EMPRESAS & PRODUTOS Floresta

Indústria ressente-se da forte concorrência na hora de adquirir as pinhas

Fundada em 2014, com o primeiro lote produzido em 2016, a PineFlavour é uma indústria de descasque de pinha e comercialização de pinhão, hoje “mais experiente, calejada pelo ciclo decrescente de produção de pinha, contudo também mais conhecedora do mercado, e que conseguiu conquistar um lugar no panorama nacional e internacional junto de players de peso do setor”.

E esse setor, na opinião de Miguel Figueiredo, um dos rostos da empresa de Grândola, é muito informal, praticamente sem investimento dos produtores, “cujo único objetivo é vender as suas pinhas ao maior preço, maioritariamente na árvore, sendo poucos os que fazem gestão do seu pinhal e colhem as pinhas para posterior comercialização”. Ainda assim, o diretor da PineFlavour destaca a existência de bons exemplos de gestão florestal, que têm procurado melhorar os seus pinhais, bem como o rendimento das suas pinhas, mas “diria que é ainda marginal face aos quase 200 mil hectares de pinhal manso”.

Assim sendo, faz sentido perguntar se a produção nacional é suficiente para satisfazer as necessidades da indústria. Ora, “as da PineFlavour, certamente”, mas Miguel Figueiredo arrisca em dizer que 80% da produção nacional de pinhas continua a ser exportada, repercutindo-se no momento da aquisição, com uma concorrência muito intensa.

Do ponto de vista do responsável pela PineFlavour, a indústria em Portugal não tem tido grande evolução, até pelo contrário, argumentando: “pelas práticas que observamos, quer no processo de comercialização das pinhas, quer no processo de valorização da transformação e comercialização do miolo, o setor tem vindo a desaparecer em Portugal e se nada for feito, a extinção não será utopia”.

Trata-se de um longo processo até se chegar ao pinhão comercializável, uma vez que a pinha do pinheiro manso demora 36 meses a formar-se, tendo a árvore a particularidade de manter três pinhas em diferentes fases de desenvolvimento. Em Portugal a campanha inicia-se a 1 de dezembro e prolonga-se até 31 de março, sendo que, apesar da tecnologia de ponta, na PineFlavour mantém-se o processo natural de secagem das pinhas (maturam naturalmente até ao verão, altura em que o calor alentejano faz com que sequem e abram), até à retirada dos pinhões em casca, também denominados por pinhão negro.

Após a extração inicial do pinhão negro da pinha, segue para o processo de extração do miolo. Depois da preparação e lavagem, o processo finaliza com a separação dos pinhões de primeira e de segunda, seguindo para o embalamento. Embalagens essas escolhidas criteriosamente para preservarem as características naturais do produto que é comercializado essencialmente no mercado português, espanhol, italiano e alemão.

A atual campanha, embora ainda no início prevê-se dura, “uma vez as vendas de miolo de pinhão estão praticamente paradas e por isso comprar matéria-prima não é fácil, nem atrativo, mesmo com a escassez que se faz sentir”, justifica Miguel Figueiredo. É também desta forma que fundamenta não existirem investimentos programados até que se quebre este ciclo de quebra de produção.