EMPRESAS & PRODUTOS Hortofruticultura

Monsurgel pondera aquisição de terrenos para avançar com produção própria

A Monsurgel Lda surgiu em 2013, impondo-se desde logo no mercado da castanha fresca e congelada. Com o objetivo de inovar e evoluir acrescentando valor aos produtos, avançou com um snack de castanha, pronto a comer.

〈 10/12/2020 〉

Apesar de sediada no concelho de Valpaços, mais concretamente em Carrazedo de Montenegro, a abrangência da Monsurgel é bastante vasta, tocando todo o distrito de Bragança, passando também pelo de Vila Real e ainda alguns concelhos da Guarda e Viseu, no que respeita à cultura da castanha. Isto porque no ano de 2020 aventurou-se na compra de morango no Ribatejo para escoar nos mercados internacionais europeus.

Mas o pilar da empresa é a cultura da castanha e Francesco Marchese, gerente da Monsurgel, assume um profundo respeito e admiração pelo trabalho e conhecimento dos produtores que já são perto de 500 (certos), mais uns 200 que vão oscilando entre empresas.

Inovação tem chegado lentamente, muito por ação do papel das Associações e Cooperativas na formação e alteração de mentalidades dos produtores

Inserida numa região onde a castanha é a base de sustento familiar, mas onde as explorações são maioritariamente de pequena dimensão, é de referir que a plantação de souto cresceu de forma exponencial. “Tem vindo a duplicar ano para ano em algumas zonas”, diz o responsável, acrescentando ainda que embora já seja possível encontrar variedades híbridas, as tradicionais como a ‘Judia’, ‘Longal’, ‘Boaventura’, ‘Negral’, entre outras, continuam a prevalecer. Neste contexto, a inovação tem chegado lentamente, muito por ação do papel das Associações de Produtores ou Cooperativas na formação e alteração de mentalidades dos produtores.

Para contrariar as dificuldades expetáveis a longo prazo, como sejam a idade dos produtores e despovoamento do território, que terão um grande entrave ao dinamismo da atividade, a Monsurgel pondera também a aquisição de terrenos no sentido de avançar para produção própria.

Falando nas principais dificuldades sentidas, há a salientar as várias doenças dos soutos, e inevitavelmente a pandemia por COVID19 “com efeitos devastadores no mercado da castanha”. Francesco Marchese recorda que logo no início do ano o volume de vendas decresceu abruptamente, principalmente nos produtos industriais à base de castanha, o que levou a uma diminuição na venda da castanha congelada”.

Com 2020 a chegar ao fim sente-se também uma contração do mercado fresco devido ao cancelamento de feiras e eventos sociais onde a castanha era predominante. “E com isto, começam a sentir-se as dificuldades financeiras e económicas das famílias”.

Com uma média anual variável, este ano o objetivo é trabalhar com 5000 toneladas. Esta castanha sai embalada da Monsurgel mas não diretamente para o cliente final. Quer em fresco quer congelada, a castanha é escoada em sacos de 20/25 kg e segue essencialmente para países da União Europeia, onde realiza 99% das vendas.

Apesar dos condicionalismos a empresa tem vários projetos em carteira, nomeadamente dando continuidade ao investimento no setor da castanha fresca e congelada, tendo lançado recentemente um snack de castanha que está bastante empenhada em promover. Quer também investir noutros frutos e chegar a noutros mercados.

Artigo completo publicado na edição de dezembro 2020.