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Factos sobre o uso da água na agricultura → Dia Mundial da Água – 22 de março

Ao ser instituído em 1993, pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Mundial da Água foi criado para promover a conscientização a respeito do uso racional e sustentável da água, esta data é comemorada no dia 22 de março.

〈 22/03/21 〉

A atividade agrícola necessita de grande quantidade de água e, apesar de mal utilizada em alguns casos, é absolutamente indispensável. A produção de alimento no campo depende do uso de água para que as plantas consigam se desenvolver e gerar o resultado desejado para o produtor, bem como para o consumidor.

Para se garantir a segurança alimentar, também é preciso usar água no campo, tanto para que a planta tenha o seu pleno desenvolvimento e gere um produto de qualidade e nutritivo, quanto para assegurar a higiene desse produto até chegar à mesa e possa ser consumido com tranquilidade. A irrigação é uma atividade essencial para garantir alimento em grande quantidade.

Segundo dados fornecidos pela Food and Agriculture Organization (FAO), a produção de grãos pode ter uma média triplicada com uso adequado de sistemas de irrigação.

Por atuar no campo, temos uma grande preocupação com a correta destinação dos recursos hídricos do produtor rural que pode, através do uso de tecnologias, ter um controle preciso da quantidade de água no solo e assim programar corretamente as operações no campo, a fim de atingir maior produtividade e eficiência.

Apesar da preocupação internacional, confirmada pela criação do Dia Mundial da Água, muitas informações que são veiculadas especialmente nesta data podem conter deslizes, e levar o leitor a entender coisas de forma equivocada. Sempre preocupados com a manobra adequada das informações, decidimos discutir algumas destas que são bastante disseminadas e, quando compreendidas de forma errada podem levar a uma visão do agronegócio como um grande vilão ambiental.

Facilmente encontra-se notícias ou artigos que apontam o setor agrícola como o maior consumidor de água. Os números podem variar a cada ano, mas a informação é sempre a mesma: o agronegócio “desperdiça” água demais. Para identificarmos o problema que essa afirmação pode conter, devemos primeiro entender como se dá a relação da plantação com a água.

CONSUMO DE ÁGUA NA AGRICULTURA

Claramente, quando se fala do consumo de água no campo, é natural a referência aos sistemas de irrigação. Esses sistemas são muito importantes pois garantem ao produtor que a sua preparação do solo não sofra com stress hídrico, já que esses períodos afetam de formas diferentes cada espécie e variedade de planta, dependendo de quão longa for essa janela de tempo ou da intensidade da privação, toda a preparação do solo pode ser perdida.

Parte da água fornecida é sim utilizada pela planta, mas a maior parcela desse recurso, uma vez utilizado no solo, inevitavelmente retorna para o meio ambiente. Assim, concluímos que a atividade agrícola, com destaque para a operação de irrigação, tem um crescente de volumes consideráveis de água, porém os recursos hídricos são “utilizados” pelo agronegócio e não apenas “consumidos”, uma vez que este setor não é capaz de fazer com que a água deixe de existir.

O PAPEL DA IRRIGAÇÃO

Uma acusação válida comumente ligada à produção agrícola é que os sistemas de irrigação são ineficientes ou que o maneio em geral é realizado de forma pouco eficaz, desperdiçando água. É possível fazer essa afirmação em casos específicos, no entanto soluções cada vez mais elaboradas têm sido desenvolvidas com o intuito específico de se melhorar a produtividade no campo.

A produção de alimentos ainda é, em grande parte, dependente das condições climáticas. A utilização de sistemas de irrigação no campo, quando realizada de forma sustentável e assertiva, proporciona mais independência e garantia de produtividade, além de auxiliar na resiliência da colheita em situações de tempo adverso.

No entanto, não basta implantar um sistema e esperar que tudo funcione perfeitamente. É preciso conhecer a necessidade da planta, a sensibilidade da cultura à deficiência hídrica, a capacidade do solo de reter e fornecer essa água para a planta. Também é vital saber a quantidade real de água que deve ser aplicada e em quais momentos essa ação é ideal, para que se faça o melhor uso possível desse recurso.

TECNOLOGIA NO CAMPO: EFICIÊNCIA E SUSTENTABILIDADE

O advento da agricultura digital busca diminuir a ineficiência das operações no campo. Ao fornecer para o agricultor dados precisos em uma janela pequena de tempo, torna viável a tomada de decisão rápida e assertiva. Sensores instalados no campo, combinados às informações de uma estação meteorológica presente na propriedade e imagens de satélite fornecem uma ampla gama de informações que podem ser processadas e assim gerar um conjunto complexo de dados sobre a preparação da terra para a sementeira, que permitem uma ação precisa do agricultor, sempre no tempo certo.

Assim funciona a agricultura digital. Muitos outros recursos ainda podem ser inseridos, como a tomada de imagens termais e também por drones. Todos esses dados, organizados e somados às informações da cultivar utilizada, facilitam o entendimento das necessidades da planta ao mesmo tempo que das condições ambientais, proporcionando maior controle da produção.

Com o objetivo de diminuir o grau de incerteza do produtor, os sensores instalados em sua propriedade são capazes de realizar leituras em tempo real de diversas variáveis ambientais. Uma variável essencial que deve ser monitorada é a humidade do solo, podendo relacioná-la com outras grandezas de interesse.

Fazendo uso desses recursos tecnológicos, o produtor rural é capaz de tomar decisões mais assertivas e melhorar o desempenho da irrigação, atendendo às necessidades das plantas e consumindo o mínimo de água além de, por realizar menos operações de irrigação, consumir menos energia elétrica.

Fonte: EMBRAPA

UTILIZE ÁGUA DA MELHOR FORMA POSSÍVEL

Sem água não há vida, sem água não se faz comida, precisamos usar água da melhor forma possível e fazer isso exige inteligência, a nossa inteligência, no campo.


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