Floresta Sanidade vegetal

Conselhos para uma boa preparação do terreno

A correta mobilização do solo facilita o desenvolvimento de uma plantação florestal mais produtiva e sustentável.

〈 06/04/21 〉

A boa preparação do terreno cria condições para o sucesso de uma plantação florestal, favorecendo o desenvolvimento das raízes e o crescimento inicial das plantas. Nesta fase de operações de campo é necessário descompactar o solo (diminuir a resistência deste à penetração das raízes das plantas); controlar a rebentação dos cepos, a biomassa resultante do corte e a vegetação existente; realizar o alinhamento da plantação; e facilitar a realização das operações seguintes (a plantação e a manutenção).

A fase de preparação irá influenciar o número de plantas a colocar no terreno, pois determina o espaçamento das entrelinhas de plantação. Como é uma das atividades florestais que mais impacte pode causar no ambiente, devem ser seguidas todas as indicações previstas no projeto florestal, desde a legislação vigente até a adoção de práticas silvícolas adequadas à tipologia da propriedade.

Tome nota: a tradicional utilização do balde da escavadora giratória ou retroescavadora na preparação de terreno é ilegal e totalmente desaconselhada, pois pode provocar o reviramento dos horizontes do solo. Esta prática é proibida por lei desde 2018, já que origina a degradação significativa do potencial produtivo da parcela, muitas vezes irreversível.

Controlar a rebentação dos cepos

Os cepos de eucalipto da plantação anterior podem ser mantidos no terreno, destroçando-os de modo a não rebentarem e competirem com a nova plantação. As técnicas mais utilizadas neste controlo são a alfaia enxó e a tesoura.

Os cepos podem também ser controlados pela aplicação de herbicida, alinhando a nova plantação entre as plantas desvitalizadas ou na antiga entrelinha. Esta técnica pode limitar a circulação de maquinaria, sendo mais útil em áreas de pequena dimensão, com baixo número de toiças (cepos) vivas no terreno.

O arranque e remoção dos cepos deverá ser limitado às condições de solo e urografia que evite fenómenos de erosão.

Controlar a vegetação e sobrantes do corte

A plantação é frequentemente dificultada pela presença de grande quantidade de ramos e cascas de eucalipto no terreno, ou mesmo vegetação. Uma das técnicas mais comuns para diminuir esta carga de biomassa é a utilização da gradagem, que deve ser superficial ao solo. A vegetação e os sobrantes do corte também podem ser destroçados, queimados ou removidos do terreno, tendo em consideração que em solos pobres em matéria orgânica é conveniente a sua incorporação no solo.

Mobilizar o solo em terrenos planos

A mobilização do solo em terrenos planos ou ligeiramente inclinados (com declive até 25%) deve ser feita em faixas, soltando o solo na zona onde será feita a plantação. Deve ser feita em curva de nível, para diminuir o risco de erosão e favorecer a retenção de água no solo, e aproveitando para definir o alinhamento de plantação.

A técnica mais comum nesta operação é a ripagem, feita a uma profundidade de 50 a 70 cm. Na maioria dos solos basta efetuar uma passagem utilizando um dente de ripper como alfaia de trabalho. Em solos pouco profundos (menos de 20 cm), ou muito pedregosos, são aconselhadas duas passagens, primeiro com dois dentes e depois com um dente, correspondente à linha de plantação. Em solos muito arenosos, é suficiente efetuar uma cova de plantação. Já em terrenos planos (<5%), e quando houver acumulação de água em excesso, será preciso armar o terreno em vala e comoro ou fazer valas de drenagem.

Mobilizar o solo em terrenos muito inclinados

Os terrenos com declive superior a 25% devem ser armados em terraços ou banquetas. As plataformas devem ter 3,5 a 4 metros (base do terraço) e serem construídas com uma inclinação de pelo menos 2% de fora para dentro, para evitar a erosão do solo.

A preparação do terreno para a instalação de um povoamento florestal pode causar impactes no ambiente, minimizados pela adoção de práticas silvícolas adequadas à tipologia da propriedade e o respeito do projeto florestal aprovado.

A ripagem deve ser feita com três dentes de ripper, na zona mais exterior do terraço, para criar a linha de plantação. Normalmente, são utilizados dois rippers para estabilização da máquina e alfaia, ou mesmo os três rippers, servindo o de fora como linha de plantação.

Compasso da plantação

O número de plantas por hectare, também designado de densidade de plantação, depende da distância entre linhas (compasso) que é definida na preparação do terreno. De um modo geral, condições mais favoráveis (mais chuvosas, com solos profundos) suportam um maior número de plantas/ha, embora haja um limite a não ultrapassar, para evitar competição excessiva das plantas e perda de volume de madeira.

São aconselhadas as seguintes regras no eucaliptal:

• o espaçamento na linha (árvores na mesma fileira) não deve ser inferior a 1,5 m;

• o espaçamento na entrelinha (entre fileiras de árvores) não deve ser superior a 4 m, com exceção dos terraços, onde deve ser inferior a 6 m;

• a densidade de plantas deve variar entre 1 000 e 1 600 plantas/ha (dependendo da qualidade do solo, se existem terraços, etc.).

Publicado originalmente em Produtores Florestais.