Reportagem

Face à falta de água, que agricultura quer o Algarve?

A falta de água no Algarve está a tornar-se cada vez mais preocupante. Consultando o IPMA vê-se que só no final de novembro (2020) terminou a situação de seca que ainda se verificava na região.

É resultante de um longo historial de falta de água que está em cima da mesa a execução do Plano de Eficiência Hídrica para o Algarve. Mas há quem tema que essas medidas possam ser tardias e defenda decisões complementares de ação mais rápida.

O Grande Encontro ‘Água e Sociedade’ foi uma iniciativa da AlgFuturo – União Pelo Futuro do Algarve – e da Universidade do Algarve que incluiu um total de sete debates públicos por todo o Algarve. No último desses debates, que aconteceu no Complexo Pedagógico do Campus da Penha da Universidade do Algarve, houve um painel que versou no tema ‘Agricultura: culturas, tecnologias avançadas e rega’, com a participação de José Carlos Tomás (DrapAlgarve); Pedro Nascimento (Associação de Regantes do Sotavento); João Garcia (presidente da Associação de Regantes de Silves, Lagoa e Portimão); José Oliveira (AlgarOrange) e João Bento (Madrefruta) [saiba mais na revista impressa de janeiro 2021].

Ora, o tema da água e da falta dela no Algarve tem-se centrado bastante na questão do consumo por parte da atividade agrícola, e várias vezes se tem levantado a questão sobre qual é a agricultura que o Algarve quer face à falta de água. E este não é um problema só dos dias de hoje, conforme avançou o Diretor Regional de Agricultura e Pescas do Algarve, Pedro Valadas Monteiro, ao referir-se à Rede de (14) Estações Meteorológicas espalhadas pelo território algarvio e cujos dados emitidos permitem concluir que o Algarve enfrenta atualmente um problema de seca estrutural.

Só 56% da água consumida é gasta pela agricultura

Pedro Monteiro, Diretor Regional de Agricultura e Pescas do Algarve

“A frequência dos períodos de seca está a encurtar-se tal como a sua gravidade está a aumentar”, afirma o dirigente, mas recusa a ideia que a “culpada” seja a atividade agrícola.

“No Algarve só 56% da água consumida é gasta pela agricultura, porque tem havido um esforço de economia e eficiência por parte dos produtores agrícolas, até porque a água no Algarve tem um custo elevado”.

Esta conclusão vai precisamente ao encontro do Plano de Eficiência Hídrica para o Algarve, apresentado em setembro passado pelo Ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Matos Fernandes, e pela Ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, e que pretende avaliar as disponibilidades e os consumos hídricos atuais, no barlavento e no sotavento algarvio com estabelecimento de cenários prospetivos que tenham em conta os efeitos das alterações climáticas, bem como estabelecer metas e horizontes temporais de eficiência hídrica para os principais usos, nomeadamente os associados aos setores agrícola, turístico e urbano.

Plano de Eficiência Hídrica para o Algarve elenca 57 medidas e um investimento de 228 milhões de euros

O documento propõe ainda identificar medidas de curto e médio prazo que promovam a reutilização da água tratada e a eficiência hídrica, assim como os fatores críticos para o seu sucesso e identificar soluções estruturais e novas origens de água que complementem o previsível decréscimo do recurso por via das alterações climáticas. O plano elenca 57 medidas, cuja implementação corresponde a um investimento de 228 milhões de euros, a maioria das quais destinadas ao setor da agricultura, no valor de 79 milhões de euros, embora a componente urbana seja aquela que requer maior investimento (122 milhões de euros).

Durante a apresentação do Plano Regional de Eficiência Hídrica foram apontadas potenciais soluções para reforçar a oferta de água na região, nomeadamente, a captação de água no rio Guadiana, a montante do Pomarão, a dessalinização de água do mar e a construção de uma barragem na ribeira da Foupana, no sotavento algarvio.

A Ministra da Agricultura referiu que apesar do consumo de água do setor agrícola no Algarve ter sido reduzido desde 2002, quer por via da redução do regadio individual quer pelo aumento da eficiência hídrica, uma das conclusões deste Plano é que é necessário reduzir as perdas de água.

Veja a grande reportagem publicada em completo na edição impressa de janeiro / 2021.