Editorial

Culturas intensivas requerem entendimento entre agricultores e ambientalistas

As culturas intensivas e superintensivas estão normalmente associadas a pressões ambientais devido à suposta perda de biodiversidade, alterações da paisagem, para além de, segundo os ambientalistas, propiciarem um gasto de energia e de água superior ao das outras formas de agricultura ditas “normais”.

Como tudo na vida, se não tivermos determinados cuidados, naturalmente sofreremos as consequências, e neste caso se os agricultores fizerem uma má gestão deste tipo de culturas, haverá com certeza “excessos” por exemplo na mobilização dos solos e na aplicação de fertilizantes e pesticidas, comportamentos que podem vir a prejudicar direta ou indiretamente o ambiente e a saúde dos consumidores.

Por exemplo, na área dos 120 mil hectares de regadio de Alqueva temos assistido à instalação de uma grande diversidade de culturas, mas sobretudo de olival e amendoal. Aqui, populações e ambientalistas têm vindo a público manifestar receios de impactos negativos que os agricultores dizem ser infundados por “não existirem estudos” que o comprovem. Inclusivamente, no ano passado surgiu em Beja o manifesto do “Chão Nosso”, um novo movimento de cidadãos que visa a luta contra as culturas intensivas.

Mais a sul, no Algarve, alguns responsáveis parlamentares começam também a recomendar ao Governo a preparação de medidas de combate à plantação intensiva de abacateiros.

Estamos perante uma situação que requer o devido entendimento para bem da agricultura e do ambiente. O Governo já se pronunciou, pela voz da Sra. Ministra da Agricultura, afirmando que está para breve a apresentação de uma proposta a ser discutida com o setor e com outras áreas governativas.

Acreditamos que brevemente serão encontradas as melhores soluções para a sustentabilidade das práticas agrícolas, que efetivamente ajudem na construção de uma arquitetura verde no âmbito da Política Agrícola sobre o ponto de vista estratégico para o próximo ciclo de investimento no setor.

• Editorial da edição de março 2021.

Boa leitura!

Paulo Gomes, Diretor

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