Agroalimentar Inovação

PortugalFoods apresenta ‘roadmap tecnológico para o setor agroalimentar português’

Desenvolvido no âmbito do Projeto PortugalFoods_Qualifica, este documento estratégico identifica caminhos críticos para que o setor atinja os objetivos tecnológicos, contribuindo para um melhor entendimento das tendências e necessidades do mercado e dos fluxos de conhecimento e permitindo que as empresas possam orientar os seus recursos para aumentar a sua competitividade.

〈 15/04/21 〉

O “Roadmap Tecnológico para o setor agroalimentar português”, documento estratégico para o processo de inovação e desenvolvimento de novos produtos para o setor agroalimentar nacional, desenvolvido pela PortugalFoods no âmbito do Projeto PortugalFoods_Qualifica, pretende contribuir para que as empresas compreendam as tendências e necessidades do mercado e os fluxos de conhecimento que permitem dar resposta a essas necessidades, para que possam orientar os seus recursos no sentido que garantir a sua competitividade.

O documento – que tem associado um horizonte temporal definido e identifica um conjunto de caminhos críticos para a prossecução dos objetivos tecnológicos e de mercado das empresas e do setor – apresenta quatro camadas distintas que se relacionam com cinco percursos tecnológicos que traduzem as ligações e interdependências entre as várias camadas e os elementos que as constituem, resultando num mapa global que consolida este guia.

Mercado, Produto, Tecnologia/Processo e Atividades de I&D – Quatro Camadas Interdependentes

Mercado, Produto, Tecnologia/Processo e Atividades de I&D são as quatro componentes, camadas, consideradas mais importantes na elaboração deste Roadmap. Interdependentes e interrelacionadas, estas componentes têm associados processos de desempenho com horizontes temporais definidos, entre o curto, o médio e o longo prazos (1, 3 e 7 anos respetivamente).

A componente Mercado contém as tendências/oportunidades de mercado existentes para as empresas do setor. A componente Produto apresenta os produtos que as empresas poderão desenvolver/melhorar com vista a dar resposta às oportunidades identificadas na camada mercado. A componente Tecnologia/Processo identifica as tecnologias/processos que terão de ser desenvolvidos e/ou adotados para ser possível obter os produtos identificados na componente anterior. E, finalmente, a componente de Atividades de I&D que engloba as abordagens de investigação e de desenvolvimento necessárias à concretização das tecnologias/processos e produtos previstos.

Na componente Mercado são identificadas 10 tendências/oportunidades de mercado existentes para as empresas do setor, cada uma com características próprias e com um horizonte temporal próprio de expectativa de desenvolvimento. Estas tendências são: Dietas low-carb (curto prazo), Eat-on-the-go (curto prazo), Alternativas a ingredientes prejudiciais para a saúde (curto-médio prazo), Sustentabilidade (curto-médio prazo), Food integrity (curto-médio prazo), Saúde e bem-estar (curto-médio prazo), Alimentação personalizada (curto-médio-longo prazo), Dietas plant based e meat free (curto-médio-longo prazo), Sabores inovadores (médio prazo) e Clean Label (médio-longo prazo).

Já a componente Produto identifica 16 necessidades de produto associadas às tendências de mercado, com exceção para as tendências Sustentabilidade e Food integrity que, pela sua natureza, deverão estar associadas a todos os novos produtos em desenvolvimento na indústria agroalimentar, independentemente do seu horizonte temporal. Produtos com baixo teor de sal e de açúcar, com redução/eliminação de conservantes e de corantes sintéticos ou que estimulem a saúde mental estão entre os identificados como necessários. Ainda, e neste mesmo conjunto, encontram-se os produtos alimentares baseados em proteínas alternativas (como larvas, insetos e proteína vegetal) e os com novos sabores, de fusão e experiências étnicas.

componente Tecnologia/Processo identifica 27 necessidades relevantes para a obtenção dos produtos identificados na componente Produto. Entre estas quase três dezenas de necessidades encontram-se as embalagens ativas/funcionalizadas, a desidratação, a inteligência artificial e a internet das coisas, os métodos analíticos para a determinação de origem e deteção de adulterações ou a cultura in-vitro de células animais.

Finalmente, a componente Atividades de I&D que identifica 13 atividades necessárias ao desenvolvimento das tecnologias/processos e produtos identificados nas componentes anteriores. Nesta componente, relacionada com a investigação e desenvolvimento que são necessários para a supressão das necessidades identificadas, podem encontrar-se o desenvolvimento de alimentos que promovam a saúde e o bem-estar, com propriedades antimicrobianas e antioxidantes, e de novos métodos para controlo da qualidade, origem, deteção de adulterações e segurança alimentar. A valorização de subprodutos para a criação de novos alimentos e produtos e o desenvolvimento de fontes alternativas de macronutrientes fazem também parte das atividades de I&D.

