Certificação EMPRESAS & PRODUTOS Hortofruticultura

Momento atual é um verdadeiro desafio para os produtores açorianos

Vítor do Rego Ponte dedica-se à agricultura desde 1989 por opção e por tradição familiar mas, essencialmente, pelo fascínio de estar em contacto com a natureza e conseguir um retorno rápido sem grandes investimentos.

Poder definir o seu próprio horário de trabalho e conciliar a sua principal atividade, o judo, foram ainda algumas das razões que o ajudaram nesta decisão. Começou por produzir culturas industriais, como por exemplo o tabaco, mas hoje dedica-se apenas à produção de hortícolas ao ar livre e em estufa.

Atualmente tem uma área de aproximadamente nove hectares de ar livre, onde produz culturas como batata, batata-doce e tomate, entre outras hortícolas e uma área aproximada de um hectare em estufa onde produz tomate e pepino. O produtor aposta numa estratégia de economia circular em que todos os restos vegetais das culturas são transformados em substrato que mais tarde utiliza para a produção em estufa, uma alternativa que veio viabilizar esta forma de produção que de outro modo não seria possível.

Enquanto produtor e também membro da direção da Terra Verde – Associação de Produtores Agrícolas dos Açores -, Vítor Ponte encara o momento atual como um verdadeiro desafio para os produtores dos Açores, na medida em que o futuro terá de passar por uma estratégia de organização, tanto dos produtores como da produção, e focadas no planeamento, no aumento de produtividade, numa aposta em tecnologia pós-colheita, na construção de infraestruturas de apoio à produção e ao armazenamento, mas também na definição de estratégias de promoção e comercialização dos produtos regionais.

Consciente da necessidade de promover e valorizar o produto regional no mercado externo mas também conhecedor do rigor e exigência destes mesmos mercados, o produtor iniciou recentemente um processo de certificação Globalgap.

Focado numa estratégia de produção sustentável e segura, Vitor Ponte tem vindo a efetuar uma aprendizagem sobre a identificação e preservação de organismos auxiliares como forma de reduzir ao mínimo possível o recurso a produtos fitofarmacêuticos.



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