Hortofruticultura

A poda das figueiras

Figura 1: Figueiras formadas em vaso clássico

Introdução

A cultura da figueira é tradicional no nosso país, quer para a produção de figos para consumo em fresco, quer para a produção de figos secos para consumo humano ou animal, ou ainda, para destilar originando assim o álcool e a aguardente.

No passado, a figueira foi uma cultura importante nas regiões do Algarve, Moura, Torres Novas e Mirandela. O principal destino da produção era o figo seco, em que este era colhido do chão depois de já ter perdido alguma humidade e em seguida colocado ao Sol em tabuleiros de madeira ou em esteiras para terminar a secagem. Este tipo de produção “obrigava” a que a copa das figueiras fosse alta para que os tratores e as alfaias passassem por baixo destas para fazerem os terreiros de modo a facilitar a colheita e a secagem. A colheita dos figos era e continua a ser manual.

Com a falta de mão de obra e com o aumento do preço da mesma, o figo seco deixou de ser interessante para a indústria (destilação), assim como para o consumo animal. Devido às propriedades nutritivas do figo e aos efeitos benéficos para a saúde, a cultura da figueira está a voltar a ser economicamente interessante. No entanto, a cultura terá de ser feita com o mínimo de mão de obra e os figos terão de ser colhidos diretamente da figueira sem passar pelo chão. A necessidade de mão de obra é principalmente para a poda e colheita, pelo que, a forma de condução das figueiras e a altura das mesmas são fatores muito importantes para a redução dessa necessidade.

A forma das figueiras

Na cultura tradicional da figueira, a forma de condução é o vaso clássico, num compasso muito largo (10 x 10 m, 8 x 8 m, 8 x 6 m), com pernadas inseridas a 1,2 m a 1,5 m acima do solo e cada uma com 4 a 5 m de altura o que origina figueiras com copas muito largas e altas, incompatíveis com a colheita dos figos diretamente da figueira (Figura 1).

Devido à necessidade de se reduzirem os custos de produção, as máquinas agrícolas terão de passar ao lado das figueiras e não debaixo destas. Assim, para formar um vaso baixo a inserção das pernadas terá de ser aos 0,5 – 0,6 m acima do solo e o topo das mesmas terá de ter uma altura máxima de 2,5 m. No mesmo sentido, da redução da mão de obra, o compasso de plantação terá de ser mais estreito (4,5 a 5 m x 2,5 a 3 m) para que o tempo “morto” de deslocação do colhedor / podador entre figueiras seja mínimo e o número de figos colhidos seja máximo (Figura 2).

Figura 2: Figueiras formadas em vaso baixo

Formação das figueiras no primeiro ano

Nas novas plantações de figueiras, com a forma de condução em vaso baixo, preconiza-se que após a plantação das figueiras e a rega de plantação das mesmas, estas sejam cortadas a 0,5 – 0,6 m acima do solo devendo o primeiro gomo abaixo do corte ficar voltado para o vento predominante. É importante referir que para que o figueiral comece bem, este corte a 0,5 – 0,6 m, deve estar concluído até meados de fevereiro. Esse corte deve ser ligeiramente inclinado, para que a água da chuva escorra facilmente, devendo ainda ser protegido com pasta cicatrizante para evitar que a água se “infiltre” na madeira da figueira. O centro da madeira (xilema) da figueira é esponjoso (…).

Autoria:

  • Rui M. Maia de Sousa
  • INIAV, I.P.
  • Estação Nacional de Fruticultura Vieira Natividade
  • 2460-059 Alcobaça – Portugal
  • e-mail: rui.sousa@iniav.pt

Artigo completo publicado na edição de janeiro 2021.