Cinco Percursos Tecnológicos – Cinco frações do caminho global apontado pelo Roadmap

São cinco os percursos tecnológicos apresentados pelo Roadmap e têm como objetivo permitir a análise das ligações e interdependências entre as quatro componentes identificadas e as suas várias necessidades. Estes percursos tecnológicos representam caminhos genéricos que as empresas do setor agroalimentar português terão de percorrer desde a fase de I&D e desenvolvimento tecnológico até à fase de mercado.

O primeiro percurso tecnológico relaciona as interdependências das tendências de mercado “Saúde e bem-estar” e “Alimentação personalizada” e que materializam a procura crescente dos consumidores por alimentos que potenciem a saúde e bem-estar ao mesmo tempo que se adequam às suas necessidades sociais e culturais.

O segundo percurso, o menos complexo, foca-se apenas numa tendência de mercado – “Dietas plant based e meat free” – e está relacionado com a necessidade de desenvolver produtos alimentares com proteínas alternativas ou formuladas em laboratório.

Por outro lado, o terceiro percurso, o mais complexo, relaciona as tendências “Alternativas a ingredientes prejudiciais para a saúde”, “Clean label” e “Dietas low carb” evidenciando a necessidade da indústria desenvolver produtos mais naturais e menos processados e com menor impacto na saúde dos consumidores.

Já o quarto percurso tecnológico relaciona as necessidades de tecnologia/processo com as tendências de mercado “Sabores inovadores” e “Eat-on-the-go”, colocando o foco na globalização e nos novos estilos de vida e hábitos de consumo dos consumidores, cada vez mais em exigentes, ávidos de novas experiências e em movimento.

Finalmente, o quinto percurso, que relaciona as necessidades tecnológicas associadas às duas tendências de produto transversais – “Sustentabilidade” e “Food integrity” – que deverão estar presentes em todos os novos produtos a desenvolver pela indústria agroalimentar, pelo que, neste percurso, a relação é estabelecida entre as tendências de mercado e as necessidades de tecnologia/processo para o desenvolvimento dos produtos.

Um mapa para a competitividade – Avaliar e atualizar para decidir melhor

A atualidade – das soluções existentes e possíveis, do mercado e dos consumidores – está em constante mudança, fruto da evolução dos processos e da tecnologia e das tendências e evolução dos hábitos de consumo, e isto determina a necessidade de as empresas terem uma maior capacidade para, de forma continuada, avaliarem e orientarem a aplicação dos seus recursos no sentido de responder, de forma competitiva, às necessidades dos novos produtos e tecnologias/processos.

Este racional sustenta a revisão proposta no Roadmap apresentado pela PortugalFoods que – sob a premissa de acompanhar a evolução do mercado e das tendências do setor – propõe uma atualização sistemática que consta em seis fases: Revisão das tendências de mercado e necessidades de produto; Revisão das tecnologias/ processos associados; Revisão das atividades de I&D necessárias; Revisão dos percursos tecnológicos; Discussão / validação do Roadmap revisto; e finalmente a Atualização e apresentação do Roadmap ao setor.

Roadmap Tecnológico para o setor agroalimentar português” – Um processo evolutivo

O “Roadmap Tecnológico para o setor agroalimentar português” resulta de um trabalho desenvolvido em colaboração com a Sociedade Portuguesa de Inovação (SPI) e é uma evolução com base em dois documentos produzidos anteriormente: “Mapas/percursos tecnológicos para o setor agroalimentar”, que sistematizou as principais macro tendências de mercado do setor agroalimentar e a principal informação sobre os produtos e as tecnologias/processos que deverão ser desenvolvidos/adotados pela indústria para lhes dar resposta; e “Prioridades para o setor agroalimentar ao nível da IDI”, que sistematizou as prioridades de IDI que poderão responder às necessidades do setor agroalimentar, quer para concretizar tendências, quer tecnologias ou novos/melhorados produtos.

Esta iniciativa está integrada no projeto PortugalFoods_Qualifica que tem como objetivo sensibilizar e dinamizar o tecido empresarial do setor agroalimentar nacional para os desafios do futuro, através da partilha de conhecimento e divulgação de tendências e boas práticas em temas relacionados com Inovação Tecnológica, a Indústria 4.0, a Economia Circular, a Economia Digital e a Literacia Financeira.

Este projeto é financiado pelo COMPETE2020, Portugal2020 e União Europeia através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.