Floresta Investigação

Investigadores da FCUP estudam ação herbicida do eucalipto

Ação herbicida do eucalipto pode prevenir a sua expansão pós-fogo | Projeto PEST(bio)CIDE

〈 23/03/21 〉

E se fosse possível aproveitar o eucalipto para reduzir prejuízos na agricultura e a prevenir o risco de incêndio? É no que está a trabalhar uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP). 

“O objetivo do projeto é obter um biocida (EucaBio), que possa ser facilmente preparado sem grandes conhecimentos técnicos, e que seja capaz de controlar eficazmente o crescimento de ervas daninhas, causadoras de grandes prejuízos na agricultura”, explica Fernanda Fidalgo, docente e investigadora do Departamento de Biologia da FCUP, que lidera a investigação. “Ao mesmo tempo, a utilização das folhas de eucaliptos jovens, que rapidamente regeneram após um incêndio, contribui para o melhoramento do ordenamento do território português, dominado por esta espécie exótica e, assim, para reduzir o risco de incêndio através da diminuição do combustível fornecido por estas árvores.”

A ideia do PEST(bio)CIDE, financiado por três anos pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, é reduzir o uso de herbicidas sintéticos que têm impacto no ambiente e saúde animal e que levantam cada vez mais preocupações na sociedade.

Os primeiros resultados já são promissores e mostram o potencial do eucalipto.

“Verificou-se que folhas de E. globulus jovens colhidas numa zona recentemente ardida, apresentavam uma acentuada atividade herbicida em plântulas de beldroega (Portulaca oleracea L.), uma espécie comum de erva daninha”, explica Mafalda Pinto, que começou a trabalhar no projeto, no âmbito da dissertação de mestrado em Biologia Funcional e Biotecnologia de Plantas.

Para além disso, o trabalho de Mafalda, agora bolseira de investigação no PEST(bio)CIDE,  avaliou ainda o impacto do extrato aquoso feito a partir destas folhas de eucalipto em espécies não-alvo, nomeadamente, em culturas de interesse agronómico.

“Os resultados obtidos permitiram concluir que o extrato aquoso não só não afetou a performance fisiológica de tomateiros, como ainda estimulou a resposta do sistema antioxidante, o que poderá contribuir para uma possível preparação destas plantas (stress priming) para episódios futuros de stresse”, descreve.

Um trabalho multidisciplinar

A equipa multidisciplinar deste projeto reúne investigadores da FCUP/GreenUPorto, da Universidade do Minho/BioISI e da Universidade de Aveiro/GEOBIOTEC. O projeto é liderado pela docente Fernanda Fidalgo (Plant Stress lab, FCUP & GreenUPorto) e co-liderado pela docente Ruth Pereira (LabRisk, FCUP & GreenUPorto). O PEST(bio)CIDE conta ainda com a participação de vários investigadores da FCUP, incluindo Anabela Cachada (CIIMAR-UP) e Márcia Bessa, e os estudantes de doutoramento, Cristiano Soares, Maria Martins e Bruno Sousa.

Na FCUP, este trabalho pioneiro vai ter continuidade com o projeto de doutoramento em Biologia do estudante Telmo Cruz, que irá avaliar a segurança ambiental do biopesticida produzido, assim como a sua eficácia em ensaios de campo.


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