EMPRESAS & PRODUTOS Inovação

Inteligência artificial e sistemas de suporte à decisão vão projetar a assistência agronómica para outros patamares

O webinar “O papel do aconselhamento agronómico em Portugal. Como é que os métodos evoluíram?”, organizado pela Bayer Crop Science, teve moderação do diretor da Revista Voz do Campo e contou com a participação de Miguel Leão, investigador do INIAV, Bárbara Corte-Real, CEO do Grupo Novagril e ainda Jorge Matias, do departamento de Market Devellopement da Bayer Crop Science.

No passado dia 9 de novembro a Bayer Crop Science lançou a sua página de Facebook em Portugal, com objetivo de oferecer conteúdos atuais e relevantes para o setor agrícola e agroalimentar, assim como transmitir diretamente novidades e fazer lançamento de soluções para o setor agrícola português.

O lançamento foi acompanhado de um conjunto de sessões online ao longo de todo o mês, envolvendo especialistas e meios de comunicação do setor, como a Voz do Campo, cujo diretor, Paulo Gomes, foi responsável pela moderação do segundo webinar do ciclo, intitulado “O papel do aconselhamento agronómico em Portugal. Como é que os métodos evoluíram? No webinar, em formato de mesa redonda, participou Miguel Leão, investigador do INIAV na área das pomóideas na Estação Nacional de Fruticultura Vieira de Natividade, em Alcobaça, mas cuja atividade profissional passou no início pela assistência técnica aos produtores em parceria com empresas, associações (…); Bárbara Corte-Real, CEO do Grupo Novagril que se dedica à distribuição de produtos fitossanitários para agricultura e participou enquanto representante da Liscampo, uma das empresas do Grupo e que distribui produtos da Bayer Crop Science desde início e ainda Jorge Matias, do departamento de Market Devellopement da Bayer Crop Science, logo, diretamente ligado ao aconselhamento agronómico.

Os três participantes são unânimes em considerar que houve uma enorme evolução no aconselhamento prestado à agricultura portuguesa, mas Miguel Leão ressalva que é necessário analisar essa evolução em paralelo com os referenciais que foram entrando em vigor. Aponta como marcante a década de 90, com a introdução das medidas agroambientais e a figura do técnico responsável pelo aconselhamento, que ajudou os agricultores a evoluírem para proteção integrada e a cumprirem normas dos referenciais de segurança alimentar. Em seu entender, em duas décadas passámos de uma situação em que o produtor tinha um apoio muito reduzido, para uma situação em que o aconselhamento faz parte do dia a dia das explorações – seja pelas associações, pelos consultores particulares ou mesmos pelos próprios revendedores.

Do ponto de vista da distribuição, Bárbara Corte-Real assinala dois níveis, o dos grandes agricultores, com um nível de profissionalismo e conhecimento relativamente elevado, dispostos a investir em ferramentas como a digitalização e a teledeteção, e depois o aconselhamento ao nível das lojas – balcões de revenda – onde o papel do operador é ainda muito importante.

Há a preocupação de ir adotando novas tecnologias e práticas, com Bárbara Corte-Real a reforçar que, do conhecimento que tem, o agricultor está disposto a pagar pela “digitalização”

Jorge Matias trouxe ainda outro dado à discussão, o papel da internet. As empresas, antes muito focadas em formações, demonstrações (…), passaram a ter mais um canal, o site, onde ía sendo disponibilizada muita informação. Entretanto a internet ganhou um peso enorme e hoje existem inúmeros canais de comunicação (digitais) que estão a fazer mudar a forma como o aconselhamento pode ser feito, com formas mais acessíveis e rápidas de transferir conhecimento. Miguel Leão afirma que há vários modelos que devem ser destacados e aponta por exemplo, ao nível do fogo bacteriano, uma plataforma, com modelos em análise, que emite um aviso para os produtores quando existem níveis de risco elevado, de forma a poderem precaver-se relativamente a esse mesmo risco. Não tem dúvidas que a inteligência artificial e os sistemas de suporte à decisão vão projetar a assistência agronómica para outros patamares. Mas, não deixa de sublinhar que a verdadeira essência da assistência agronómica não dispensa a visita ao terreno, o que Bárbara Corte-Real subscreve, embora reconhecendo que é inegável a utilização dos canais digitais nestes processos.