Olival & Azeite

No Ribatejo os olivicultores e donos de lagares estão preparados para uma campanha que se avizinha muito complicada

No Ribatejo, a colheita da azeitona começa no início do mês de outubro. Os olivicultores e donos de lagares estão preparados para uma campanha que se avizinha muito complicada, pela situação de pandemia que vivemos e por outras causas inerentes ao setor.

Na última campanha estima-se que a produção nacional de azeite tenha atingido as 140,5 mil toneladas, um máximo histórico! Foi um ano de safra, com muita azeitona e com azeites de excelente qualidade. Foram, inclusive, reconhecidos os azeites nacionais e, pontualmente os azeites ribatejanos, pela atribuição de prémios de qualidade, a nível nacional e internacional.

Este ano, ao que parece, as condições não estão de feição. Já se esperava que a produção de azeitona fosse mais baixa, por ser um ano de contrassafra, mas a instabilidade climática, verificada em determinadas alturas do ano, as fortes chuvas na altura da floração, quer em olivais conduzidos intensivamente e em sebe, quer em olivais tradicionais, resultaram numa quebra acentuada de produção, onde o vingamento foi baixo. Nos olivais plantados recentemente, jovens, tal não se verificou mas nos outros, estima-se que a quebra de produção atinja os 60%, em algumas zonas do Ribatejo, e num cenário mais otimista a produção chegará a metade da do ano passado. O mesmo cenário se verifica noutras regiões de Portugal e também por toda a Europa.

Esta situação económica que estamos a viver também levou a que o consumo do azeite tivesse diminuído aproximadamente 20% a nível mundial, tendo sido trocado por outros produtos com preços mais baixos mas com muito menos benefícios para a saúde (…).

Autoria: Susana Oliveira Sassetti, Secretária geral da AAR e Chefe de Painel do Laboratório de Azeites