Agropecuária

FENALAC apresenta estudo sobre impacto da reforma da PAC no setor leiteiro português

O processo de definição da Reforma da Política Agrícola Comum (PAC) encontra-se em avançado estado de discussão a nível europeu.

Sendo certo que podem ser estabelecidas regras com um forte impacto ao nível do rendimento dos Produtores de Leite nacionais, a FENALAC promoveu a realização de um estudo visando evidenciar essas consequências, de acordo com vários cenários possíveis que se perspetivam para a PAC nos próximos anos.

Da autoria da Católica Porto Business School, o estudo apresenta propostas visando a remediação das perdas de rendimento dos produtores de leite, através da utilização de novos instrumentos da PAC.

O professor Miguel Sottomayor, Coordenador do estudo, esclarece que, «com a futura PAC, no período 2023-2027, tendo por base o que já é definitivo e o que ainda é incerto, considerando os cenários menos e mais desfavorável, prevê-se que as explorações de leite especializadas do Continente sejam penalizadas com uma quebra dos pagamentos totais da PAC de que atualmente beneficiam que oscila entre os -12% e os -69%».

Esta quebra poderá levar a uma degradação da sua Margem Bruta com Pagamentos Ligados por tonelada de leite entre os 0% e os -14% e a uma redução do seu Rendimento Líquido de Exploração por Unidade de Trabalho Anual entre os -4% e os -21%.

O comendador Manuel dos Santos Gomes, Presidente da FENALAC, afirma que «os resultados do Estudo são inequívocos quanto aos riscos de insustentabilidade económica da produção de leite em Portugal, caso não sejam ativados um conjunto de instrumentos da próxima reforma da PAC, como sejam a limitação da convergência do pagamento base, a aplicação de pagamentos ligados e dos denominados eco-regimes».

No que respeita à figura dos eco-regimes, o professor Henrique Trindade defende que «representam uma oportunidade e um estímulo ao desenvolvimento de um setor leiteiro mais sustentável, mais eficiente, que contribua de forma proativa para a emergência climática e para a neutralidade carbônica da agricultura através da redução das emissões de gases com efeito de estufa e que responda aos desafios da agricultura circular».


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