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Cientistas Portugueses ajudam a conservar tartarugas marinhas em Angola

O projeto Cambeú, que tem a parceria de uma equipa da Universidade de Aveiro, atua em praias angolanas da província de Benguela onde as tartarugas marinhas vêm desovar.

O objetivo é ajudar a conservar estas tartarugas, que “estão hoje muito ameaçadas pela poluição, caça furtiva e por recentes alterações dos habitats”, indica uma nota da Universidade de Aveiro (UA), enviada à Wilder.

O projeto quer também conhecer melhor a biologia das espécies que procuram o litoral angolano, onde têm sido avistadas a tartaruga olivácea (Lepidochelys olivacea), tartaruga de couro (Dermochelys coriacea) e tartaruga verde (Chelonia mydas).

No que respeita às praias de desova, algumas das conhecidas situam-se em Cabinda, Luanda, Namibe e Benguela. Foi nesta última província, numa praia do Lobito, que o projecto começou, quando Luz Le Corre e Jean-Marie Le Corre decidiram meter mãos à obra para salvar dos caçadores uma tartaruga e os seus ovos, durante a noite. O resgate desse ninho, em 2016, representou 56 crias que chegaram ao mar.

“Como [os caçadores] estavam à espera para roubar os ovos, decidimos guardá-los em casa numa caixa para eclodirem, enquanto organizávamos a protecção da praia para impedir outras caçadas”, é explicado na página do Facebook. “Envolvendo amigos e a população local, o projeto tornou-se rapidamente muito maior, com mais de 1.200 tartarugas bebés lançadas no segundo ano e numerosa mães salvas da caça.”

Em Angola, a época de nidificação vai de Setembro a Março. Nos últimos anos, com a ajuda de parcerias, biólogos e um grupo de voluntários, esta iniciativa conseguiu assegurar a eclosão de 12 ninhos na temporada de 2018/2019, que representaram mais de 1.100 pequenas tartarugas, passando para um total de 106 ninhos em 2019/2020.

As alterações climáticas são outra das ameaças ao futuro das tartarugas e por isso são um dos atuais temas de investigação nos trabalhos da equipa. Por exemplo, a subida da temperatura dos ninhos pode levar ao aumento do número de fêmeas por ninho  ou mesmo levar à sua inviabilização, indica Rita Anastácio, investigadora ligada ao projeto, doutorada pela UA.

O projeto Cambeú tem como parceiros, além da Universidade de Aveiro, também o Instituto Jean Pieaget Benguela, SOBA Catumbela, SINPROF e a Amphibia-Nature.org.

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Fonte: Universidade de Aveiro / Projeto Cambeú