também que as margens nas culturas tradicionais são cada vez mais curtas e hoje há uma maior preocupação com a fertilidade e sanidade dos solos, aspeto onde a colza dá um forte contributo. “É uma excelente cultura de rotação, um antecedente cultural incrível e como é produzida no ciclo outono/inverno, normalmente necessita de poucas regas. Quem experimenta costuma voltar a fazer”

Depois de uma campanha marcada por sementeiras tardias e alguma falta de água ao longo do ciclo, que se traduziu em resultados menos favoráveis, na ótica de José Pereira, na próxima haverá um aumento de área semeada, muito por conta do trabalho desenvolvido pelo Grupo Operacional Oleocolza. “Os eventos físicos e o webinar que decorreu em setembro deste ano tiveram um alcance incrível e noto um interesse renovado na cultura”.

Assim, o responsável acredita que pelas suas características, a colza será sempre uma cultura complementar, mas com uma importância muito vincada em determinadas regiões do país, já que é uma cultura muito rústica e com um grande potencial.

O negócio do biodiesel representa cerca de 5% do volume de negócios da SOVENA e faz parte de uma aposta da empresa de diversificar o seu negócio.

A colza nacional apresenta normalmente teores de gordura altos e por isto pode receber uma bonificação no preço final.

Artigo completo publicado na edição de novembro 2020.