Hortofruticultura Sanidade vegetal

“Quem está agora a investir, deve preparar os terrenos para a mecanização”

Cooperativa Agrícola de Penela da Beira aconselha produtores face ao crescente problema da falta de mão de obra na apanha da castanha

No Boletim Mensal Agrícola de novembro, o INE divulgou que alguns soutos não terão a produtividade prevista, verificando-se, entre as diferentes zonas de produção, uma heterogeneidade na quantidade e qualidade do fruto obtido. Observam-se frequentemente soutos com menos castanhas por ouriço ou com fruto de menor calibre, ou com alguns problemas fitossanitários, nomeadamente ataques da vespa-dasgalhas-do-castanheiro (Dryocosmus kuriphilus Yasumatsu) mas também situações de bichado.

Na área de influência da Cooperativa Agrícola de Penela da Beira (Penedono) a principal ameaça à cultura neste momento é precisamente a vespa-das-galhas-docastanheiro, que se associa aos problemas já existentes, particularmente ao cancro do castanheiro e à tinta, “doenças que muitas vezes arruínam o trabalho de uma vida”, define o presidente da instituição, José Ângelo Pinto.

Ainda assim, considera que os produtores, com o apoio da própria Cooperativa têm tido capacidade para procurar as melhores respostas para estes problemas. Esse apoio pode ir desde o desenho do investimento, à elaboração e implementação do projeto, (…), no fundo “em tudo o que diz respeito à organização do trabalho concreto a desenvolver em cada parcela”.

Já sobre os produtores, José Ângelo Pinto define-os como bastante heterogéneos, reconhecendo que a cultura de frutos secos e em especial de castanha “têm tido bons desempenhos comerciais e isso atrai investidores de todos os tipos”. Em consequência, a produção tem tido uma evolução favorável, com quantidades maiores e bons calibres.

Recorde-se que Cooperativa foi fundada em 1997 por um grupo de produtores de castanha preocupados com a dificuldade de escoamento e anarquia na comercialização. Hoje tem cerca de sete centenas de cooperantes e representa alguns milhares de hectares de produção de castanhas; amêndoas; nozes, avelãs, pistácios e alfarrobas. Em 2018 foi reconhecida como Organização de Produtores de Casca Rija, sendo também autenticada pela exigente certificação HCCP do BRC, e “a sua colocação em funcionamento foi uma modificação profunda dos nossos processos e modo de funcionamento alguns anos atrás”.

São processos fundamentais para o escoamento do produto que neste momento acontece para a Alemanha, França, Itália, Suíça, Estados Unidos, Espanha e Canadá. Já a amêndoa, a noz, a alfarroba, o pistácio e avelã são vendidas principalmente no mercado nacional.

Nesta região a variedade ‘Martaínha’ continua a predominar, até porque se adapta muito bem à região, “e consegue escoamento como produto gourmet, o que faz com que a sua valorização seja alta”

No coração da Denominação de Origem Soutos da Lapa, o presidente da Cooperativa admite que “por culpa de todos os intervenientes, não tem sido possível obter reconhecimento nos mercados onde as castanhas são vendidas e isso é uma necessidade urgente e pertinente para a região”. Acredita que é um caminho que tem de continuar a ser percorrido e, no caso da Coopenela, no ano passado certificou os seus processos tanto para esse efeito como também para produtos biológicos.

Sobre a colheita mecânica, os produtores têm-se mostrado recetivos e até têm experimentado, embora existam locais onde ainda é difícil fazê-lo. Por isso, o dirigente aconselha, “quem está agora a organizar o seu investimento, deverá preparar os terrenos para a mecanização, pois o problema da mão de obra é real e de difícil solução”.

Artigo completo publicado na edição de dezembro 2020.