Vinha & Vinho

“A evolução mais notória na viticultura alentejana é sem dúvida a mecanização de atividades culturais“

Cordão bilateral (Foto: André Pilirito)

As vinhas no Alentejo estão assentes sobretudo em solos pobres com baixa fertilidade e plantadas como cultura extreme (embora antigamente estivesse consociada com olival tradicional).

Os principais sistemas de condução observados no Alentejo são o cordão bilateral e o Guyot duplo (regionalmente chamado de “vara e espera”).

Atualmente a maior parte das vinhas cumprem os requisitos de produção integrada mesmo sem estarem certificadas para tal, visto que os viticultores são cada vez mais alertados para questões ambientais e de sustentabilidade na sua atividade. Neste sentido existe uma racionalização de diversos fatores de maneira a obter um produto final de uma forma sustentável a nível produtivo e económico.

De uma forma geral, “o Alentejo está apto para a produção de vinhos de qualidade, visto obterem características específicas devido ao calor no verão, frio seco no inverno e aos solos com características particulares”, afirma José Miguel D’Almeida, presidente da ATEVA (Associação Técnica dos Viticultores do Alentejo), criada em 1983 com o objetivo de alavancar a reconversão da vinha no Alentejo bem como a delimitação das suas principais zonas de produção.

Esta ideia para criação da ATEVA surgiu no decurso do estudo sobre a vitivinicultura nacional através do programa “Plano de Mudança da Agricultura”, onde a Equipa Central de Viticultura do projeto constatou as necessidades e incertezas fundamentadas pelos viticultores e membros das adegas cooperativas. Iniciou a sua atividade em 1985 com uma equipa de três técnicos que prestavam apoio a uma amostra de 24 associados. Atualmente a ATEVA conta com 1534 viticultores associados que representam 18 146 hectares na região do Alentejo, onde estão presentes 11 técnicos para as diferentes sub-regiões.

O financiamento das atividades resulta das quotas dos associados, da prestação dos serviços de assistência técnica, programas de financiamento e da prestação de serviços à Comissão Vitivinícola da Região do Alentejo.


Adegas Cooperativas representam perto de 70% da produção vitícola do Alentejo

“A área coberta de vinha no Alentejo pode parecer reduzida devido ao facto de estar bastante concentrada em zonas geográficas bem delimitadas, uma das principais características da viticultura alentejana. Embora as aparências possam iludir, o Alentejo conta com uma área de vinha a rondar os 23 000 ha, o que equivale a cerca de 7% da área total de vinha em Portugal”, argumenta José Miguel D’Almeida. Acrescenta que outra característica interessante desta região deve-se ao forte desenvolvimento do cooperativismo, sendo que cerca de 90% dos viticultores da região fazem parte de adegas cooperativas, onde estas representam perto de 70% da produção vitícola do Alentejo. 


No âmbito das suas atividades, a ATEVA promove a formação profissional, a experimentação em colaboração com organismos regionais/nacionais em vários campos relacionados com a produção vitícola (…).

Leia o artigo em completo na edição impressa de abril 2021.

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