Editorial

Territórios de baixa densidade à espera de jovens agricultores

Os jovens agricultores vão ter à disposição um apoio de vários milhões de euros para se fixarem em territórios de baixa densidade, figura que corresponde a mais de metade do número de municípios existentes em Portugal, aos quais passou a ser reconhecido um tratamento diferenciado, com a aplicação de medidas de diferenciação positiva.

Recorde-se que os grandes beneficiários dos apoios são os jovens com idade compreendida entre os 18 e os 40 anos, à data da candidatura, e que assumam pela primeira vez a titularidade e a gestão de uma exploração agrícola. Sabemos que a entrada de “sangue novo” no setor implementará mais inovação e maior desenvolvimento da atividade agrícola que a tornará mais preparada para as adversidades futuras, típicas de um mercado cada vez mais global.

Acrescente-se no entanto que os jovens agricultores não podem ser vistos apenas neste contexto. É de extrema importância a sua presença, sobretudo em determinados territórios classificados como rurais, para que de certa forma possam corrigir-se alguns desequilíbrios provocados pela evidente emigração e envelhecimento da população. Os jovens agricultores terão de ser “vistos e achados” em todos e em quaisquer Programas de Valorização do Interior, dado contribuírem sem dúvida para a coesão territorial e combate às assimetrias. Os jovens agricultores são fundamentais para travar o despovoamento rural e as desigualdades territoriais, contribuindo direta e indiretamente para atrair pessoas e empresas para as suas aldeias e regiões.

Portugal, agora a presidir ao Conselho da Europa, terá naturalmente a oportunidade e responsabilidade de implementação de uma reforma adequada das políticas agrícolas. Nos tempos que correm, sabemos que a digitalização e uma “arquitetura mais verde”, consentânea com a sustentabilidade ambiental, farão obrigatoriamente parte das novas medidas, mas que de pouco servirão para a nossa realidade se não contribuírem para a necessária atração de investimento público e privado para o interior do país. E esse, só se conseguirá com uma adequada política de apoio à instalação e manutenção de jovens agricultores.

• Editorial da edição de abril 2021.

Boa leitura!

Paulo Gomes, Diretor

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