Olival & Azeite

Moderno vs tradicional. Tanto num como noutro a palavra chave é equilíbrio

Portugal é um país com forte tradição no olival e na produção de azeite, onde, de acordo com os últimos dados disponíveis existem na ordem dos 360 mil hectares de olival que representam qualquer coisa como 118 mil explorações (in estudo: Alentejo – A liderar a olivicultura moderna internacional).

Para fornecer um quadro de informação mais exaustivo sobre o setor está a decorrer o Recenseamento Agrícola 2019, mas a operação sofreu um atraso na recolha de informação de campo, devido ao contexto pandémico que estamos a viver, esclarece-nos o Secretário de Estado da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Nuno Russo, questionado sobre este assunto. “Temos estimativas a nível nacional e regional, e informações mais precisas sobre determinadas zonas, como por exemplo, a zona de influência de Alqueva. Fazendo uma estimativa a partir dos últimos dados do INE, do inquérito às estruturas agrícolas em 2016. Tendo em consideração a densidade de plantação e o regime hídrico ser de regadio ou de sequeiro, apuramos que o olival moderno ocupará um pouco mais de ¼ da área de olival. Em breve teremos os primeiros resultados do recenseamento agrícola e poderemos então ter um visão mais clara da caracterização do olival português”, argumenta ainda.

Portugal contabiliza na ordem dos 360 mil hectares de olival que representam qualquer coisa como 118 mil explorações

O governante considera que, tal como outras culturas, o olival pode chegar até onde for economicamente viável e ambientalmente sustentável. “Quando abordamos os sistemas biofísicos, existem várias variáveis em jogo, que interagem entre si, tendo de se ser prudente tanto ao nível da proteção da natureza, como da sustentabilidade económica das explorações agrícolas e da criação de riqueza nas regiões rurais. A chave está na procura de um equilíbrio, que não é fácil, sobretudo quando falamos de culturas perenes, com investimento a longo prazo”. É inegável que nos últimos anos o olival português passou por uma profunda transformação e os números do Inquérito Anual aos Lagares de Azeite (SIAZ), do Gabinete de Planeamento de Políticas (GPP) provam-no quando estimam que na campanha 2019-2020 a produção nacional de azeite tenha atingido um máximo histórico (140,5 mil toneladas). E para este crescimento tem contribuído fortemente a região do Alentejo, com o aumento da área de olival intensivo e superintensivo em produção, sendo hoje responsável por mais de 80% da produção nacional.

Na campanha 2019-2020 a produção nacional de azeite atingiu um máximo histórico (140,5 mil toneladas)

O Alentejo é responsável por mais de 80% da produção nacional

O diretor executivo da Olivum – Associação de Olivicultores do Sul, Gonçalo Simões, afirma à nossa reportagem que são os fatores edafoclimáticos e a agricultura de precisão que permitem ao Alentejo ser hoje um dos líderes incontestáveis da olivicultura mundial com uma produtividade por hectare que pode ir até às 20 toneladas. O mesmo dirigente vê o setor na linha da frente para responder aos desafios de sustentabilidade, nomeadamente ao Green Deal, garantindo maior produção por hectare, através de ganhos de eficiência sem que para tal se tenha que recorrer única e exclusivamente a um aumento da superfície agrícola.

Em Trás-os Montes continuam a aumentar as novas plantações

A Associação de Olivicultores de Trás-os-Montes – AOTAD – descreve que na região o olival continua com um aumento de novas plantações, numa diversidade de novos compassos e com uma perspetiva de implementação de sistemas de rega, baseando-se nas cultivares autóctones da região transmontana. O técnico da Associação, Emanuel Batista, explica que a região enfrenta vários desafios como um grande envelhecimento dos olivicultores, embora os que estão ativos mostrem vontade de reestruturar e mecanizar. Além disso, regista-se também falta de mão de obra e o azeite está a ser comercializado a baixo preço. Acredita no entanto que crescer com a “Denominação de Origem Protegida” pode vir a ser uma mais-valia para a rentabilidade futura dos olivicultores. Quanto à campanha que se avizinha, os indícios são de uma boa produção e de se conseguir um azeite de ótima qualidade.

Uma informação subscrita pelo Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo (CEPAAL) que diz ser notória a evolução do olival na região do Alentejo, tendo-se verificado um rápido desenvolvimento do setor nos últimos anos, com a instalação de novas áreas de olival em sistemas de regadio e com densidades mais elevadas, essencialmente na área de influência do EFMA.

E mais, “com este crescimento, o setor tem vindo a profissionalizar-se, não só no campo mas também no lagar, e o reconhecimento atribuído aos azeites nacionais e aos Azeites do Alentejo, nomeadamente através dos vários Concursos nacionais e internacionais, é a prova do bom trabalho que se tem vindo a fazer”, afirma Mariana Teles Branco, do CEPAAL (…).