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40 a 50% da produção afetada: doenças travam valor da castanha

As pragas e doenças que afetam o castanheiro são o principal travão da sua capacidade produtiva. Este é um problema mundial, uma vez que as pragas tendem a “viajar” entre países, nomeadamente por via da importação de espécies – o cancro do castanheiro, por exemplo, chegou à Europa vindo dos Estados Unidos, em 1938.

Qual o valor da castanha perdido em território nacional? Segundo a RefCast – Associação Portuguesa da Castanha, em Portugal, as doenças resultam na perda de 40 a 50% da castanha ao longo da cadeia de produção. Isso pode significar uma quebra de cerca de 12 mil toneladas de castanha, algo como 24 milhões de euros a menos para a fileira da castanha. Os custos intermédios elevados provocam, por sua vez, uma subida de cotação, que não ajuda à sua competitividade.

Doença da tinta, cancro do castanheiro e vespa-das-galhas-do-castanheiro são as três ameaças mais preocupantes – em especial a primeira, por não existir ainda forma biológica de a controlar – e uma quarta está também a ser motivo de preocupação: a podridão da castanha.

 

O alerta sobre a podridão da castanha foi dado em 2019, por José Gomes Laranjo, investigador da UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, mas o fungo Gnomoniopsis castanea, que se tornou mais evidente em Portugal nesse ano, já afetava a produção europeia há dez anos. Os sintomas são particularmente visíveis nas flores, folhas e ramos dos castanheiros, e a incidência é mais elevada nos soutos previamente afetados pela vespa das galhas. Elevados são também, segundo o investigador, os prejuízos que causa: podem chegar aos 80 a 90%.

Fonte: Florestas.pt