Floresta

Pinheiro Manso: Balança comercial é positiva mas há muitos desafios a superar

Em Portugal o pinhal manso ocupa atualmente cerca de 193 600 hectares estando concentrado na bacia hidrográfica do Sado e na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Trata-se de uma fileira caracterizada por uma elevada pulverização dos produtores e um número significativo de intermediários não produtores que confluem todos num reduzido número de operadores de nível industrial.

Embora a balança comercial seja positiva, conforme os dados avançados nas páginas seguintes na entrevista cedida pelo Centro de Competências do Pinheiro Manso e do Pinhão (CCPMP), há muitos desafios a superar, nomeadamente ao nível da produção. O CCPMP foi criado em 2015, enquanto fórum de partilha e articulação de conhecimentos, capacidades e competências que congrega os agentes envolvidos na fileira com os agentes das áreas da investigação, divulgação e transferência de conhecimento.

 

Teve como primeiro objetivo a elaboração da Agenda Portuguesa de Investigação no Pinheiro Manso e Pinhão, publicada em abril de 2016 e no âmbito da qual foram ancorados alguns projetos, como é o caso dos grupos operacionais FERTIPINEA (ver artigo) e +PINHÃO (ver artigo) que pretendem, respetivamente, o Estabelecimento de Recomendações de Fertilização para o pinheiro manso, em condições de sequeiro e de regadio e a Gestão Integrada de Agentes Bióticos associados à perda de produção de pinhão, respondendo desta forma a aspirações da produção, como as avançadas pela Associação de Produtores Florestais do Vale do Sado, admitindo que a evolução da área de pinhal manso sob alçada dos seus associados tem evoluído de forma “algo errática”.

Quer com isto dizer que, “se por um lado se apostou bastante em novos povoamentos, devidamente ordenados, falta ainda muito know-how de gestão e de conhecimento científico aplicado” (ver artigo).

Uma floresta bem gerida e certificada é a proposta da 2BForest, com comprovadas mais-valias na cadeia de valor (ver artigo). Já a PineFlavour, enquanto indústria de descasque de pinha e comercialização de pinhão, mostra-se bastante preocupada, tanto mais quando estamos perante uma campanha que se antevê “dura uma vez as vendas de miolo de pinhão estão praticamente paradas e por isso comprar matéria-prima não é fácil, nem atrativo, mesmo com a escassez que se faz sentir” (ver artigo).