Pequenos Frutos Reportagem

‘Delícias do Tojal’ exportar produtos de qualidade e seguros para o consumidor

‘Delícias do Tojal’ mantém objetivo central de ser catalisadora de informação para exportar produtos de qualidade e seguros para o consumidor

DELÍCIAS DO TOJAL, LDA. 

RESPONSÁVEL: Ayrton Cerqueira 

LOCALIZAÇÃO: Coucieiro (Vila Verde) 

SETOR DE ATIVIDADE: Pequenos frutos
Delícias do Tojal’ foi o nome escolhido pelo pai de Ayrton Cerqueira para o projeto que em 1982 instalou em Coucieiro (Vila Verde) com as primeiras plantações de kiwi.

O sonho desenvolveu-se primeiro em nome individual e ‘Delícias do Tojal’ era apenas a designação comercial. No passar do milénio, o volume e reconhecimento que entretanto adquiriu obrigou a que se tornasse uma empresa em pleno direito, o que fez em parceria com a esposa. Em 2007, quando o pai faleceu, Ayrton Cerqueira não deixou desvanecer o projeto e assumiu todas as responsabilidades para o levar por diante.

 

Neste momento a ‘Delícias do Tojal’ conta com uma área própria de sete hectares, onde se encontram diferentes culturas como kiwi, framboesa, mirtilo, amora, groselha, morango, castanha, kiwi arguta, citrinos e uma área de desenvolvimento de novas culturas como, por exemplo, feijoa e araçá.

Tudo produzido ao ar livre, apesar de já ter existido uma pequena área coberta para testes.

Todas as culturas têm o seu impacto e particularidades, embora a que tem maior peso comercial neste momento seja a dos pequenos frutos, pelas parcerias que a empresa detém.

Além da produção própria a empresa trabalha também com outros produtores, contabilizando mais de 200 inscritos, embora só uma pequena percentagem destes sejam “produtores profissionais”. Enquanto que a maioria desses produtores se situa no norte, a maioria da área encontra-se a sul. No total representa cerca de 200 hectares.

Questionado sobre qual é a relação entre a Delícias do Tojal e esses produtores, Ayrton Cerqueira explica que o cerne da empresa continua aquele para o qual ela foi criada, “exportar o que de melhor se faz em Portugal para as mesas do mundo”.

Depois reforça ainda que, tendo em conta que começou por trabalhar com culturas que na época eram inexistentes em Portugal, “teve de fazer tudo”, desde formar, fornecer plantas, implementar pomares, podar e até colher para os seus fornecedores.

No entanto, com o passar dos anos tem trabalhado mais com produtores profissionais ou a “full-time” como prefere dizer, o que tem levado à descontinuidade das formações práticas, mas assume o apoio ao pequeno produtor e à agricultura familiar. “E, principalmente, continuamos a apoiar a vontade e a agricultura genuína!”, clarifica o produtor.

Neste momento os serviços da Delícias do Tojal estão mais direcionados para o fornecimento de plantas, apoio à implementação de certificações, conformidade de padrões de qualidade, garantia do cumprimento da legislação (por exemplo na aplicação de produtos fitofarmacêuticos). Tudo isto em prol do principal objetivo da empresa “ser catalisadora de informação no intuito de exportar produtos de qualidade superior e seguros para o consumidor”.

Comercialização muito focada na exportação, para todo o mundo

A comercialização processa-se primordialmente pelo cumprimento de especificações e padrões de qualidade entre outros critérios e é em torno disso que giram as parcerias e o trabalho de produção. Sem nunca esquecer os países com os quais tem um relacionamento “histórico” como a França e a Holanda, a ‘Delícias do Tojal’ tem exportado para muitos países pelo mundo fora.

Analisando a evolução do setor nos últimos anos, na componente agrícola Ayrton Cerqueira regista o acompanhamento próximo dos desenvolvimentos que vão acontecendo nos vários setores, como a automatização das colheitas, as novas doenças e pragas que vão aparecendo nas diferentes culturas e formas de as contrariar. Na vertente comercial há novas técnicas de armazenamento, desenvolvimento de embalamento eco-friendly e tantos outros fatores, até porque as tendências do mercado estão em constante movimento.

A principal dificuldade como produtores, “por incrível que pareça, continua a ser a falta de mão de obra. Mas também se sente muito a falta de reconhecimento da sociedade que se esquece que todos dependemos diariamente dos agricultores”.

Artigo completo publicado na edição impressa de fevereiro 2021.