Floresta

As potencialidades da resina de pinheiro manso no âmbito do projeto PinusResina

BLC3 Centro I&DT: Amostra de resina e frações de ácido de interesse para a Indústria Farmacêutica de derivados da Resina

A área de pinheiro-manso em Portugal aumentou 12% do 5º para o 6º Inventário Florestal Nacional, num aumento total de 20,7 mil ha, o que representa uma área total de 172,6 mil ha.

Normalmente, esta espécie está muito associada e conhecida como uma árvore de produção de pinha e pinhão. Contudo, existe uma outra variante económica que começou a ser desenvolvida, ainda em menor escala, com a prática de resinagem na fileira do pinheiro manso, aproximadamente 2 mil ha são resinados atualmente (24,1 mil ha de resinagem do pinheiro bravo), representando cerca de 7,7% da área de resinagem total em Portugal.

O miolo de pinhão representa, em média, um valor acrescentado bruto médio de 84 Euros por quilograma (até ao consumidor final). Tem uma importância e valor económico nacional de 13 a 20 milhões de euros (90% é exportado), sendo ainda difícil de contabilizar o valor económico deste mercado, porque algum é realizado no contexto de mercados locais.

Portugal é o segundo maior produtor de pinha da espécie Pinus Pinea L., para a produção de pinhão de mediterrânico. O pinheiro manso é uma espécie muito resiliente às alterações climáticas como aos problemas fitossanitários, comparativamente com o pinheiro bravo, mas também com outras espécies. Presenciou-se alguns estudos sobre qual a melhor localização e mais produtiva para produção de pinha e pinhão em Portugal. Identificou-se a zona da Alcácer do Sal e Coruche (Alentejo) como a zona principal. Na região centro Interior, zona dos “vale das Serras”, entre o maciço da Serras da Estrela e do Caramulo e a cordilheira Central, existe um ecossistema que apresenta potencial não só para a produção de pinha e pinhão, como taxas de crescimento anual, o dobro da zona do Alentejo (cerca de 60 a 70 cm ano de crescimento do fuste). A zona de Alcácer do Sal é conhecida como o “Solar do pinheiro manso”, contudo os maiores exemplares e povoamentos mais antigos encontram-se localizados nesta zona do “Vale das Serras”.

O projeto PinusResina, apoiado pelo programa PDR2020, é liderado pela BLC3, e como parceiros a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, o ITQB-UNL, a ResiPinus e a VieiriFabril.

O projeto tem como principais objetivos o desenvolvimento de novos modelos de silvicultura que permitam alavancar a fileira da Resina em Portugal e esta ser o braço direito da fileira do Pinus, com uma aposta na melhoria dos rendimentos por hectare de exploração de resina e no desenvolvimento de processos de primeira transformação orientados para produtos de elevado valor acrescentado, mais precisamente na valorização da resina para a indústria farmacêutica e da química fina.

No projeto foi objetivo desde início apostar não só na vertente do pinheiro bravo como na do pinheiro manso, tendo em consideração a resiliência desta espécie, como também conseguir desenvolver modelos de silvicultura que permitam a produção combinada de pinha, pinhão e resina, com a inclusão de novas valorizações dos resíduos de biomassa das podas e desbastes para a produção de biomoléculas e de outros resíduos gerados na recolha e transformação da resina para a vertente de químicos industriais, numa ótica de Bioeconomia Circular e Sustentável. As frações de aposta na resina do pinheiro manso, e que apresentam elevado potencial de mercado, são a colofónia (da vertente dos ácidos) e a terbentina, estando ainda em análise uma outra fração em estudo e diferente da existente na resina do pinheiro bravo. O próximo passo do projeto é chegar a provas de conceito e demonstradores de produtos de elevado valor acrescentado e ajudar e apoiar os produtores e fileira a introduzirem novos modelos de silvicultura do pinheiro manso, tendo já existido uma interessante aceitação.

Autoria: Associação BLC3

Artigo completo na edição de janeiro 2021.