EMPRESAS & PRODUTOS Olival & Azeite olival e azeite Reportagem

“Queremos azeites doces e suaves, feitos a partir de azeitonas colhidas no estado ótimo de maturação”

João Marques é o rosto do projeto Casa Fernandes que já conta com 30 hectares de olival no concelho de Oleiros

Bem no centro de Portugal o concelho de Oleiros tem sido muitas vezes motivo de abertura dos telejornais, mas não pelos melhores motivos. Com uma extensa mancha de pinhal o território tem sido consecutivamente fustigado por incêndios florestais.

Mas nesta região, desfavorecida em muitas vertentes, há quem não desista da vontade de fazer mais e diferente. Falamos da Casa Fernandes, uma empresa com várias áreas de negócio, nomeadamente a agrícola (produção de azeite), florestal e imobiliária. João Marques, que dá a cara por este projeto, pegou num negócio de família e tem vindo a conferir-lhe uma nova roupagem apesar das adversidades.

Em 2017, quando decorria a plantação de novos olivais um grande incêndio veio afetar o processo, além de ter chegado a consumir parte do próprio lagar. Foi preciso recomeçar e plantar novamente 15 hectares, a somar a outros tantos já existentes. Neste momento são cerca de 30 hectares de olival, onde predomina a variedade ‘Galega’, que o jovem empresário considera “uma mais-valia em termos de qualidade e apropriada para o nosso clima e terroir”. Trata-se maioritariamente de um olival tradicional, idealizado com base na premissa de que a qualidade do azeite começa no olival e é nele que têm de centrar-se os cuidados.

O lagar define-se como de prensas e semi-automático, onde ainda é feita decantação no processo de laboração. “É menos rentável e eficaz, mas o resultado é o que chamo de azeite “puro” e isso traz muitas vantagens. Obviamente que a inovação tem que estar presente desde a entrada da azeitona e também na sua qualidade e salubridade, mas acredito neste processo. A nossa capacidade diária de produção situa-se numa média de 10 toneladas de azeitona”, acrescenta João Marques.

Face à capacidade instalada o lagar presta igualmente serviço a outros produtores e desde 2017 também adquire azeitona. E o empresário justifica que desta forma não só é escoado o produto de quem não tem capacidade para o fazer como também mexe no desenvolvimento da economia local.

A perspetiva é a de continuar a crescer, quer na área de plantação, quer na comercial, com objetivo de levar o azeite aos quatro cantos do mundo. A estratégia está traçada e os passos estão a ser dados, prevendo-se para breve uma linha automática de enchimento, rotulagem e embalamento (…).

A empresa produz dois tipos de azeite: o ‘D´Elvira Azeites’, proveniente de azeitona madura, sendo de características doce e suave; e o ‘Azeite Alfredo’ que fica mais tempo nas cubas de inox e que provém de uma azeitona colhida mesmo no final do estado de maturação.