Hortofruticultura Sanidade vegetal

Cerejeiras – da floração ao vingamento

Figura n.º 1 – Cerejeiras em flor na freguesia do Jardim da Serra

A floração da cerejeira está, neste mês de abril, no seu máximo esplendor.

〈 14/04/21 〉

A campanha de 2021 da cerejeira está a decorrer dentro da normalidade, quer na freguesia do Curral das Freiras, quer na freguesia do Jardim da Serra.

Para que ocorra uma boa floração e, consequentemente, um bom vingamento, é necessária uma fertilização adequada, além das condições edafoclimáticas propícias. Para tal, dever-se-á efetuar análises de terra, de modo a conhecer a disponibilidade de nutrientes e o respetivo pH, bem como as extrações de nutrientes da cultura, que, no caso da cerejeira, “as extrações de nutrientes em termos médios rondam os 8kg de azoto (N), 3kg de fósforo (P2O5) e 10kg de potássio por cada tonelada de frutos colhidos” (Agusti, 2010).

Atendendo que, na freguesia do Jardim da Serra, a maioria dos pomares são de sequeiro, é conveniente ter em atenção o binómio fertilização/disponibilidade hídrica do solo.

Nesta fase de floração/vingamento (figuras n.º 1 e n.º 2), dever-se-á aplicar uma adubação com os macronutrientes principais, nomeadamente azoto, fósforo e potássio, mas com um adubo equilibrado, sugerindo para o efeito 12-8-16.

Já em meados de maio, aconselha-se realizar uma fertilização foliar, por exemplo: 9-15-30, com micronutrientes.

Na fase de desenvolvimento das cerejeiras, os produtores devem estar também atentos ao aparecimento dos afídeos (Myzus sp.), os quais têm uma grande apetência para a rebentação. O ataque de afídeos tem implicações significativas na produção do ano, comprometendo o crescimento e a qualidade da fruta da presente colheita, bem como a do ano seguinte.

Sempre que se atinga o nível económico de ataque, dever-se-á efetuar tratamentos para o controlo da referida praga, com a aplicação de produtos fitofarmacêuticos homologados para a referida praga.

Na agricultura em modo de produção biológico, poder-se-á aplicar Fortune Aza, desde a eclosão dos ovos até ao aparecimento dos adultos. A aplicação deve ser feita no começo da manhã ou ao fim da tarde, desde os primeiros estados de desenvolvimento da praga, repetindo, se necessário, a intervalos de sete, no caso de alta pressão da praga, a 14 dias. No período da Primavera/Outono, o intervalo de segurança é de três dias.

Na agricultura convencional e em proteção integrada, os produtos que podem ser utilizados são os seguintes:

Epik SG, que deve ser aplicado no início do ataque, repetindo, se necessário. O número máximo de aplicações é de dois por campanha, com uma concentração de 25g para 100l de água e um intervalo de segurança de 14 dias;
Decis Expert, com uma única aplicação por campanha, aquando do aparecimento dos afídeos, com uma concentração de 7,5 a 17,5ml para 100l de água, com um intervalo de segurança de sete dias;
Karate Zeon + 1,5 CS, também com uma única aplicação por campanha, quando as populações começam a aumentar significativamente, com uma concentração de 130ml para 100l de água, dirigindo a pulverização para a parte de cima das plantas. Este produto possui um intervalo de segurança de 7 dias.

De salientar que qualquer aplicação de produtos fitofarmacêuticos requer a utilização do equipamento de proteção individual (luvas, fato, máscara, proteção ocular e botas), e ter em atenção a existência de outras culturas.

O produtor, para obter uma boa produção em quantidade e qualidade, deve efetuar as operações culturais no momento certo, caso contrário, não poderá esperar boas colheitas ou rendimento.

Aproveita-se ainda esta publicação para divulgar que, com o objetivo de renovar os pomares de cerejeiras, a Secretaria Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural, através da Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural, pretende colaborar com os produtores de cereja, no sentido de arrancar as árvores mortas para a recuperação dos pomares de cerejeiras. Assim, os interessados deverão inscrever-se na Junta de Freguesia do Jardim da Serra, aconselhando-se que se façam acompanhar do parcelário agrícola. Posteriormente, os agricultores serão contactados para agendar a intervenção.

Autoria: Aurélia Sena
Direção de Serviços de Desenvolvimento Agronómico
Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural