Agropecuária Sanidade animal

Exploração Agrícola Teixeira do Batel com assessoria Dekalb

Na Exploração Agrícola Teixeira do Batel. Assessoria Dekalb aconselha variedades para uma alimentação animal completa

Numa exploração agrícola com mais de dois mil animais todos os detalhes contam porque há muitos custos para cobrir, mas, embora o objetivo seja a produtividade, é atingido com preocupações com o bem-estar dos animais e com a sua alimentação de alta qualidade, que começa na escolha das variedades a semear.

A Exploração Agrícola Teixeira do Batel é apontada como uma das maiores do país na produção de leite, ‘título’ conseguido à conta de um forte investimento dos quatro sócios: Arminda e José Teixeira, os fundadores e os dois filhos, José Luís e Jorge Teixeira.

Com uma produção média anual na ordem dos 10 milhões de litros de leite, a exploração de Vila do Conde conta com cerca de mil vacas em ordenha, de um total de 2300 animais (90% da raça Holstein-frísia e os restantes Red Angus e Jersey).

Para viabilizar a exploração tem havido um forte investimento em tecnologia, pelo que uma parte da vacaria já está robotizada, abrangendo metade dos animais em ordenha. Desta forma, o sistema automático necessita apenas de uma pessoa para supervisionar o processo (três em regime rotativo de 8h), enquanto que a ordenha manual necessita de mais mão de obra. Toda a atividade da empresa envolve 12 funcionários.

Média diária de produção por animal é de 35 litros de leite

Para alimentação dos animais a Exploração Agrícola Teixeira do Batel cultiva 230 hectares de milho (principal alimento) e além disso compra mais 50 a 60 hectares de milho a outros agricultores, assim como forragem para fazer silagem, tudo na região de Vila do Conte e Maia.

José Luís Teixeira explica à nossa reportagem que a nível do milho os parâmetros mais relevantes na hora de escolher variedades residem no valor do amido presente no grão (que representa na ordem dos 35% do valor da silagem), assim como o valor da matéria seca. Regista que tem havido melhorias tanto na quantidade de amido como nas quantidades (em média 70 toneladas de matéria verde por hectare), o que tem sido possível por via das variedades de milho que conseguem produzir mais e com mais amido, além de manterem o stay-green (estado verde) até final do ciclo. Reporta-se às variedades Dekalb (Bayer) e Sofia Oliveira, assessora da multinacional para a Região Norte, explica-nos que a Exploração está inserida numa zona onde é possível utilizar variedades de ciclo 600, pelo que a escolha recai na ‘DKC6777’ de forma a conseguir o máximo rendimento com respetiva qualidade.

Cada vaca consome entre 33 a 35 quilos de silagem de milho/dia.

O suporte técnico prestado pela Dekalb à Exploração recai precisamente ao nível da escolha das melhores variedades, o que passa pela realização de ensaios no campo para observar as que melhor se adaptam ao terreno (no local). Registe-se ainda, que de acordo com Sofia Oliveira, a região norte significa maioritariamente um mercado profissional em silo, sendo particularmente relevante para a Dekalb que concentra aí cerca de metade do seu volume de vendas. Além disso, diz a mesma, cumprir com o objetivo de oferecer soluções aos agricultores, acontece “muito graças à aposta de manter os assessores/ consultores próximos do agricultor”.

Voltando um pouco atrás, o empresário admite ainda que pelo facto de ter sido introduzida rega em praticamente todos os campos e também o aumento da produção própria, com controlo total sobre o processo, lhe permitiu elevar os padrões de qualidade.

A empresa suporta-se tecnicamente na Cooperativa Agrícola de Vila do Conde, cujos técnicos procedem à análise e correção dos solos para que posteriormente as variedades instaladas respondam da melhor forma.

André Lopes, técnico da Cooperativa Agrícola de Vila do Conde presta assistência na Exploração ao nível da alimentação dos animais.

Relativamente à vacaria, conta igualmente com os serviços da Cooperativa, neste caso o técnico André Lopes presta assistência na exploração a nível da alimentação dos animais.

Essa assistência passa pela análise às forragens disponíveis na exploração e mediante a qualidade apresentada são definidos os regimes alimentares de acordo com as características e os objetivos da exploração. Faz também uma avaliação do estado dos animais, indo ao encontro de alguns objetivos em termos de fertilidade, bem-estar animal (…).

