Agropecuária Sanidade animal

O Impacto da COVID-19 na alimentação animal em Portugal e na União Europeia: Desafios e Perspetivas

Se há conclusão que podemos retirar acerca do impacto da Covid-19 na alimentação animal é que o setor é extremamente resiliente. A produção e distribuição de alimentos compostos não parou e este setor foi considerado desde logo como essencial.

Fruto de uma notável partilha de responsabilidades, os consumidores não sentiram falta de produtos alimentares de origem animal nas suas mesas, mesmo durante a fase de confinamento geral. Evidentemente, isto não aconteceu por acaso. A criação de corredores verdes ao nível da União Europeia e a prioridade para o Mercado Interno foram fatores muito positivos e que permitiram manter a cadeia alimentar em funcionamento. No entanto, o setor teve de ultrapassar obstáculos e lidar com dificuldades algumas das quais far-se-ão sentir mais a longo prazo do que no passado ano de 2020, de má memória.

O confinamento geral e a diminuição da quantidade de deslocações que os portugueses e os europeus fizeram teve, desde logo, um impacto direto na alimentação animal.

O confinamento geral e a diminuição da quantidade de deslocações que os portugueses e os europeus fizeram teve, desde logo, um impacto direto na alimentação animal. Pode parecer surpreendente, mas o facto de a alimentação animal, ao contrário do que se possa pensar, ser já um campeão da economia circular teve, neste caso, um impacto significativo.

Algumas das matérias-primas que utilizamos para produzir são coprodutos da extração de sementes (bagaços), cujos óleos também são utilizados na produção de biocombustíveis, designadamente de biodiesel, que usamos nas nossas viaturas. Quando a necessidade de combustíveis diminui o mesmo acontece à quantidade de coprodutos gerados para serem incluídos na alimentação dos animais. Esta situação verificou-se tanto a nível nacional como a nível europeu, o que fez aumentar a pressão sobre o preço das matérias-primas.

Em todo o caso, em Portugal, no primeiro semestre do ano, a procura manteve-se relativamente em linha com a procura em período homólogo, pois a maioria da população transferiu o seu consumo para produtos alimentares na distribuição de retalho. Paralelamente, a falta de turistas e as fortes restrições no canal HORECA conduziram a uma quebra nos preços à produção na generalidade dos produtos de origem animal, com a Comissão Europeia a conceder ajudas setoriais, como armazenagem privada, e outras, no quadro de medidas nacionais ou no âmbito do Desenvolvimento Rural (…).

Artigo completo publicado na edição de janeiro 2021.

Autoria:

  • Jaime Piçarra
  • Engº Agrónomo e Secretário-Geral da IACA
  • Representante da FIPA no Conselho de Acompanhamento da PAC