Agrociência

A importância dos compostos ou compostados orgânicos na conservação dos solos

Introdução

A Conservação do Solo pode ser definida como uma medida de utilizar e trabalhar o solo, no sentido de aumentar a produtividade, mantendo a sua fertilidade física, química e biológica.

〈 23/03/21 〉 

Os princípios que regem este sistema são: a chamada não mobilização ou mobilização mínima, a rotação de culturas e a presença de uma cobertura do solo.

Os solos fazem parte de um património muito valioso, que devemos conservar e proteger, de modo a prevenir os efeitos erosivos, a compactação e a própria poluição dos mesmos.

Já em 1862, Frederich Albert Fallou escreveu: “na Natureza não há nada tão importante como o solo, e por isso merece-nos toda a atenção. O solo é a base essencial da nossa existência, que alimenta e abastece toda a natureza”.

Uma das estratégias e práticas de conservação do solo é aumentar o teor de matéria orgânica e a sua actividade biológica.

A matéria orgânica é um dos constituintes do solo que melhor define a sua fertilidade física, química e biológica.

Os seus benefícios são em especial, na forma mais estável da matéria orgânica, ou seja, naquilo que é designado por húmus.

Por isso é importante manter e aumentar a matéria orgânica do solo, com diferentes práticas, tais como:

1. Controlar as perdas de matéria orgânica, diminuindo a taxa de mineralização da mesma, com o mínimo de mobilizações do solo;

2. Fomentar os cobertos vegetais do solo e aproveitar os resíduos das culturas anteriores;

3. E, por fim, aplicar compostados em boas condições de utilização.

O que é um composto ou compostado orgânico?

É um produto resultante da compostagem, produzindo-se como resultado da fermentação aérobia de uma mistura de materiais orgânicos, sob determinadas condições específicas de arejamento, humidade, temperatura e nutrientes e com a intervenção de bactérias, fungos e outros.

Importância dos Compostos Orgânicos na Conservação dos Solos

A aplicação de um compostado como correctivo orgânico em qualquer cultura deve ter como objectivo, a gestão da matéria orgânica do solo, no sentido de compensar um possível défice deste parâmetro e, por conseguinte, melhorar as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo.

O composto deve estar livre de agentes patogénicos, de sementes viáveis de infestantes, de fitotoxinas e maus cheiros.

Deve ter um tamanho de partículas adequadas para a sua utilização; ser estável e maturado; ter uma percentagem equilibrada de nutrientes.

E deve, conter concentrações mínimos e dentro dos limites legais de metais pesados.

É importante na escolha de um composto orgânico seguir os seguintes critérios:
  • A % em matéria orgânica;
  • A Relação C / N;
  • A % de humidade;
  • A isenção de agentes patogénicos e infestantes;
  • E o teor em metais pesados.
Para que se realize o processo da Mineralização dos Compostos no Solo é necessário ter em consideração os seguintes factores:
  • Humidade do solo: nem em condições muito húmidas, nem muito secas;
  • Temperatura : entre 10 a 35ºC ;
  • pH do solo: entre os 5 e os 7;
  • Salinidade do solo: os sais em excesso podem afectála, especialmente a nitrificação;
  • Tipo de solo: mais fácil nos solos ligeiros, do que nos pesados;
  • Tipo de composto: conforme a relação C/N.

Este último critério é muito importante porque define a maturação do compostado, que, quando apresenta uma relação C/N superior a 25-30, pode causar problemas às plantas ao diminuir o nível do teor de oxigénio na zona da rizosfera, assim como bloquear o azoto mineral existente no solo.

Quando nos situamos numa relação C/N da ordem dos 10-11, ao compostado é permitido uma mineralização lenta e gradual dos nutrientes, o qual evita um crescimento vegetativo excessivo das plantas em detrimento da qualidade da produção.

Assim poderíamos afirmar que quando utilizamos compostados de elevada relação C/N promovemos a humificação e com baixa relação C/N promovemos a mineralização.

Benefícios da aplicação de Compostados Orgânicos:
  • Melhoria da estrutura do solo; . Aumento da capacidade de troca catiónica do solo; . Melhoria da vida microbiana do solo; . Melhoria das condições de absorção dos nutrientes pela planta; . Redução da disponibilidade de alguns metais pesados ( toxicidade); . Melhoria da Fertilidade e da Produtividade dos solos

Artigo completo publicado na edição impressa de janeiro / 2021.

Autoria:

  • António Pedro Tavares Guerra
  • Engenheiro Técnico Agrário
  • Licenciado em Engenharia Agro-Pecuária
  • Formador e Consultor Técnico em Nutrição Vegetal
  • *Escrito ao abrigo do anterior Acordo Ortográfico
Bibliografia consultada:
CASCO, J.Moreno e HERRERO, R. Moral – Compostaje, 2008 MORENO, Juana Labrador – A Matéria Orgânica nos Agrosistemas, 1996 SANTOS, J.Q. – Fertilização, Fundamentos da utilização dos Adubos e correctivos, 2ªedição, 1996 VARENNES, A: – Produtividade dos Solos e Ambiente, 2003