Futuro pode passar pela robotização total e aquisição de maquinaria nova

O leite produzido na Exploração é escoado maioritariamente para um cliente privado porque a cooperativa da região não lhe deu as condições de que precisava para produzir leite e rentabilizar o investimento realizado. Uma parte é canalizada para uma indústria de queijos da região.

Embora reconheça que quanto maior é a exploração mais se rentabilizam os custos fixos, José Luís Teixeira é da opinião que o atual preço a que o leite é comercializado não é suficiente para cobrir investimentos, sendo sempre necessário recorrer à banca.

Questionado sobre qual será o futuro da exploração, o empresário põe a decisão nas mãos dos filhos e sobrinhos. Ou seja, se houver continuidade do projeto na família, o caminho será o da robotização total e aquisição de maquinaria nova com objetivo de aumentar a produção.

A vertente de campo está sob alçada de Jorge Teixeira que, à data desta reportagem procedia aos últimos dias de colheita, ou “picagem” do milho para ensilar. Matéria verde que segue do campo para o silo, onde vai fermentar, servindo de base da alimentação dos animais durante o ano.

Numa exploração com tão grande dimensão é impensável poder acompanhar cada parcela ao pormenor, pelo que a adoção de ferramentas tecnológicas tem ajudado a encontrar e solucionar as anomalias que vão surgindo ao longo do ciclo de produção. Um exemplo disso é a plataforma Climate Field View, disponibilizada pela Dekalb, baseada em imagens de satélite, que permite a análise de dados e procura maximizar a rentabilidade, em cada parcela, explica Sofia Oliveira.

À esquerda: Jorge Teixeira a operar o Climate Field View | À direita: captura de ecrã do Climate Field View

Ponto determinante das variedades para silagem é o ‘Stay Green’ no momento da colheita

Sofia Oliveira, assessora da Dekalb para a região norte.

De acordo com o portefólio da Dekalb (marca de milhos híbridos propriedade da Bayer) para a produção de milho silagem os ciclos mais utilizados na região norte são na sua maioria os FAO500 e depois, mais ou menos de forma igualitária, os FAO600 e FAO400. Para estes segmentos a Dekalb dispõe da variedade ‘DKC6181’ (ciclo 500), a ‘DKC6777’ (ciclo 600) e a ‘DKC5144’ (ciclo 400).

“Procuramos trabalhar com variedades que tenham rendimentos, oferecendo sanidade até ao momento da colheita assim como também com grande potencial de grão”, refere Sofia Oliveira, assessora da Dekalb para a região norte.

Para chegar a estes objetivos, a empresa tem investido numa rede de ensaios para obtenção de novas variedades, dispondo de novidades no segmento do 600 (DKC6492), 500 (DKC6308) e 300 (DKC4792).

O ponto determinante para a utilização de variedades no silo prende-se com o ‘Stay Green’ no momento da colheita e com a digestibilidade da fibra, em resumo na quantidade de qualidade da matéria seca a oferecer aos animais.

Verificação da linha de leite. Está a 1/2 mas idealmente será entre 1/2 e 2/3

Para a próxima campanha os desafios passam pela utilização de Soluções Bayer integradas

À data desta reportagem a campanha estava prestes a terminar, percebendo-se que apesar de ter sido um ano exigente no controlo da rega, antevê-se mais rendimento e com qualidade. Para a próxima campanha os desafios que se colocam passam pela utilização de Soluções Bayer integradas, isto é, semente, herbicidas e a plataforma digital Climate Field View.

As sementes (variedades) já foram referidas, pelo que Sofia Oliveira avança que em termos de herbicidas será possível contar com um pós-emergente precoce, ‘Monsoon ACTIVE’ que será uma boa solução para uma das principais infestantes da zona, vulgarmente conhecida como ‘junça’.

Já a Plataforma Climate Field View, a partir de imagens de satélite, gera informação útil para maximizar a rentabilidade de cada parcela, pelo seu sistema de monitorização e alertas. Por outras palavras, “transforma” os dados brutos recolhidos em cada campo em informação prática, que ajudará o agricultor a controlar e medir facilmente o impacto das suas decisões agronómicas no rendimento da cultura. Para tal dispõe de mapas de “Saúde do Campo” (mapas de vegetação que ajudam a controlar a biomassa e mapas de consumo de água pela cultura). “Através de mapas de cor, quer nos mapas de saúde do campo quer no consumo de água, podemos identificar os problemas logo no início assim como ao longo do tempo”, conclui a técnica.