Política Agrícola

Uma agricultura rentável e sustentável? Só com uso de inovação

A AgroGlobal de 2020 esteve muito longe das enchentes de visitantes que tem recebido ano após ano, mas nem por isso deixou de ser marcante. Além de ter mostrado ao país a força do setor agrícola, foi o momento escolhido pelo Governo para apresentar a Agenda para a Inovação na Agricultura – Terra Futura.

O ano de 2020 tem sido pródigo em mudanças e se há setor que tem mostrado uma incrível capacidade de adaptação e mesmo de mudança em relação aos desafios que a pandemia veio impor, é o da agricultura. Quando os portugueses tiveram de ficar em casa o setor não parou e já se ia a meio caminho da organização de mais uma edição da AgroGlobal, a feira que tem reunido “a nata” da agricultura portuguesa. Não foi possível a realização tradicional do evento mas veio ao de cima a capacidade de superação. Os ensaios fizeram-se e as empresas participantes puderam colher e apresentar resultados, recorrendo na maior parte das vezes a estratégias de comunicação digital. Foi também online que decocorreram as conferências que debateram os grandes temas da atualidade agrícola, reservando-se o último dia da Feira para uma iniciativa presencial em Valada do Ribatejo.

Joaquim Pedro Torres tem sido o principal anfitrião da AgroGlobal e embora aprecie o reconhecimento dado ao setor agrícola, em seu entender está na hora de se olhar em frente. É sua convicção que na construção que se quer do nosso país (mais equilibrado) a agricultura desempenha um papel decisivo, seja economicamente, seja também em termos de coesão. São palavras do seu discurso na abertura da Conferência “Portugal no Futuro, uma Visão Estratégica para a Agricultura, Alimentação e Território”, que se realizou em Valada do Ribatejo, e o momento escolhido para apresentação da Agenda de Inovação para a Agricultura, pela Ministra da tutela. E se a AgroGlobal sempre sempre foi um local de partilha esta Agenda é o coroar disso mesmo.

Não haverá golpes de mágica, será a soma de pequenas e médias vitórias que nos poderá levar a uma agricultura mais competitiva

Joaquim Pedro Torres

Participaram na Conferência: António Costa Silva (Plano de Recuperação Económica); Francisco Avillez (Instituto Superior de Agronomia);
Daniel Traça (Universidade Nova de Lisboa) e Miguel Poiares Maduro (Fórum Futuro Gulbenkian)

A presença do próprio Primeiro Ministro na sessão de abertura da Conferência quis mostrar o agradecimento do país ao setor e à própria AgroGlobal que considera “o maior evento de promoção da inovação na agricultura”. Agricultura que se tem pautado precisamente pela inovação, graças à qual “durante a última década, Portugal reduziu em cerca de 400 milhões de euros o seu défice alimentar, as exportações do setor cresceram em média 5% por ano e em 2019 as exportações do setor agroalimentar já representavam 11% da totalidade da exportação de bens de Portugal”

A Agenda para a Inovação na Agricultura – Terra Futura – é o culminar de um trabalho que começou pela auscultação aos agentes do setor e procurou respostas que vão ao encontro dos objetivos estabelecidos para esta legislatura, tendo em vista uma agricultura ainda mais sustentável, competitiva e inovadora, emissora e recetora de colhimento. Conforme explicou Maria do Céu Antunes, Ministra da Agricultura, assenta em cinco intenções estratégicas: ‘Mais Saúde’, ‘Mais Inclusão’, ‘Mais Rendimento’, ‘Mais Futuro’ e ‘Mais Competitividade’ e tem cinco metas pela frente em relação a elas, destinando-se aos cidadãos, aos agentes do território, aos produtores e aos agentes de políticas públicas, o que passa por 15 iniciativas emblemáticas (ver página seguinte – adquira aqui a revista).

Depois destas comunicações seguiu-se o debate onde se reconheceu a oportunidade da nova estratégia do Ministério da Agricultura, convergente com a “Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030”, elaborada por António Costa Silva e que na AgroGlobal definiu a agricultura como uma fonte indispensável de criação de riqueza. Mas, para se atingirem os objetivos propostos, é indispensável produzir mais e de uma forma mais sustentável, com recurso à tecnologia para subir na cadeia de valor.

Reconhecendo o mérito da definição de uma estratégia para dez anos, o Professor do Instituto Superior de Agronomia e coordenador científico da Agro.ges, Francisco Avillez levantou algumas questões, nomeadamente como é que vai funcionar a Rede de Inovação prevista, que tem de ser obrigatoriamente eficaz, e deixa mesmo a sugestão de se pegarem em algumas inovações que já deram bons sinais, adaptá-las a algumas realidades e apostar na sua difusão. Com uma vasta experiência nestes assuntos, acredita que o Plano Estratégico da PAC é que vai ditar o desenvolvimento da agricultura portuguesa nos próximos anos.